PEFC e Ibá discutem setor florestal diante do crescimento da demanda por materiais renováveis

Encontro em São Paulo debateu certificação florestal, rastreabilidade e ciência como ferramentas para as cadeias de celulose, papel, embalagens e painéis

O crescimento da demanda por materiais de origem florestal amplia a necessidade de informações confiáveis sobre a origem e o manejo das árvores cultivadas utilizadas como matéria-prima. Nesse contexto, o PEFC Internacional, o PEFC Brasil e a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) se reuniram na terça-feira (29), em São Paulo, para discutir como o manejo florestal verificado de forma independente e a rastreabilidade da cadeia de suprimentos podem contribuir para as cadeias de valor de celulose, papel, embalagens e painéis.

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O encontro foi realizado no escritório da Ibá e marcou a primeira vez que a entidade recebeu os membros do conselho do PEFC Internacional. A reunião promoveu um diálogo estratégico sobre os principais temas que vêm moldando o futuro do sistema PEFC e suas implicações para o setor brasileiro de árvores cultivadas.

Entre os assuntos discutidos estiveram a Revisão do Sistema PEFC e uma proposta de projeto para ampliar a compreensão sobre o papel das biotecnologias no manejo florestal sustentável. A Ibá e as empresas associadas presentes acolheram a decisão do PEFC de abrir um diálogo sobre essa agenda, considerada de grande relevância para o setor.

A demanda por materiais de origem florestal cresce com os esforços para reduzir a dependência de recursos de origem fóssil e atender às expectativas de clientes, reguladores e investidores. A origem renovável, entretanto, não garante, por si só, que as matérias-primas tenham sido obtidas de forma sustentável. Nesse cenário, informações confiáveis sobre manejo e rastreabilidade são essenciais para que as empresas compreendam a origem das árvores utilizadas na produção desses materiais.

Conexão entre manejo florestal e mercados globais

O PEFC é uma aliança global de sistemas nacionais e regionais de certificação florestal. Os sistemas são desenvolvidos por meio de processos que envolvem diferentes partes interessadas, de forma que os requisitos de certificação considerem as condições ecológicas, sociais e econômicas de cada país.

Para obter o reconhecimento do PEFC, os sistemas passam por avaliação independente em relação aos parâmetros internacionais de sustentabilidade da organização.

A abordagem conecta as condições locais aos mercados globais e é especialmente relevante para um setor integrado ao comércio internacional. Dessa forma, os requisitos de manejo florestal podem ser fundamentados nas realidades nacionais, enquanto clientes de outros mercados têm acesso a uma estrutura consistente e reconhecida para a origem responsável de matérias-primas.

O PEFC Brasil estabelece essa conexão entre o país e o sistema internacional e apoia empresas e gestores florestais na aplicação dos requisitos ao contexto brasileiro.

“À medida que as empresas ampliam o uso de materiais renováveis de origem florestal, elas precisam de informações confiáveis sobre como esses materiais são obtidos. A certificação oferece às empresas uma forma prática de conectar suas decisões de aquisição a um manejo florestal verificado de forma independente e à rastreabilidade da cadeia de suprimentos”, afirma Eduardo Rojas Briales, presidente da PEFC Internacional.

Certificação e rastreabilidade nas cadeias de celulose, papel e embalagens

Nas cadeias de suprimentos em que a fibra passa por diferentes etapas de processamento e comercialização, o desafio envolve não apenas garantir uma origem responsável, mas também assegurar informações confiáveis durante a transformação da madeira em celulose, papel, cartão e embalagens acabadas.

Para os produtores brasileiros, a origem responsável envolve manejo florestal responsável, requisitos claros de aquisição, informações válidas dos fornecedores, rastreabilidade efetiva e alegações precisas. Para marcas e varejistas, significa especificar adequadamente o material certificado, verificar as evidências fornecidas e comunicar apenas aquilo que essas evidências comprovam.

Segundo o Relatório Anual 2026 da Ibá, a área certificada pelo PEFC no Brasil passou de 0,8 milhão para 1,8 milhão de hectares em 2025. A evolução reflete o compromisso de longa data do setor de árvores cultivadas com a sustentabilidade e a crescente relevância de sistemas de certificação confiáveis na economia global de base florestal.

“O setor brasileiro de árvores cultivadas foi pioneiro ao buscar de forma voluntária, há mais de duas décadas, rigorosas certificações internacionais. Desde então, esses selos têm fornecido evidências do compromisso das empresas com o manejo florestal responsável, a gestão ambiental, boas práticas sociais e a rastreabilidade. As certificações também se tornaram cada vez mais importantes para que as empresas brasileiras tenham acesso a mercados internacionais exigentes e participem de cadeias globais de valor”, afirma o embaixador José Carlos da Fonseca Jr., diretor de Relações Internacionais da Ibá.

Certificação transforma compromissos em evidências

A certificação florestal e a Cadeia de Custódia oferecem ferramentas para transformar compromissos com a origem responsável em informações verificáveis sobre a procedência dos produtos. Os mecanismos podem auxiliar as empresas a estabelecer requisitos de aquisição, manter a rastreabilidade e comunicar informações respaldadas por uma certificação independente.

O encontro entre PEFC Internacional, PEFC Brasil e Ibá também permitiu ampliar a compreensão sobre essas ferramentas e identificar como novos diálogos podem apoiar as empresas ao longo da cadeia de valor brasileira.

Proprietários e gestores florestais interessados em certificação, empresas que avaliam a adoção da Cadeia de Custódia PEFC e marcas ou varejistas que buscam fortalecer seus requisitos de origem responsável podem entrar em contato com o PEFC Brasil para obter orientações sobre os próximos passos.

Fonte: Ibá

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