Klabin prioriza melhoramento genético tradicional frente ao eucalipto transgênico

Companhia considera que os métodos convencionais oferecem ganhos de produtividade mais rápidos e eficientes para suas florestas, mas não se opõe ao debate sobre biotecnologia

A Klabin mantém sua estratégia de melhoramento genético tradicional de eucalipto e pinus e não prevê, por enquanto, o plantio comercial de árvores geneticamente modificadas ou editadas. Em entrevista ao Valor Econômico, a companhia destacou que os métodos convencionais continuam proporcionando ganhos de produtividade mais rápidos e eficientes para as condições de suas operações florestais.

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“Não plantamos e não temos intenção de plantar [eucalipto transgênico], porque temos uma estratégia muito robusta, que dá resultados rápidos voltados para o melhoramento genético tradicional”, afirmou Darlon Orlamunder, diretor de Pesquisa, Desenvolvimento, Sustentabilidade, Estratégia e Mercado da Klabin, em entrevista ao veículo. “Agora, o futuro é dinâmico, não estou dizendo que nunca vamos fazer também. Não é essa a nossa postura.”

A posição da empresa ocorre em meio à retomada das discussões sobre o plantio comercial de eucalipto transgênico no setor de celulose. Embora a prática não seja proibida no Brasil, certificadoras florestais não concedem selos de sustentabilidade a produtores que adotam essa tecnologia, o que pode restringir o acesso a mercados que exigem essas certificações.

A Klabin não se opõe à discussão sobre a revisão das regras relacionadas ao tema, mas afirma que a adoção da tecnologia não faz parte de sua estratégia atual. “Vemos a edição e a transgenia como uma ferramenta existente e nossa postura é ter o debate. Não nos opomos, mas não é a nossa estratégia”, disse Orlamunder. Segundo o executivo, qualquer mudança dependerá de consenso no setor. “Não adianta o setor produtivo enxergar um benefício econômico se não tiver benefício ambiental e social visível.”

A posição difere da estratégia de outras empresas do setor, como Suzano e Arauco, que desenvolvem pesquisas relacionadas à edição e à modificação genética de árvores.

Melhoramento tradicional sustenta ganhos de produtividade

A Klabin iniciou a formação de seus pomares de pinus e eucalipto na década de 1960, com sementes provenientes dos Estados Unidos, da Austrália e da Indonésia. Desde então, construiu um acervo de base genética florestal que sustenta seus programas de melhoramento.

O trabalho envolve cruzamentos entre espécies e hibridização, técnica que permite selecionar árvores com características desejadas, como maior produtividade ou resistência, e reproduzi-las por clonagem em escala comercial.

De acordo com Orlamunder, as condições climáticas e a qualidade do solo da região Sul favorecem o desenvolvimento dessas técnicas. O executivo avalia que, com o material genético já desenvolvido pela companhia e as tecnologias convencionais disponíveis, a curva de aumento de produtividade é superior à que seria obtida com a incorporação de biotecnologias de edição ou modificação genética.

A estratégia busca elevar o volume de madeira produzido e equilibrar a velocidade de crescimento das árvores com a densidade da madeira. Para isso, a companhia combina espécies de crescimento rápido com outras que apresentam maior densidade de fibra.

Klabin amplia investimentos em pesquisa genética

Neste ano, a Klabin obteve aprovação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para um financiamento de R$ 122,55 milhões destinado a projetos de pesquisa e desenvolvimento. Desse total, R$ 41,1 milhões serão direcionados ao melhoramento genético de eucalipto e pinus e à melhoria da qualidade da madeira.

“Praticamente dobramos nosso investimento em melhoramento genético, porque mantemos esse programa na nossa região para buscar maximizar produtividade, densidade da madeira e rendimento de celulose”, afirmou o executivo.

A companhia também mantém florestas experimentais em regiões com menor volume de chuvas e temperaturas mais elevadas, onde testa espécies mais adaptadas às condições de aridez. A iniciativa busca avaliar materiais genéticos que possam contribuir para a adaptação das florestas aos efeitos do estresse climático.

Embora não utilize árvores geneticamente modificadas ou editadas, a Klabin já aplica ferramentas de biotecnologia em seus programas de pesquisa. Entre elas estão o mapeamento genético e o uso de marcadores moleculares, que permitem analisar o DNA de mudas entre 30 e 90 dias de idade e identificar antecipadamente características desejadas antes do plantio em campo.

Fonte: Valor Econômico

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