Carlos Farinha:Uma Travessia De Sucesso

Diretamente de terras lusitanas para terras tupiniquins, Carlos Alberto Farinha e Silva, atual vice-presidente da Pöyry, chegou ao Brasil em 1977 e por aqui ficou. Não apenas fixou residência no País, como também na primeira empresa em que trabalhou: na multinacional finlandesa Pöyry.

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Antenado com todas as novidades do mercado e ávido por melhorias para o setor de papel e celulose, Farinha, como é mais conhecido entre os amigos do setor, é formado em Engenharia Química pelo Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa (1965), onde também se tornou membro da Ordem dos Engenheiros de Portugal.

Iniciou sua carreira profissional logo cedo. Recém-formado, trabalhou para o laboratório de pesquisa dos “Pétroles d´Aquitaine” nos Pirineus Franceses. Após a passagem pela França, retornou a Portugal, e o contato com o “mundo do papel” foi desenvolvido quando ingressou na Fábrica de Celulose de Cacia em Aveiro e depois em Setúbal, na então SOCEL, hoje Portucel.

Um ano depois integrou a companhia de celulose do Ultramar Português, em Angola, onde ficou por 8 anos, mudando-se para Luanda a trabalho para o governo e, posteriormente, para o Brasil. Ao todo, o profissional soma mais de 43 anos de profissão, sendo dez deles com experiência em produção e 33 em engenharia e consultoria.

Dessa trajetória orgulha-se de ter participado do desenvolvimento da indústria brasileira de celulose e papel, ajudando a implantar importantes projetos, como as unidades da Aracruz, Suzano, Klabin, VCP, entre outros. “Tive a oportunidade de ver desde a expansão e transformação radical da indústria de celulose e papel no País ao progresso pioneiro do seu parque florestal. Sobretudo, à valorização do seu capital humano, o qual hoje não teme qualquer confronto com o que tem de melhor no exterior”, destacou.

Nesse mesmo contexto do processo de evolução nacional, o vice-presidente da Pöyry posiciona a cadeia produtiva do País em um bom momento, mas com alguns desafios pela frente, como a capacidade de investir durante longo tempo, prejudicada pelas altas taxas de juros, deficiências de infraestrutura e alta carga tributária.

Farinha comenta ainda que talvez o setor nunca tenha passado por um período de desenvolvimento tão rápido. Com isso, as empresas mais atentas e de maior capacidade de adaptação serão fortalecidas e outras tenderão a desaparecer. “Veremos, com certeza, a continuação da tendência de concentração através de fusões e aquisições”, acrescentou citando o potencial corporativo de gerenciamento das principais indústrias e sua evolução.

Outros desafios apontados por quem já conhece este setor há muito tempo residem nas pressões ambientais, afetando, sobretudo a produção de celulose. Segundo o vice-presidente da Pöryry, questões, como o uso de recursos renováveis de florestas plantadas, os programas de proteção ambiental e desenvolvimento social tem de ser cada vez mais enfatizados e divulgados para a opinião pública.

“A nossa indústria sempre foi muito visada pelos ambientalistas, sofrendo constantes ameaças, mas, ao mesmo tempo, existe uma enorme oportunidade de criar e consolidar uma imagem favorável”, indica. Isso, porque a base de sustentação da indústria brasileira de celulose e papel é a sua base florestal, constituída na sua grande maioria de plantações de alto rendimento de eucaliptos e pinus.

Com a tecnologia destas plantações sendo desenvolvida ao longo das últimas décadas, a indústria cresce apoiada nessas fontes de matéria-prima de baixo custo e alta qualidade.

E quando o assunto é gestão, Farinha acredita que um diferencial é essencial: “O cliente quer soluções e não só produto. Entender suas necessidades é fundamental. Quanto à investimentos,  é importante escolher produtos que possam potencializar as vantagens competitivas disponibilizadas pela sua base florestal, com tecnologia e economia de escala”, finaliza.

*Carlos Alberto Farinha e Silva, vice-presidente da Pöyry, é registrado no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura e membro da ABTCP e da TAPPI (Technical Association of Pulp and Paper Industry) dos USA, desde 1973.

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Thais Negri Santi

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