Água para o Futuro: Desafios e compromissos industriais na gestão hídrica

Ao implementar medidas inovadoras e progressivas, a Veracel reduziu seu uso de água em 20% nos últimos sete anos e projeta reduzir mais 10% até 2028.

À medida que exploramos as complexidades da gestão hídrica em nosso planeta, torna-se evidente que a abundância aparente de água não reflete sua disponibilidade para consumo. Segundo dados da ONG WWF (World Wild Fund for Nature), 99,7% da água do planeta não é adequada para o nosso uso. Dessa forma, a responsabilidade pela administração sustentável desse recurso é colossal, especialmente quando consideramos operações industriais em larga escala.

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O Brasil, com sua vasta extensão territorial, detém uma parcela considerável da disponibilidade mundial de água doce (12%), mas enfrenta desafios significativos para a distribuição desse recurso. A região Nordeste, em particular, a sofre com problemas de escassez, questão que destaca a importância não apenas da quantidade, mas também da equidade na distribuição. Em meio a esse cenário desafiador, o mau uso global da água se soma à escassez, tornando a gestão do recurso uma das principais questões geopolíticas do século XXI.

É aqui que as ações de empresas como a Veracel, localizada justamente no Nordeste brasileiro, ganham destaque. Ao implementar medidas inovadoras e progressivas, a empresa reduziu seu uso de água em 20% nos últimos sete anos e projeta reduzir mais 10% até 2028. Para quem vê de fora parece pouco, mas isso significa que, com inovações e melhorias relativamente simples nos processos da fábrica, a companhia deixou de usar, por ano, mais de 6 bilhões de litros de água do Rio Jequitinhonha, nos últimos sete anos. E essa medida posicionou a empresa como uma das melhores do mundo em seu setor quanto à economia do recurso em sua produção.

Investimentos em novas tubulações e válvulas, o aumento do reuso da água em alguns processos, a automação do controle de nível de tanques, ferramentas de gestão online e alarmes nos painéis de controle foram alguns dos recursos implementados para se chegar a esses números. Foram investimentos relativamente baixos, para ganhos financeiros altos e resultados ambientais inestimáveis. O resultado disso, além de consciência e da responsabilidade com o meio ambiente, converte-se em competividade com eficiência e redução de custos para a fábrica.

Para indústrias que já alcançaram avanços notáveis na redução do uso de água, e neste grupo podemos incluir grande parte do setor produtivo de papel e celulose, o desafio reside em manter o ritmo das ações e investir consistentemente nesse caminho de responsabilidade ambiental. Em um mundo onde a escassez de água é uma realidade crescente, é imperativo que empresas e organizações assumam seu papel na gestão responsável desse recurso essencial.

Outro caminho importante é o de controle da qualidade da água tratada após seu uso. Não basta apenas reduzir a quantidade necessária, é fundamental que o recurso volte para o meio ambiente com a mesma qualidade de quando foi captado. Outro exemplo da Veracel é a prática de realizar a devolução da água ao rio 800 metros antes do ponto de captação, atestando que a empresa garante a qualidade do recurso devolvido, ou ainda o trabalho de mais de 15 anos da área florestal da empresa em monitorar a qualidade de microbacias em sua região de operação.

O compromisso com a água não é apenas um dever ético, mas uma garantia de sobrevivência para a
produção industrial e de prosperidade para as gerações futuras

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Ari da Silva Medeiros
Ari da Silva Medeiros é Diretor de Operações Industriais na Veracel. Formado em Engenharia Química pela PUC/RS, ainda possui pós-graduações em Gestão Ambiental na Suécia e em Administração de Empresas na USP, além de MBAs em Administração Avançada e Gestão Financeira. Possui certificações em Gestão Avançada pelo IMD Business School e especializações em Inovação para Transformação em Nova York, além de ser graduado como Conselheiro de Administração pelo IBGC/SP.

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