A Sylvamo, empresa global do setor de papel, divulgou os resultados do primeiro trimestre de 2026 em um áudio webcast realizado em 8 de maio. O período foi marcado por uma fase de transição operacional, avanço de investimentos estratégicos e ajustes na cadeia de suprimentos, segundo a companhia.
De acordo com o CEO John Sims, o ano de 2026 segue caracterizado como um período de transformação, enquanto a empresa executa projetos de expansão e modernização industrial. Entre os principais fatores de curto prazo estão o encerramento do acordo de fornecimento de Riverdale, no fim de abril, e uma parada programada prolongada na unidade de Eastover, na Carolina do Sul (EUA), que impactaram temporariamente a capacidade produtiva.
Apesar disso, a empresa afirma que seus investimentos estratégicos de alto retorno em Eastover seguem dentro do cronograma. A otimização da máquina de papel deve ser concluída no quarto trimestre, durante uma parada de manutenção planejada, enquanto a nova cortadeira de papel em formato padronizado será instalada no terceiro trimestre, com expectativa de aumento de produção no quarto trimestre. Já a linha de hardwood do projeto de modernização do pátio de madeira entrou em operação, com melhora na qualidade dos cavacos. A operação de softwood está prevista para o primeiro trimestre de 2027.
Durante a transição, a companhia adotou medidas como importações da Europa, uso de fornecedores terceirizados e formação de estoques para atender clientes nos Estados Unidos. Essas ações, somadas a ajustes tarifários globais, resultaram em menor volume de vendas e custos adicionais no trimestre. A empresa também passou a reequilibrar sua cadeia de suprimentos, aumentando o fornecimento a partir do Brasil e reduzindo gradualmente importações da Europa. Segundo a Sylvamo, essas mudanças devem gerar economia estimada de cerca de US$ 20 milhões em custos de transição na América do Norte ao longo de 2026.
No trimestre, a empresa registrou prejuízo líquido de US$ 3 milhões, EBITDA ajustado de US$ 29 milhões — com margem de 4% —, consumo de caixa operacional de US$ 10 milhões e fluxo de caixa livre negativo de US$ 59 milhões. O resultado foi influenciado por menor lucratividade, formação de estoques, timing de pagamentos e incentivos anuais, parcialmente compensados por maior sazonalidade na América Latina no fim de 2025.
A companhia reforçou que o fluxo de caixa livre é historicamente mais concentrado no segundo semestre, expectativa que deve se repetir em 2026.
Alocação de capital e estrutura financeira
O conselho de administração aprovou a distribuição de dividendo de US$ 0,45 por ação referente ao segundo trimestre, pago em 28 de abril. A empresa também refinanciou uma dívida com vencimento em 2027, alongando seu perfil de endividamento e preservando a flexibilidade financeira em meio ao cenário de incerteza.
Segundo a administração, a política de alocação de capital permanece inalterada, com foco em fortalecimento competitivo, reinvestimento no negócio e retorno de capital aos acionistas.
Desempenho por região
Na Europa, o cenário segue desafiador, embora os preços de celulose tenham apresentado recuperação ao longo do trimestre. A companhia também informou reajustes de preços de papel, com efeitos observados a partir de abril e novas implementações previstas para os próximos trimestres.
Na América Latina, a demanda caiu após um quarto trimestre sazonalmente forte, mas a empresa projeta recuperação gradual ao longo do ano. A região também vem sendo impactada por reajustes de preços implementados no Brasil e em mercados de exportação, com novos aumentos comunicados recentemente.
Na América do Norte, a dinâmica de oferta e demanda melhorou com a redução de aproximadamente 7% da capacidade de papel não revestido após a conversão da unidade de Riverdale. A queda nas importações e os reajustes de preços já começam a impactar positivamente os resultados, com efeitos adicionais esperados no segundo trimestre.
A empresa destacou ainda pressões de custo relacionadas a energia, insumos químicos, diesel e frete marítimo, influenciadas por tensões no Oriente Médio. A estratégia, segundo a companhia, é focar em controle interno de custos e ações comerciais para mitigação dos impactos.
Perspectivas
A Sylvamo afirmou estar avançando em sua transformação para uma cultura lean, com foco em eficiência operacional, eliminação de desperdícios e melhoria contínua. A iniciativa já foi iniciada na América Latina e será expandida para a América do Norte no segundo trimestre.
No longo prazo, a empresa reforçou o compromisso com criação de valor sustentável, disciplina financeira e geração de resultados. Com a normalização dos investimentos e evolução dos projetos estratégicos, a companhia projeta potencial de geração anual de até US$ 300 milhões em fluxo de caixa livre e retorno de 15% sobre o capital investido.
Fonte: Informações Sylvamo



