As últimas novidades e notícias da indústria de celulose e papel. Artigos técnicos, tendências, tecnologia, inovação, ESG, cursos e mais.

Arauco avança com o Projeto Sucuriú: novas estratégias logísticas em foco

Construção da fábrica de celulose progride em MS, com planos logísticos e estratégias para operação no Porto de Santos

A Arauco avançou mais uma etapa do Projeto Sucuriú, que envolve a construção de sua fábrica de celulose em Mato Grosso do Sul, no município de Inocência. Com a obtenção da Licença de Instalação em maio deste ano, novas decisões determinarão os próximos passos da multinacional de origem chilena no Brasil, especialmente quanto aos investimentos para escoamento da produção.

Notícia continua após o anúncio

Enquanto a companhia segue para o projeto físico, com a engenharia básica, que ficará pronta em agosto para apresentação do investimento ao Conselho em outubro, obtendo a aprovação para comprar os equipamentos principais em novembro, na entrevista a seguir, Carlos Altimiras, presidente da Arauco no Brasil, contou ao newspulpaper.com que a companhia estuda três alternativas na sua operação logística no Porto de Santos, incluindo a possível construção de um terminal de embarque próprio. “Teremos uma visão mais clara a partir da segunda metade do ano”, afirmou Altimiras.

Para suportar as decisões de sua operação, a empresa buscará ainda as devidas licenças para construir um ramal ferroviário de 47 km de Inocência até a Ferronorte (Malha Norte), permitindo a conexão com a ponte rodoferroviária e a Malha Paulista, e, assim, ligando-se ao Porto de Santos. Nesse período, o Governo de Mato Grosso do Sul realizará a construção de um acesso rodoviário à fábrica pela MS-377, além da instalação de terceira faixa em pontos estratégicos da mesma rodovia e a pavimentação de 38 quilômetros da MS-316, entre Inocência e Paraíso das Águas, bem como a implantação de um aeroporto na cidade, previstas no Plano Estratégico de Organização Territorial (PEOT) do município.

O investimento industrial previsto para o projeto é de R$ 15 bilhões, com capacidade para produzir 2,5 milhões de toneladas de celulose branqueada ao ano. Com a emissão da Licença de Operação, prevista para 2028, a Arauco poderá dar início à produção de celulose no Brasil. É importante mencionar que o planejamento do grupo chileno é ainda maior, uma vez que as licenças obtidas compreendem um total de 5 milhões de toneladas por ano, alcançando um investimento de R$ 28 bilhões e uma segunda linha que poderá entrar em operação a partir de 2032.

Para Altimiras, a presença da Arauco no Brasil é fundamental para a empresa conquistar ainda mais representatividade no mercado a custos competitivos, sendo o Projeto Sucuriú uma oportunidade única para a diversificação do seu portfólio, especialmente pela geração de valor a partir dos diferenciais florestais encontrados em território nacional.

Entrevista com Carlos Altimiras, presidente da Arauco no Brasil:


Newspulpaper – A Arauco recebeu a Licença de Instalação recentemente. Qual o status atual do Projeto Sucuriú, nas diferentes frentes, e quais são os próximos passos?

Carlos Altimiras, presidente da Arauco no Brasil – O projeto está caminhando bem e de acordo com o planejamento. O último marco importante foi a obtenção da Licença de Instalação e, com isso, nossa intenção é começar a terraplanagem durante o mês de julho. Esse processo levará mais ou menos um ano, envolvendo obras subterrâneas e pavimentação. Estamos trabalhando na engenharia básica, que ficará pronta em agosto. Com isso, nossa intenção é apresentar o investimento ao Conselho em outubro e ter a aprovação para comprar os equipamentos principais em novembro.

Outra frente de trabalho muito importante é a operação florestal. Hoje temos quase 90 mil hectares de eucaliptos plantados e nossa intenção é fechar o ano com 130 mil hectares plantados. Isso está em andamento. Em Mato Grosso do Sul, temos cerca de mil pessoas trabalhando na silvicultura.

Em paralelo, estudamos três alternativas logísticas para o Porto de Santos. Nossa intenção é, após obter a aprovação do Conselho, escolher a melhor opção para atuar no Terminal Portuário. Posso dizer que temos três alternativas competitivas e teremos uma visão mais clara a partir da segunda metade do ano. Tanto podemos negociar com algum operador legítimo, quanto existe a possibilidade de adquirir ou alugar alguma concessão já existente.

Npp – Como a Arauco está trabalhando junto às comunidades para absorção das pessoas da região nas operações da fábrica?

Altimiras – Nossa atuação junto às comunidades envolve o lançamento de um plano diretor para a região. É nosso objetivo que o município de Inocência cresça de maneira harmônica, a fim de estar preparado para receber mais pessoas no futuro. Estamos trabalhando com as comunidades e fizemos uma parceria com o SENAI para capacitar essas pessoas, gerando oportunidades de trabalho em nossa empresa. (Trata-se do Sistema S, um braço de apoio da indústria, comércio e serviço, que atua na preparação de pessoas para o mercado de trabalho, no estímulo ao empreendedorismo local e no bem-estar social dos agentes envolvidos). Também estamos desenvolvendo parcerias para apoiar empresas de fornecedores e promovendo encontros na região para entender as necessidades das comunidades e como ajudar a desenvolver as cidades no entorno.

Quando for concluída a obra de construção da fábrica, estima-se que o Projeto possa empregar um contingente permanente de 2.350 profissionais, dos quais 550 na planta industrial, entre diretos e indiretos, e mais 1.800 pessoas para atuar na área florestal, contribuindo para o desenvolvimento do município de Inocência.

Npp – Após tantos anos trabalhando na Arauco e no lançamento de novas plantas, quais têm sido os principais aprendizados com esse novo projeto?

Altimiras – Tenho quase 22 anos de trabalho na Arauco e vejo que um dos nossos principais aprendizados é a importância de trabalhar em conjunto com os stakeholders, as autoridades e a comunidade. É essencial desenvolver as capacidades da cidade onde teremos as operações. Por isso, a Arauco está muito envolvida com o governo de Mato Grosso do Sul e o município de Inocência, visando desenvolver a infraestrutura da região. Isso inclui a construção de casas e investimentos nas áreas de saúde e educação, além de um programa de para capacitação das pessoas.

O planejamento dos projetos é importante nesse aspecto. Fechamos o acordo com o governo de Mato Grosso do Sul em junho de 2022 e, desde então, temos trabalhado intensamente com uma visão de médio e longo prazo.

Npp – O Projeto Sucuriú ficará pronto em 2028. Em sua opinião, esse prazo está adequado aos projetos mais recentes do mercado?

Altimiras – Temos certas restrições ligadas à disponibilidade de matéria-prima. Quando fizemos o planejamento consideramos isso e, por esse motivo, o prazo foi definido para 2028. Aproveitando esse prazo, conseguimos estruturar um projeto para ser executado com excelência no médio e longo prazo. Esse é um dos aprendizados baseados em nossos projetos e nos concorrentes.

Npp – Com relação à expansão florestal da Arauco para o Projeto Sucuriú, a empresa sofreu algum impacto pelo aumento de preços e disponibilidade de madeira?

Altimiras – Nossa fábrica de celulose precisa de uma área total aproximada de 300 mil hectares. Quando começamos em 2022, a Arauco já tinha cerca de 40 mil hectares. Hoje, temos praticamente 65% dessas áreas garantidas, totalizando cerca de 210 mil hectares contratados. 85 mil hectares estão ocupados com eucaliptos, todos por meio de parcerias rurais ou usufruto. Até o final do ano, estaremos perto dos 130 mil hectares. Nosso plano é alcançar o número total até o final de 2027.

Pelas leis brasileiras, uma companhia estrangeira deve fazer parcerias com donos de plantios, pois há restrições para comprar e arrendar terras no Brasil. Em relação à disponibilidade de madeira, essa sempre foi reduzida. Por isso, em um projeto industrial, é importante garantir o fornecimento de madeira em uma porcentagem significativa com plantios próprios. É isso que estamos fazendo para garantir 100% do fornecimento. Não vejo muita disponibilidade no futuro no mercado e por esse motivo planejamos nossa entrada em 2028.

Npp – A Arauco tem uma grande participação no mercado de painéis de madeira. Qual é a expectativa desse mercado e como o Projeto Sucuriú contribuirá para a diversificação do portfólio da companhia?

Altimiras – O Brasil tem uma importância gigantesca no mercado florestal mundial. Não só pela quantidade exportada de celulose, mas também de produtos derivados da madeira. É um país muito competitivo. Para nós, da Arauco, que somos a segunda maior empresa de painéis e de celulose de mercado do mundo, o Brasil é muito importante para nossa estratégia de médio e longo prazo e a diversificação é um ponto crucial.

Temos uma produção de 10 milhões de metros cúbicos de painéis de madeira atualmente, e uma das fortalezas da Arauco é conseguir fornecer para várias regiões desde o Brasil, Chile, Argentina, México e Estados Unidos. Conseguimos fornecer nossos produtos de origens distintas a destinos distintos. Hoje temos celulose no Uruguai, no Chile, e em breve no Brasil, o que fortalece nossa estratégia e nossa empresa.

Npp – O mercado de celulose está em constante expansão. O Projeto Sucuriú já prevê a possibilidade de dobrar sua capacidade. Qual seria a previsão de expansão para essa segunda linha para se manter competitivo?

Altimiras – Quando montamos o projeto e buscamos as licenças, previmos essa oportunidade, mas estamos focados agora em lançar a primeira linha. Sobre nossa competitividade, dois fatores são importantes: o tempo de crescimento das árvores e o tamanho da fábrica. No Brasil, o eucalipto leva sete anos para crescer, enquanto no Chile leva de 12 a 14 anos, o que melhora muito nossa competitividade. Além disso, uma fábrica de 2,5 milhões de toneladas reduz consideravelmente os custos fixos.

Outros pontos que tornam esta fábrica competitiva são a localização, a apenas 50 quilômetros de Inocência e das principais vias de acesso. A celulose sairá diretamente da fábrica para se conectar à malha paulista e seguir para o porto de Santos, evitando o transbordo e reduzindo a manipulação do produto, o que influencia na qualidade final.

Npp – No dia 31 de maio, foi aprovado o Projeto de Lei (PL) nº 1366/2022, do Senado, que exclui a silvicultura do rol de atividades potencialmente poluidoras e utilizadoras de recursos ambientais. Em sua opinião, qual a importância dessa decisão para o setor florestal?

Altimiras – Compreender que o setor florestal no Brasil, seja com plantações de eucalipto ou pinus, faz parte de uma indústria que gera inúmeros benefícios é essencial. Esses benefícios vão desde a absorção de carbono pelas árvores, contribuindo para a redução da pegada de carbono global, até a oferta de produtos que utilizam a matéria-prima mais sustentável disponível.

Ou seja, a escolha por produtos de origem florestal é ambientalmente correta. Podemos optar por sacolas de papel em vez de sacolas de plástico, e na construção civil, a madeira é uma alternativa mais sustentável em comparação com outras matérias-primas mais agressivas ao meio ambiente. É excelente que o Brasil tenha reconhecido a importância de seu setor florestal, entendendo que é uma indústria a ser fomentada, pois representa uma indústria do futuro.

Últimas Notícias

Melhoramentos anuncia nova fábrica de embalagens sustentáveis em Minas Gerais

Melhoramentos construirá fábrica de embalagens sustentáveis com fibra de celulose, 100% compostáveis, em Minas Gerais. O investimento será de R$ 40 milhões

Irani investe mais de R$ 18 milhões em plataformas de PD&I

Projetos da Irani em PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação) focam em inovações que abrangem o segmento de papel, embalagem, florestal e meio ambiente

Irani Papel e Embalagem avalia novo ciclo de investimentos

Irani avalia projeto "Plataforma Neos", com expansão da base florestal, aumento da produção de celulose de fibra longa, papel para embalagens e papelão ondulado

Branded Contents

INCAPE forma primeira turma do curso “Mulheres Papeleiras”

Iniciativa da INCAPE reforça o compromisso da empresa com o Pacto Global da ONU, rumo à igualdade de gêner

Thiago Karam Westphalen assume presidência da INCAPE

Thiago Karam Westphalen assume como diretor presidente da INCAPE, com planos de continuar a trajetória de sucesso da família na expansão dos negócios

Destaques Tecnológicos

Destaques tecnológicos do setor: Andritz, Contech, Hergen, Solenis, Valmet E Voith

Compartilhar

Newsletter

Mantenha-se Atualizado!

Assine nossa newsletter gratuita e receba com exclusividade notícias e novidades