Como sempre, uma das sessões técnicas mais concorridas do evento é a de celulose, que traz pesquisadores com inovações tanto no campo teórico como já em prática nas empresas do setor. O trabalho que recebeu a maior nota da comissão técnica avaliadora foi apresentado por Cristiane Pedrazzi, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), com o título de Alternativas tecnológicas para a produção de polpas de eucalipto com diferentes conteúdos de xilanas. “Trabalhamos com uma variade de densidade de madeiras bem diferentes, como o Eucalyptus Grandis, com 425 kg/m³ e o Eucalyptus urograndis com 542kg/m³”, descreveu a pesquisadora durante o início de sua apresentação.
O trabalho de pesquisa foi desenvolvido para tratar da composição química da polpa celulósica, pois ela afeta a produção dos mais diferentes produtos. Foram utilizados cavacos de Eucalyptus grandis e de Eucalyptus urophylla versus Eucalyptus urograndis, tratados em diferentes tipos de cozimento: pré-hidrólise kraft, kraft de alta alcalinidade, kraft convencional e kraft de alto rendimento. “É preciso que estudemos tudo que é possível mudar dentro do digestor e que podem afetar a característica da polpa, esta que depois poderá ser usada em diferentes finalidades e tipos de papéis, por exemplo.”
Neste campo de debates, o trabalho procurou se aprofundar no conteúdo de xilanas, já que elas tem efeito no rendimento, refinabilidade e propriedades do papel. “Os cozimentos experimentais conseguiram atingir rendimento total de 62,2% para o Eucalipto grandis e 58,2% para o urograndis”, citou Cristiane. A pesquisa ainda não observou correlação entre rendimento da polpação e viscosidade da polpa, sendo as mais altas viscosidades alcançadas com pré-hidrólise kraf. Os mais altos pesos moleculares médios da celulose (755-878 kDa) foram alcançados com o processo kraft de alto rendimento, enquanto que as mais baixas polidispersidades (1.9-2.1) foram obtidas pelos processos kraft convencional e kraft de alto rendimento.
Jorge Colodette, professor da UFV e orientador do projeto, estava presente e ressaltou, ao final da sessão, que o trabalho selecionou as melhores madeiras do Brasil para serem analisadas, resultando em um rendimento de produção muitas vezes difíceis de serem encontrados em outras circunstâncias. “Precisamos estudar muito o que temos de potencial no Brasil, todas as condições de processo, pois o estudo mostra situações totalmente possíveis dentro do ambiente industrial para uma produção com diferentes teores de xilana”, concluiu.



