O setor brasileiro de celulose intensifica os investimentos em qualificação profissional para atender à demanda por mão de obra especializada. Segundo o Mapa do Trabalho Industrial, mais de 31 mil trabalhadores deverão ser formados até 2027 para atender às necessidades da cadeia de fabricação de celulose, papel e produtos de papel. Somente no Estado de São Paulo, a demanda supera 12 mil profissionais.
Os dados acompanham o crescimento do setor. De acordo com o Novo Caged, a cadeia de fabricação de celulose, papel e produtos de papel registrou 6.566 admissões entre janeiro e abril de 2026, com saldo positivo de 424 vagas no período.
Além da expansão das operações, fatores como automação industrial, mecanização, digitalização e novas exigências ligadas à sustentabilidade vêm impulsionando a necessidade de profissionais cada vez mais qualificados, levando empresas da cadeia de celulose a ampliar programas de capacitação e desenvolvimento de talentos.
Bracell investe R$ 5 milhões em qualificação profissional
Entre as iniciativas no setor de celulose, a Bracell, em parceria com a prefeitura de Lençóis Paulista (SP), investiu cerca de R$ 5 milhões para ampliar o acesso da população a cursos gratuitos de qualificação profissional. O investimento busca preparar profissionais para novas oportunidades de trabalho, principalmente em áreas técnicas ligadas ao setor florestal e à manutenção de máquinas pesadas.
Em Mato Grosso do Sul, a MS Florestal, empresa do grupo RGE no Brasil, também apoiou a formação de uma turma técnica de mecânicos florestais em Bataguassu, em parceria com instituições do Sistema S. A iniciativa incluiu mulheres entre os participantes e contribui para ampliar a qualificação profissional em uma região que concentra novos investimentos industriais.
Escassez de profissionais impulsiona capacitação
O avanço das iniciativas ocorre em um cenário de escassez de mão de obra qualificada. Segundo levantamento da ManpowerGroup, 72% dos empregadores enfrentam dificuldades para preencher vagas. Já o Fórum Econômico Mundial aponta que as lacunas de competências representam a principal barreira para a transformação dos negócios em 63% das empresas, enquanto 85% pretendem ampliar investimentos em requalificação e desenvolvimento profissional até 2030.
“O desafio não está apenas na quantidade de profissionais disponíveis, mas também na evolução das competências exigidas pelo setor. A mecanização das operações florestais, a automação industrial, o uso crescente de dados para tomada de decisão e o avanço das agendas de sustentabilidade têm transformado o perfil dos profissionais demandados pelas empresas. Mais do que preencher vagas, o objetivo é criar uma base de talentos capaz de acompanhar a transformação tecnológica do setor e contribuir para a competitividade das regiões que concentram operações industriais e florestais”, afirma Daniel Moraes, gerente-sênior de RH da Bracell em São Paulo.
Além dos cursos de qualificação, a Bracell mantém programas de atração e desenvolvimento de talentos, como o Programa de Estágio Técnico, voltado às áreas de mecânica, automação, instrumentação, elétrica, manutenção, logística, meio ambiente, papel e celulose e segurança do trabalho.
A companhia também desenvolve iniciativas voltadas ao empreendedorismo e à geração de renda. Por meio do programa Dona Della, apoia mulheres empreendedoras nas comunidades onde atua com capacitação, mentorias e acesso a redes de apoio. Em 2025, a empresa alcançou 73% dos projetos sociais de negócios de impacto liderados por mulheres, superando antecipadamente a meta estabelecida para 2030. No mesmo período, investiu R$ 9,9 milhões em iniciativas sociais que beneficiaram mais de 159 mil pessoas no Brasil.
Fonte: Bracell



