O governo de Ontário anunciou um aporte de CAD 5,1 milhões na Bioveld North Inc. para financiar os estudos de engenharia necessários a uma eventual retomada da fábrica de celulose e papel de Espanola, no norte da província, parada desde 2023. Os recursos vêm do Forest Biomass Program, por meio das linhas Biomass Pathways e Innovative Bioproduct Manufacturing and Modernization.
O valor cobre parte de um programa de engenharia de front-end loading (FEL) orçado em CAD 10,5 milhões, cuja função é fechar o desenho técnico e o custo final do religamento da unidade. A Bioveld North, subsidiária do grupo canadense de investimentos BMI Group, entra com os CAD 5,4 milhões restantes.
Unidade opera há mais de um século e foi comprada em 2025
A fábrica de Espanola funcionou por mais de 120 anos antes de ser paralisada pela Domtar, em novembro de 2023. O ativo foi adquirido pelo BMI Group em outubro de 2025.
Segundo a Bioveld North, o fechamento eliminou cerca de 400 empregos diretos e desorganizou uma cadeia de suprimento que sustentava aproximadamente 2 mil postos indiretos e 19 serrarias em Ontário. Seis dessas serrarias dependiam de Espanola para cerca de 75% da venda de cavacos. Sem a fábrica, várias delas foram paralisadas e boa parte do resíduo de madeira passou a ser embarcada para fora da província.
Celulose premium primeiro, bioprodutos depois
O plano da companhia é transformar o site em um polo de bioprodutos de fibra integral. A primeira fase prevê a produção de celulose premium – fibra longa branqueada (NBSK) – e papéis especiais; em etapas seguintes, entram biocarvão, combustíveis renováveis e energia limpa.
“Esta fábrica nunca foi demolida nem deixada para apodrecer, ela foi mantida aquecida, esperando”, afirmou Paul Veldman, CEO do BMI Group à imprensa local. Segundo ele, a estratégia da empresa, batizada de Pulp+, parte de uma ideia simples: “colocar a madeira de volta ao trabalho”.
Retomada em plena capacidade, a unidade poderia restabelecer uma demanda anual de até 1,8 milhão de metros cúbicos de madeira de origem sustentável, de acordo com o governo provincial.
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Aporte se insere na resposta de Ontário ao tarifaço americano
O financiamento integra o plano da província para blindar o setor florestal diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos, com foco na diversificação de mercados e de portfólio.
“Este investimento reforça o nosso Roadmap to Protecting Ontario’s Forest Sector (Roteiro para a Proteção do Setor Florestal de Ontário, na tradução livre) e o compromisso com os trabalhadores e as comunidades que dependem de uma economia florestal forte”, declarou Mike Harris, ministro de Recursos Naturais de Ontário.
Para Kevin Holland, ministro associado de Silvicultura e Produtos Florestais, fábricas âncora são decisivas para a competitividade do setor no longo prazo. O trabalho de engenharia também vai mapear ganhos de eficiência e confiabilidade e avaliar oportunidades de diversificação da unidade para além da celulose e do papel.



