A produção nacional de papéis para Imprimir e Escrever (I&E) ficou em descompasso com os demais segmentos da cadeia do papel. É o que mostram os dados do primeiro semestre, disponíveis na edição 88 do Boletim Estatístico Dados Papel, da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), entidade que representa a indústria papeleira no Brasil.
A publicação apresenta a produção nacional de papéis, a venda doméstica, a exportação e a importação, em cada uma das cinco categorias – Embalagens, Imprimir e Escrever, Imprensa (jornal), Cartão e Outros (que incluem os Sanitários).
De janeiro a junho deste ano, a produção total de papéis no Brasil somou 5,74 milhões de toneladas, uma variação positiva de 2,4% sobre o mesmo período do ano passado (5,61 milhões de toneladas). O desempenho reflete o aumento na produção dos segmentos de Embalagens (3,7%), Imprensa (28%), Cartão (8,1%) e Outros (3,1%), e também a redução de 4,9% na produção dos papéis para impressão e escrita.


Nos primeiros seis meses deste ano, os fabricantes nacionais de papéis de Imprimir e Escrever produziram 999 mil toneladas, 52 mil toneladas a menos do que em 2025, que foi de 1,05 milhão de toneladas até junho. Na venda doméstica, o segmento de I&E também foi o único com resultado negativo no comparativo.
Conforme o Boletim, em 2026, foram vendidas ao mercado interno 526 mil toneladas, o que corresponde a uma queda de 9,8% sobre as 583 mil toneladas do primeiro semestre do ano passado. Nesse caso, o desempenho de I&E impactou a venda total de papéis do semestre, que ficou 0,3% menor no comparativo, mas ainda na faixa de 2,63 milhões de toneladas.
Da produção total de papéis no Brasil, neste ano, 1,28 milhão de toneladas foram para exportação, que ficou 0,5% acima de igual período de 2025.
Os papéis para impressão e escrita responderam por 399 mil toneladas da exportação em 2026, volume 7,6% abaixo das 432 mil toneladas de 2025.
Na avaliação das importações, o estudo estatístico apresenta os dados por categoria. Entre os importados, apenas Imprensa teve redução no semestre analisado – de 12 mil toneladas em 2025 para 4 mil toneladas neste ano.
Dessa forma, é possível verificar que, das 436 mil toneladas de papéis estrangeiros recebidas entre janeiro e junho deste ano, 177 mil toneladas foram classificadas como Outros; 124 mil toneladas como papéis de Imprimir e Escrever; 86 mil toneladas como Cartão; e 45 mil toneladas como papéis para Embalagens.
Importação de papéis segue em alta
As entradas de papéis estrangeiros no Brasil continuaram aquecidas entre janeiro e julho deste ano em comparação com igual período de 2025. Por meio dos números do sistema para consultas e extração de dados do comércio exterior brasileiro do Siscomex, é possível verificar o comportamento das importações gerais e de cada classificação de produtos.
Individualmente, o desempenho oscila, com altas e quedas mais ou menos acentuadas, conforme o segmento de mercado do produto. No total, nos sete meses de 2026, foram importadas 518,6 mil toneladas de papéis para diversos fins, 31% a mais do que as 395,7 mil toneladas apuradas nos mesmos meses de 2025.
Os números gerais englobam todo o Capítulo 48 do Sistema Harmonizado (SH) da classificação de mercadorias, que corresponde aos produtos de papel e cartão para todos os fins, divididos em mais de 260 códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Nos últimos três anos, foram registradas importações em mais de 170 classificações do Capítulo 48. Cerca de 110 delas registraram algum percentual de aumento nas importações de 2026 frente a 2025. Nas outras 60, os volumes importados foram menores no comparativo dos dois períodos.
Dentro da variedade de produtos ofertados pelos distribuidores, a ANDIPA acompanha a movimentação daqueles cujas importações têm maior relevância para o abastecimento do mercado gráfico e editorial. São 14 NCMs classificadas em seis subgrupos: cuchê, cut size, jornal, MWC (Outro revestido), cartão e ofsete.
Entre os itens monitorados, o único subgrupo com queda nas importações no período comparado foi o jornal. De janeiro a julho deste ano, a importação de jornal somou 5,4 mil toneladas, menos da metade das 13 mil toneladas recebidas no mesmo período de 2025.
Os tipos “Outro – revestido papéis e cartões” (4810.29.90) e cartão (4810.92.90) tiveram os maiores volumes importados, enquanto as classificações de ofsete e cut size registraram aumentos mais expressivos. Conforme o Comex Stat, de janeiro a julho foram internalizadas 79 mil toneladas na NCM 4810.29.90 e 48,4 mil toneladas na NCM 4810.92.90.
O item ofsete é composto por três NCMs (4802.55.92, 4802.55.99 e 4802.57.99), que juntas somaram 42,4 mil toneladas importadas neste ano, contra 13,9 mil toneladas no mesmo período de 2025. As NCMs 4802.55.92 e 4802.57.99 tiveram aumento acima de 100% nos desembarques de ofsete importado, enquanto o código 4802.55.99 passou de 9,4 mil toneladas nos sete meses de 2025 para 31,7 mil toneladas no comparativo deste ano.
O cut size, que é alvo de pedido de aumento do Imposto de Importação, registrou a entrada de 11,8 mil toneladas entre janeiro e julho de 2026, frente a 3,8 mil toneladas nos mesmos meses de 2025.
No item cuchê estão as classificações 4810.13.89, 4810.13.99, 4810.19.89 e 4810.19.99. Foram registradas 33,6 mil toneladas de cuchê importado em 2026, 23,5% a mais do que as 27,2 mil toneladas internalizadas entre janeiro e julho de 2025.




