Arena de Inovação apresenta iniciativas pré-competitivas

Edição realizada durante ABTCP 2025 reúne atores indispensáveis para o desenvolvimento tecnológico da indústria fl orestal

Alinhada à sua visão de futuro, a Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP) posiciona-se como catalisadora de iniciativas de inovação pré-competitivas e como provedora de soluções técnicas colaborativas entre as empresas do setor de árvores cultivadas. Nesse contexto, a programação do ABTCP 2025 – 57.º Congresso Internacional de Celulose e Papel contemplou mais uma edição da chamada Arena de Inovação, iniciativa da Rede de Inovação ABTCP, que tem o propósito de fomentar o desenvolvimento tecnológico da indústria florestal por meio da apresentação e prospecção de novos projetos.

Ao dar início à rodada mais recente da Arena, realizada na tarde de 14 de outubro, Rayana Reis Rocha, da área de Inteligência Setorial da ABTCP, enfatizou que o espaço foi preparado para conectar empresas do setor de celular e papel, instituições, academias e centros de ciência e tecnologia, proporcionando um ambiente colaborativo e estimulando conexões em prol da inovação e do desenvolvimento tecnológico do setor.

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O moderador Durval Garcia Jr., consultor em Inovação da ABTCP, comentou que a realização da Arena é mais um passo importante na jornada de transformação trilhada pela Rede de Inovação da indústria de celulose e papel. “É também uma forma de demonstrar que há a possibilidade de alavancarmos a inovação no Brasil. Temos tecnologia, conhecimento e infraestrutura para solucionar problemas concretos do setor, levando-o a outro patamar de competitividade”, incentivou o trabalho conjunto.

O desenvolvimento de uma rota tecnológica dedicada ao aproveitamento de resíduos inorgânicos da polpação kraft foi proposto pelas palestrantes Fernanda Miranda Torres Paiva e Diana Catalina Cubides Roman, ambas profissionais do Senai Cimatec.

“As demandas relacionadas à destinação de dregs, grits e lama de cal, resíduos sólidos provenientes do processo produtivo de celulose, são frequentes nos contatos que temos com o setor. O Senai Cimatec dispõe das condições necessárias para priorizar essas pesquisas e avançar no tema”, frisou Fernanda, ao detalhar a estrutura da universidade e instituição de ciência e tecnologia, situada em Salvador-BA.

Já a apresentação dos profissionais Jeiveison Gobério Soares Santos Maia, Francine Terra Ferre e Marcos Vinicius Miranda Mesquita, do Firjan Senai, deu enfoque ao desenvolvimento de biomateriais com propriedades de barreira, visando a soluções sustentáveis para embalagens de papel. “A competitividade caminha lado a lado com a inovação, que é a nossa especialidade.

O trabalho sobre biobarreiras, em específico, é uma parceria entre dois institutos, Senai de Inovação, Química Verde e Biossintéticos e Fibras, ambos integrantes do Senai RJ. A nossa ideia é partir do substrato já utilizado para a embalagem de papel, que é o papel cartão padrão, e fazer essa barreira a gases a partir de matérias-primas do setor de celulose e papel, adicionando outros insumos de origem natural, respeitando as normas regulatórias para embalagens que têm contato direto ou indireto alimentos, de forma a construir uma cadeia produtiva economicamente viável e tecnicamente factível”, contextualizou Francine.

A porta-voz do Firjan Senai ainda discorreu sobre outra iniciativa em curso, encabeçada pela instituição. Trata-se do desenvolvimento de um geotêxtil nacional para a propagação de mudas de eucalipto. “Hoje, já existe no mercado um geotêxtil importado que atua como opção mais sustentável em comparação ao tubete plástico, comumente usado.

Contudo, o fato de ser um produto importado torna inviável o uso para muitas empresas do setor, devido aos custos envolvidos. A nossa proposta é nacionalizar essa tecnologia para que todas as empresas, incluindo as de pequeno e médio porte, possam fazer uso dessa prática sustentável”, esclareceu o objetivo.

Detalhes do projeto Benchmarking Setorial 2025, que reunirá informações confiáveis, rastreáveis e estatisticamente verificáveis para a criação de um banco de dados, a fim de beneficiar todo o ecossistema do setor de papel e celulose, foram apresentados por Flávio Maeda, diretor de Negócios de Digitalização da AFRY. “O projeto é uma iniciativa da ABTCP, e a AFRY será a responsável pela coleta e análise dos dados, que ficarão disponíveis por meio de uma plataforma digital”, revelou sobre o projeto, lançado em setembro.

A iniciativa representa um passo importante para a inclusão do setor de celulose e papel na economia de dados global, ao reduzir o tempo e o custo para todos os envolvidos, conforme destacou Maeda.

“Esse banco de dados com informações históricas do setor permitirá a extração de informações assertivas para a melhoria contínua das operações industriais e para a tomada de decisões estratégicas, baseadas em dados, bem como a formulação de cenários e simulações com Inteligência Artificial”, disse sobre o projeto cuja participação não está restrita aos produtores de papel e celulose, mas se estende também aos fornecedores do setor, que poderão participar como patrocinadores.

A Arena de Inovação foi encerrada com um debate aberto, que reuniu diferentes perspectivas sobre as principais demandas e desafios do setor, abordando temas estratégicos como a transformação digital, a sustentabilidade aplicada às barreiras em papéis e a proposta de criação de um centro de excelência voltado à indústria de papel e celulose.

O painel contou com a participação de Carlos Augusto Soares, Fernando Bertolucci, Julio Costa e Reginaldo de Oliveira, membros do Conselho de Inovação, além de Danyella Perissotto, representante das Comissões Técnicas da ABTCP. O momento foi moderado pelo Umberto Cinque, head técnico da associação, que conduziu a conversa de forma dinâmica e colaborativa, promovendo uma troca de ideias enriquecedora entre os participantes.

Confira aqui o PDF da Reportagem

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Caroline Martin
Jornalista com 17 anos de experiência, sendo 6 deles em redação e 11 como freelancer. Formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo, teve o seu desenvolvimento profissional focado em redação e edição de conteúdos para editorias variadas de veículos impressos e online. O contato com a indústria de celulose e papel teve início em 2010, quando começou a atuar como repórter da revista O Papel, publicação mensal da Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP), que hoje circula nas versões impressa e digital. Desde então, produz reportagens técnicas relacionadas à cadeia produtiva do setor, incluindo análises de mercado, inovações tecnológicas e perfis profissionais. Em 2015, foi vencedora do Prêmio Especialistas — Categoria Papel e Celulose, promovido pela revista Negócios da Comunicação.

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