O 2º Workshop de Celulose e Papel de Santa Catarina, realizado em 25 de novembro no SENAI Blumenau, reuniu 96 profissionais entre especialistas, gestores e representantes de empresas do setor, consolidando-se como um dos principais encontros regionais promovidos pela Universidade Setorial ABTCP. Com uma programação técnica, o workshop incluiu debates sobre performance química, automação, resistência, eficiência energética e novas tecnologias para o segmento tissue.
A moderação desta edição ficou a cargo de Xalise Chaves Canani, gerente industrial da IPEL, que conduziu parte dos debates ao longo do dia. Ela definiu a experiência como “uma honra muito grande”, reforçando seu respeito pelo papel da Universidade Setorial no fortalecimento da indústria. Segundo ela, o amadurecimento das discussões chamou a atenção nas discussões sobre custos, escassez de mão de obra, sustentabilidade e inovação. “Tivemos debates técnicos muito ricos e percebi um amadurecimento importante nas reflexões sobre gestão e futuro da indústria, especialmente em um mercado onde grandes players têm ampliado sua atuação.”
Entre os destaques estiveram temas como soluções integradas para máxima performance em máquinas tissue, papel dos químicos na retenção e drenagem, propriedades óticas, formação inteligente guiada por dados, eficiência energética e novas soluções para resistência seca e úmida.
Para Xalise, muitos desses conteúdos representam “verdadeiros pontos de virada” para a competitividade das fábricas. “A integração entre tecnologia e operação apareceu de forma mais madura e aplicável, o que é transformador. Ainda assim, acredito que podemos nos concentrar mais em temas voltados a ganhos de produtividade e redução de custos, desafios constantes para todas as fábricas.”
Além disso, segundo a moderadora, o clima de colaboração esteve presente não apenas durante os debates, mas também nos intervalos e conversas paralelas e que encontros como o de Santa Catarina têm impacto direto nas fábricas. “Quando reunimos especialistas, gestores e operadores para discutir problemas reais e soluções práticas, geramos uma conexão muito clara entre teoria e prática. Cada insight compartilhado aqui vira potencial de melhoria dentro das empresas e fortalece a maturidade do setor como um todo”, pontuou.
Para as próximas edições, ela defende o aprofundamento de temas como inteligência de dados aplicada ao dia a dia da operação, IA, estabilidade de processo, gestão de pessoas na área industrial, especialmente considerando a diversidade de gerações, e também cases de sucesso de fábricas que possam inspirar o mercado.
Na ocasião, participaram das discussões com reflexões sobre o tema Rita de Fátima Pinto, diretora da Polpa Papéis, Thiago Karam Westphalen, diretor-presidente da INCAPE; Carlos Stein, fundador da BN Papéis e Luciano de Liz Barboza, CEO da IPEL.
Para a diretora da Polpa Papéis, existe uma importância ainda maior na inteligência humana que existe por trás da inteligência artificial. Ela lembrou que a tecnologia evoluiu rapidamente, mas continua dependendo da capacidade das pessoas de perguntar, decidir e direcionar. Rita também refletiu sobre os desafios contemporâneos ligados ao excesso de informação, às mudanças geracionais e ao equilíbrio entre carreira e família, especialmente para as mulheres.
“A IA ajuda, organiza e traz agilidade, mas atrás da inteligência artificial sempre existe a inteligência humana. Somos nós que precisamos saber perguntar, direcionar e assumir riscos. O conhecimento é o que nos permite avançar, vencer medos e realizar tanto na vida profissional quanto na pessoal”, afirmou Rita.
Para fomentar os avanços em tecnologia e transformação digital, fundamental para a competitividade das pequenas e médias indústrias, Westphalen, da INCAPE, comentou que viu como melhor caminho buscar esse desenvolvimento via associação. Inclusive, o executivo disse que isso o motivou a participar do Conselho Executivo da ABTCP, citando o trabalho e apoio na criação da Universidade Setorial, do Programa de Preparação de Gestores de Celulose e Papel (PPGCP) e da plataforma ABTCPFlix, desenvolvidas para combater a falta de mão de obra qualificada por meio de cursos técnicos e oportunidades específicas para o setor. Ele lembrou que não faz sentido reclamar da falta de capacitação quando existe uma estrutura completa disponível para apoiar o desenvolvimento das equipes.
Já Carlos Stein, fundador da BN Papéis, fez uma reflexão sobre a sua longa trajetória no setor, desde 1979, e reconheceu o esforço dos executivos da IPEL e Incape pelo apoio oferecido para a realização do workshop. Ele reforçou que o ambiente do setor só se fortalece graças às pessoas e às instituições que sustentam a formação profissional. Ele expressou ainda profunda admiração pela presença e competência das mulheres na indústria.
“Aqui nesta sala estão duas instituições fundamentais para o nosso setor: a ABTCP e o SENAI. Não existe empresa de excelência sem pessoas treinadas. Somos bons porque temos gente qualificada, e seria uma desinteligência não utilizar esses recursos que essas instituições oferecem”, enfatizou.
Ao final, o executivo da IPEL apresentou um panorama amplo do setor no Estado, destacando que Santa Catarina conta hoje com 43 empresas produtoras, responsáveis por uma produção anual de 1,4 milhão de toneladas de celulose e 2,6 milhões de toneladas de papel. Ele pontuou que essa rede, formada por grandes indústrias e empresas regionais, sustenta um ecossistema dinâmico, capaz de impulsionar competitividade e inovação.
Ao discutir perspectivas futuras, Barboza ressaltou que o setor vive um momento que exige inovação contínua, atenção ao movimento de consolidação e integração do mercado e apontou que o cenário econômico projetado para 2026 demandará ainda mais eficiência, com ganhos de produtividade e foco operacional.
Serão aliados das empresas para superar os desafios, segundo ele, a transformação digital e a incorporação da inteligência artificial como processos já em curso, capazes de redefinir a indústria, bem como o desafio crescente de atrair, desenvolver e reter mão de obra qualificada, além de compreender as mudanças no comportamento do mercado e dos clientes, hoje mais exigentes, digitais e atentos a práticas sustentáveis.
Nesse sentido, o CEO da IPEL reforçou que eventos como o workshop são fundamentais para promover a troca de conhecimento, aprendizado contínuo e fortalecimento coletivo de todo o setor.
Westphalen concordou. “Desde o ano passado, eu e o Luciano apoiamos a ideia de fortalecer a presença da ABTCP na região Sul, celebrando o crescimento do evento e como a entidade precisa estar próxima dos pequenos e médios produtores, promovendo a união entre produtores e fornecedores. Juntos, os pequenos e médios têm força equivalente às grandes indústrias”, concluiu.
Com alto nível técnico, forte participação e uma agenda alinhada aos desafios atuais da indústria, o workshop reafirmou o papel da Universidade Setorial ABTCP em estimular a inovação, a qualificação profissional e o desenvolvimento sustentável do setor de celulose e papel.
Participaram os profissionais das empresas:
Andritz
Axchem
Cht
Cia Canoinhas
Color Química
Contech
Ekonova
Eldorado Brasil
Fiedler
Hergen
Incape
Ipel
Kemira
Lotus Química
Polpa Papéis
QNB
Sbravati
Senai
Siderquimica
Solenis
Spraying Systems
Voith
Weg
Química Nova Brasil
Colley
BN Papéis
Kock Automação



