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Novo diretor do FSC® Brasil e o seu papel como facilitador das ações globais

Elson Fernandes de Lima falou ao Newspulpaper sobre sua atuação em prol do compartilhamento de benefícios relacionados às atividades florestais

Em março último, Elson Fernandes de Lima assumiu o cargo de diretor executivo do FSC® Brasil. Graduado em Ecologia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e mestre em Ecologia Aplicada pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), ele soma mais de 15 anos de experiência no setor florestal, tendo atuado em sustentabilidade, ecologia, conservação da biodiversidade e sistemas de informações geográficas.

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Entre as principais competências de Lima, estão liderança de equipe, gestão de recursos e projetos, e prospecção de novos clientes e relações institucionais. Grande conhecedor do sistema FSC, o diretor executivo revela, na entrevista concedida ao portal Newspulpaper, como as iniciativas encabeçadas pelo FSC® contribuem com o desenvolvimento sustentável. O diretor executivo do FSC® Brasil ainda amplia a contextualização ao potencial das árvores cultivadas no fortalecimento da bioeconomia e posiciona a indústria de celulose e papel neste contexto.

Newspulpaper — Como foi o início da sua carreira, quais foram as principais passagens e como ocorreu o ingresso no setor de base florestal renovável?

Elson Fernandes de Lima, diretor executivo do FSC® Brasil Sou graduado pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), onde fiz Ecologia no campus de Rio Claro-SP, que tem sua vocação muito voltada às questões ambientais de forma geral, e onde há também muitos docentes atuantes na pesquisa com zoologia, ecologia e biologia. Além desse contexto favorável, sempre gostei muito do contato com a natureza, os meios produtivos e a vida no campo. Eu diria que isso se relaciona com minha história de vida, porque meus pais foram trabalhadores rurais e, por isso, sempre tive muito contato com a terra. Após minha graduação, desenvolvi minha carreira em uma empresa de consultoria ambiental, a Casa da Floresta, onde atuei por 15 anos, tendo iniciado como pesquisador em Mamíferos, depois coordenador técnico e, finalmente, gerente de projetos. Desde que entrei para o corpo técnico, a empresa atuou intensamente no setor florestal e, assim, muitos dos projetos em que atuei eram em parceria com detentores de certificados, tanto de florestas plantadas quanto florestas nativas, com a finalidade de atender aos indicadores de certificação florestal.

Newspulpaper — Como recebeu o convite para ocupar o cargo de diretor executivo do FSC® Brasil?
Lima — O sentimento de poder atuar pelo FSC® Brasil é de muito orgulho e felicidade, pois desde que conheci os sistemas de certificação passei a acreditar que essa é uma forma de garantir que os aspectos sociais e ambientais estejam alinhados às práticas econômicas e sempre com uma visão de longo prazo — há garantias reais de uma sustentabilidade econômica, social e ambiental também no futuro. E o mais importante, por ser uma alternativa no momento da compra, consumidores e empresas podem selecionar produtos que tragam consigo essa garantia. Além disso, o FSC® é a grande referência dentre tantas certificações existentes nos setores agrícola e florestal, tanto pelo seu pioneirismo quanto pelas alternativas e caráter inovador, possibilitando uma série de avanços produtivos, mas com respeito à biodiversidade, ao ambiente e às pessoas. Sob um outro olhar, me enxergar como diretor executivo desta organização no Brasil me traz muita responsabilidade. Não só pela história do FSC®, que em 2024 completa 30 anos, mas por toda a entrega que fazemos em cada produto que recebe o nosso logotipo. Isso porque precisamos garantir que todos os atores envolvidos estejam cumprindo seu papel para que, de fato, nossa certificação represente o que ela se propõe: proporcionar florestas para todos, para sempre.

Newspulpaper — Como você avalia a trajetória do FSC® Brasil?
Lima — Quando o FSC® foi fundado, no México, em 1994, o Brasil já desempenhava um certo protagonismo frente às questões ambientais no mundo. Naquele momento, a ECO-92 havia acabado de ser realizada e a velocidade das informações não era tão rápida como hoje. Assim, a fundação do FSC® era uma das respostas da sociedade, que clamava para que os países participantes fizessem mudanças na forma que usávamos — e ainda usamos — os recursos naturais. Foi um momento de grandes mudanças globais, incluindo o Brasil, tanto sob aspectos políticos quanto econômicos. Nesse contexto, seria essencial que o FSC® tivesse também uma representação local, ainda mais que dentre os membros fundadores do FSC® havia muitos brasileiros. No entanto, o escritório nacional no Brasil só foi formalmente estabelecido em 2002. De lá para cá, foram muitos avanços. Atualmente, nossa equipe conta com 10 profissionais, que todos os dias têm a responsabilidade de representar esse sistema em território nacional, focando sempre em auxiliar o setor econômico a fazer uso racional dos diferentes recursos provenientes da floresta, madeireiros ou não madeireiros, em florestas plantadas ou nativas. E essa tarefa fazemos sempre alinhados às expectativas do FSC® Internacional, assim como os escritórios nacionais presentes em outros locais. É importante dizer que o FSC® Brasil, além de ser um parceiro nacional do FSC®, possui uma atuação alinhada com nossos próprios membros, que são divididos nas câmaras ambiental, econômica e social. Ou seja, nossa atuação também reflete a forma de atuação dos membros internacionais, agrupados de acordo com sua atuação.

Newspulpaper — De que forma as atuais frentes de trabalho encabeçadas pelo FSC® Brasil contribuem com o desenvolvimento sustentável? 
Lima — Hoje, nossa atuação reflete as estratégias do FSC® Internacional, que estão alinhadas com as prioridades escolhidas pelos nossos membros para os próximos anos. Dentre os nossos objetivos, temos como meta aumentar a área certificada em florestas tropicais, estarmos alinhados ao atendimento da regulamentação europeia sobre desmatamento (EUDR) e fomentar a certificação de Serviços Ecossistêmicos. Em 2018, o FSC® criou o Procedimentos de Serviços Ecossistêmicos, hoje conhecidos como Impacto Verificado. A ideia dessa ferramenta é mostrar o verdadeiro valor das florestas aos mercados, fornecendo aos proprietários de florestas certificadas mecanismos para medir, verificar e comunicar seus impactos positivos no armazenamento de carbono, na proteção à biodiversidade, na conservação dos recursos hídricos e do solo e nos serviços recreacionais. O interessante é que ao se verificar um impacto positivo gerado para questões como biodiversidade, conservação da água ou mesmo aspectos culturais, um patrocinador pode se interessar em distribuir recursos ao manejador florestal. Aqui no Brasil, já são 20 Impactos Verificados, de dez empresas, sendo oito delas do setor de papel e celulose. Por meio das nossas ações, acreditamos que o manejo florestal responsável tem grande importância não apenas para o meio ambiente, mas também para a economia e para a própria sociedade. Assim, o investimento em pesquisa e inovação no setor florestal ajuda a maximizar os benefícios, como a qualidade dos serviços ecossistêmicos, a geração de renda e emprego e o estímulo a conservação das florestas em pé através de seu uso responsável.

Newspulpaper — Ao assumir o cargo de diretor executivo, como almeja contribuir com uma atuação ainda mais competitiva e benéfica nos âmbitos ESG?
Lima — Como diretor executivo pretendo atuar no Brasil como facilitador das ações globais estabelecidas pelo FSC® Internacional, que, por princípio, visa ao compartilhamento de benefícios relacionados às atividades florestais. Além disso, o FSC® é uma plataforma de atendimento ao ESG, uma vez que sempre foi baseado numa governança igualitária e equitativa entre o setor econômico, ou seja, basicamente as empresas, e os aspectos sociais e ambientais. Em suma, uma empresa certificada FSC® já atende a grande parte dos requisitos não normativos estabelecidos pela prática ESG, mas com a vantagem de ser baseada num sistema certificado e com acreditação independente de seu cumprimento.

Newspulpaper — Esse papel relevante do FSC® Brasil tende a se intensificar nos próximos anos, considerando o potencial das árvores cultivadas no fortalecimento da bioeconomia?
Lima — Sem dúvida. Isso porque tanto as nossas metas globais e locais, de aumentar a área certificada em florestas tropicais, quanto as metas do governo vão nesse sentido, ou seja, de aumentar o uso de recursos florestais por meio do manejo florestal sustentável na Amazônia. Um dos nossos principais papéis é justamente desmistificar que o uso de madeira é, por si, um mal à floresta. Pelo contrário, temos convicção de que é viável usar os recursos naturais gerando impactos positivos, promovendo a conservação da fauna e da flora, aumentando a proteção das florestas de todo o mundo e distribuindo benefícios aos atores locais, como as comunidades tradicionais e indígenas. Inclusive é crescente a variedade de produtos de base florestal que utilizamos no nosso dia a dia em diferentes aspectos e que vão além da madeira – como as cadeias produtivas do açaí, castanha, pinhão, borracha, mel, frutos, óleos essenciais para cosméticos, extratos vegetais, princípios ativos para medicamentos, entre tantos outros. Além disso, buscamos desenvolver ferramentas que facilitem e aumentem as salvaguardas às florestas nativas por meio de soluções baseadas na natureza. Por exemplo, em breve, teremos o lançamento de um toolbox, um conjunto de recursos para facilitar a certificação de projetos de restauração. Essa inovação busca agregar valor às empresas que têm investido em projetos de sequestro de carbono atmosférico para geração de créditos e sua futura comercialização.

Newspulpaper — Como a indústria de celulose e papel posiciona-se neste cenário?
Lima — Atualmente, no território nacional, contamos com quase 9,5 milhões de hectares de área certificada FSC®. Desse total, 26% (ou 2,5 milhões de ha) são florestas nativas e o restante, ou seja, quase 7 milhões (ou 74%), são plantações florestais, principalmente de eucalipto, mas que conta também com outras espécies como pínus e teca. Em alguns setores, a certificação já é um requisito mínimo para muitas indústrias, especialmente que atuam com exportações. Em 2022, segundo dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), a área plantada certificada aumentou aproximadamente 29% em relação a 2021. Grande parte dessa produção visa atender às empresas de celulose e papel, oferecendo produtos renováveis, na sua maioria recicláveis, e que estão no dia a dia de todos. Além disso, podemos citar outros produtos do nosso dia a dia que têm parte de sua matéria-prima originada na floresta, como tecidos, cápsulas de remédio, fraldas e absorventes, máscaras e roupas cirúrgicas. E essas indústrias ainda produzem energia, por exemplo, por meio da biomassa. Com investimentos pesados em tecnologia e inovação, o setor tem tornado os processos cada vez mais sustentáveis e desenvolvido novos usos a partir da madeira. Hoje, inclusive, já temos subprodutos da madeira, como o licor preto e a lignina kraft de pínus, certificados pelo FSC®. Esses compostos químicos são gerados no processo produtivo da celulose e são capazes de produzir bioenergia e substituir o uso de matérias-primas de origem fóssil nos mais variados segmentos de mercado, como resinas, cosméticos e até fibra de carbono. Aqui no Brasil, além do plantio em mosaico, que intercala áreas de conservação e de produção em nível de paisagem, o modelo Integração Lavoura Pecuária-Floresta (ILPF) chama atenção por intercalar culturas agrícolas, pastagens e áreas florestais, contribuindo para a melhoria do solo, aumento da produtividade, diversificação da renda dos produtores rurais, otimização da utilização dos recursos disponíveis e fixação de carbono, mitigando os impactos das mudanças climáticas. Isso mostra o quanto já evoluímos na adoção de boas práticas nesse setor específico.

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