Primeira fábrica de celulose do Paraguai já tem créditos de carbono aprovados antes de sua instalação

Em entrevista ao NewsPulpaper, Flavio Deganutti, CEO da Paracel, fala sobre os créditos de carbono, a base florestal de 208 mil hectares e o acordo de US$ 215 milhões com a Sudati

Quando uma nova fábrica de celulose “nasce”, toda uma cadeia produtiva é criada junto dela. Cada elo tem sua devida importância, mas é na matéria-prima que reside o necessário para que o processo aconteça. Nesse sentido, antes mesmo que as fábricas responsáveis por transformar os cavacos em fardos de celulose estejam construídas, a indústria busca solidificar sua base florestal para garantir a operação da nova planta. É nesse contexto que a Paracel, primeira fábrica de celulose a ser construída no Paraguai, está avançando e alcançando novos marcos, à medida que avança nas obras de infraestrutura.

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Com investimento previsto de cerca de US$ 4 bilhões, o empreendimento consiste na construção da primeira megafábrica de celulose do país, localizada no departamento de Concepción. Desse total, o custo específico voltado para erguer a planta industrial de celulose está estimado em US$ 2,8 bilhões, projetada para produzir 1,8 milhão de toneladas anuais de celulose kraft de eucalipto.

Em entrevista ao Newspulpaper, o CEO da companhia, Flavio Deganutti, comentou que a base florestal da Paracel já possui mais de 208 mil hectares de terras próprias nos departamentos de Concepción e Amambay, dos quais mais de 100 mil hectares já estão plantados com eucalipto, em terras próprias e de terceiros.

Flavio Deganutti, CEO da Paracel
Flavio Deganutti CEO da Paracel Foto Paracel

“Essa base produtiva, certificada pelo padrão FSC®, sustenta um modelo de gestão sustentável que combina eficiência operacional com responsabilidade ambiental e constitui um pilar fundamental para garantir o abastecimento da futura fábrica de celulose do Paraguai”, afirmou o executivo.

Com as obras de infraestrutura de seu polo de desenvolvimento industrial e da fábrica de celulose iniciadas em maio deste ano, a empresa busca ampliar sua base florestal para acompanhar o crescimento futuro do projeto e garantir o abastecimento sustentável de matéria-prima a longo prazo. Além de manter a planta, a gestão de florestas também oferece novas possibilidades para o setor – a empresa teve seus primeiros créditos de carbono aprovados.

Paracel conquista seus primeiros créditos de carbono na Verra

Conforme Deganutti, a Paracel integra sustentabilidade e competitividade por meio de um manejo florestal responsável, com abordagem de paisagem, que combina plantações produtivas de eucalipto com a conservação e a restauração de ecossistemas. Ele aponta que cerca de 44% das terras próprias da empresa são destinadas a áreas de conservação, enquanto as áreas plantáveis são definidas com base em critérios técnicos, ambientais e sociais.

Dessa forma, a companhia alcançou um novo marco ao ter seu Projeto Florestal de Carbono Paracel ARR registrado e seus primeiros 191.809 créditos de carbono aprovados sob padrões internacionais, aplicando a metodologia VM0047 – Aflorestamento, Reflorestamento e Revegetação, um dos padrões mais exigentes a nível internacional.

Base florestal Paracel
Foto Paracel

“Esse modelo permite gerar remoções de CO₂ mensuráveis e verificáveis segundo padrões internacionais de alta integridade, como o Verified Carbon Standard (VCS) e o padrão Clima, Comunidade e Biodiversidade (CCB), da Verra”, explicou o CEO. “A certificação FSC®, que a empresa possui atualmente, a rastreabilidade e a verificação de seu desempenho ambiental por organismos internacionais constituem atributos cada vez mais valorizados pelos mercados internacionais de celulose, nos quais as exigências de sustentabilidade continuam aumentando”, acrescentou.

Para o CEO, esses marcos fortalecem a estratégia de sustentabilidade da empresa, diversificam as fontes de geração de valor e consolidam seu posicionamento no mercado voluntário de carbono. Além disso, a certificação CCB comprova que o projeto gera benefícios verificáveis para as comunidades e a biodiversidade, e não apenas para o clima.

“Essas conquistas também contribuem para posicionar a Paracel e o Paraguai como referências no mercado internacional de carbono e na promoção de soluções baseadas na natureza”, reforçou.

Obras de infraestrutura têm financiamento de US$ 165 milhões do BID

De acordo com o CEO da Paracel, as obras do projeto avançam de maneira consistente e alinhada ao cronograma. As obras de infraestrutura abrangem tanto o polo de desenvolvimento industrial e a fábrica, incluindo porto e terminal fluvial, linhas de transmissão elétrica, as vias de acesso e a infraestrutura logística.

“Essas obras contam com financiamento de US$ 165 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e têm como objetivo melhorar a conectividade regional, reduzir os custos logísticos e criar as condições necessárias para a industrialização”, relatou Deganutti.

A Paracel não se pronunciou sobre o início das obras da fábrica em si. No entanto, segundo apurado pelo Valor Econômico, a companhia ainda busca um investidor, estratégico ou financeiro, que complemente o aporte na unidade; com previsão de atingir esse objetivo no início de 2027, conforme a infraestrutura avança.

Sudati vai investir US$ 215 milhões no polo industrial

Considerando os outros elos dessa cadeia, a Paracel assinou um acordo estratégico com o Grupo Sudati, maior fabricante e exportador de compensados de madeira do Brasil, com cinco plantas industriais na região Sul do país.

O investimento estimado é de US$ 215 milhões e contempla a instalação de operações dentro do Polo de Desenvolvimento Industrial da Paracel. O projeto prevê o início das obras em 2027 e a entrada em operação da primeira fase em 2028.

“A parceria permite integrar, em um mesmo polo, diferentes usos industriais do recurso florestal e representa um primeiro passo concreto rumo à formação de um cluster de base florestal no norte do país”, indicou Flavio.

Adicionalmente, a Sudati realizará um investimento complementar para expandir a base florestal da região, em parceria com a Paracel. No total, está previsto o plantio de mais de 30 mil hectares adicionais, fortalecendo o desenvolvimento da atividade florestal e a capacidade produtiva do norte do país.

Paracel já emprega mais de 1.100 pessoas no Paraguai

A Paracel está movimentando a economia paraguaia mesmo antes do início da operação fabril. Atualmente, a companhia emprega de forma direta mais de 1.100 pessoas, sendo 95% paraguaios e cerca de 65% provenientes do departamento de Concepción.

Por sua vez, o polo de desenvolvimento industrial tem potencial para gerar aproximadamente 7 mil empregos diretos e indiretos, aos quais se somam os mais de 2 mil postos de trabalho previstos com a chegada da Sudati.

“Para que essas oportunidades alcancem as comunidades da área de influência, a empresa acompanha esse processo com programas de capacitação e contratação de mão de obra local, promovendo a criação de valor sustentável para as futuras gerações”, conclui o CEO.

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Bianca Machado Jornalista
Bianca Machado é jornalista, pós-graduada em Gestão da Comunicação Digital e Mídias Sociais e desde 2021 escreve sobre os mercados de papel e celulose.

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