O 58º Congresso e Exposição Internacional de Celulose e Papel ABTCP 2026 começou nesta terça-feira (6), com uma programação dedicada ao tema “O Fortalecimento da Bioeconomia de Base Florestal”. Em parceria com o Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF) e a Technical Association of the Pulp and Paper Industry (TAPPI), a Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP) promove três dias de programação técnica e especializada, além de mais de 4.000 m² de exposição no Transamerica Expo Center.
A solenidade de abertura do Congresso teve a participação de Darcio Berni, diretor executivo da ABTCP; Carlos Frederico Wilcken, do IPEF; Paulo Hartung, presidente da Ibá; Francisco Razzolini, presidente do Congresso; Nilton Saraiva, presidente do Conselho Executivo da ABTCP; Lawton Roberts, presidente e CEO da TAPPI; e José Carlos da Fonseca Junior, presidente-executivo da Empapel.

Na sequência, teve início uma programação voltada à troca de conhecimento técnico e à apresentação de temas estratégicos para a cadeia produtiva de celulose, papel e produtos de base florestal, com uma sessão na plenária que reforçou o tema principal do evento. A sessão contou com apresentações de Francisco Razzolini, presidente do Congresso; Lawton Roberts, presidente e CEO da TAPPI; e Trip Jobe, vice-presidente de Vendas Globais da ResourceWise.

Conforme Razzolini, a indústria de base florestal é parte essencial no desenvolvimento de soluções para a sustentabilidade do planeta. Para o executivo, o crescimento da bioeconomia está ligado à diversos fatores – como educação e capacitação, inovação e P&D, engajamento de stakeholders e combate aos mitos e desinformação – e está ligada à toda cadeia produtiva.
Por sua vez, Jobe trouxe insights da ResourceWise, com dados que abrangem a América Latina, América do Norte, Europa e Ásia-Pacífico. Em suas provocações, o VP abordou a mudança do setor ao longo dos anos, com uma migração da fatia de capacidade global partindo de 35% de papéis especiais e de imprimir & escrever em 2008 para 18% em 2025, enquanto celulose de mercado, tissue e embalagens de papel saltaram de 65% para 82% no mesmo período.
Sessões técnicas
A programação da tarde do primeiro dia do Congresso de 2026 da ABTCP ampliou as discussões sobre sustentabilidade, inovação e transformação da indústria de celulose e papel. A partir das 14h, o Congresso teve sessões técnicas simultâneas dedicadas à sustentabilidade e Indústria 5.0, além do Fórum de Mulheres e da sessão de pôsteres.
Na Sessão Magna de Sustentabilidade, o Embaixador José Carlos da Fonseca Junior, presidente-executivo da Empapel, participou como keynote. O programa também reuniu Fonseca Júnior, Caio Zanardo, da Suzano; Mariana Carvalho Claudio, da Sylvamo; e Theófilo Militão, da Arauco, em painel sobre o tema.
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O painel mapeou as forças do setor ao longo do seu crescimento no país e os desafios à frente. Dentre os temas discutidos, os painelistas abordaram a integração e competitividade da cadeia, as certificações e preocupação do setor com a sustentabilidade ambiental, o crescimento da escala ao longo dos anos e como esses fatores precisam se equilibrar com custos competitivos em meio a desafios logísticos e de consumo energético.
Para Mariana Carvalho, a tecnologia aplicada no setor papeleiro pode ser um diferencial tanto ante os custos quanto para atrair mão de obra e fortalecimento da capacitação, sendo um desafio atraente para jovens talentos que buscam um setor inovador e disruptivo, sem deixar de ser sustentável.
Militão, por sua vez, reforçou como o setor tem um diferencial no tratamento com as comunidades e como a reputação de uma companhia reverbera por todo o setor. Ele ainda conectou a tecnologia como um diferencial no trabalho em campo – área cada vez mais difícil de reter mão de obra.
Na visão de Caio Zanardo, resiliência é a palavra de ordem para os próximos 10 anos, tendo em vista o panorama das mudanças climáticas e que essa é uma variável importante no mapeamento dos desafios onerosos da indústria florestal.
Na sessão técnica de sustentabilidade, especialistas de fábricas de celulose da Eldorado, Cenibra , Arauco e Suzano abordaram, respectivamente, os temas: “Gestão integrada de segurança e ESG na interação com a fauna em indústria de celulose branqueada”; “Diagnóstico socioambiental”; “Implantações de projetos em celulose construindo um futuro sustentável através da economia no consumo de águas e reaproveitamento de efluentes”; e “Economia circular na Suzano Jacareí: o potencial do dregs e grits no mercado cimentícios”.
Considerando as diferentes apresentações, Fernando Bertolucci, moderador da sessão técnica resumiu: “A sustentabilidade industrial passa cada vez mais por reduzir riscos, integrar informações e redesenhar fluxos de matérias-primas e recursos”.
O primeiro dia também contou com o Fórum de Mulheres, com discussões sobre gênero e a participação feminina na indústria. A programação do fórum abrangeu o panorama de gênero, apresentado pela Rede Mulher Florestal, que revelou dados que reiteram a necessidade do debate – a diferença salarial entre homens e mulheres em 2022 era de 22%; 78% das mulheres relataram já ter sofrido algum tipo de assédio (virtual, físico ou moral); 30% estão fora do mercado há mais de um ano, principalmente pelo trabalho do cuidado; 49% não receberam promoção ou reconhecimento na empresa atual.
Por outro lado, o panorama de gênero do setor florestal 2026 revelou os avanços desse mercado em questão de igualdade de gênero. Os resultados apontam avanços importantes, com 90,6% das empresas afirmando possuir políticas de gênero não discriminatórias, indicando incorporações de práticas formais de prevenção e de promoção de ambientes mais inclusivos. Nesse sentido, entre 2019 e 2024, a participação de mulheres na indústria florestal saltou de 12,7% para 22,9%.

O debate reforçou a participação de mulheres que já atuam na indústria e suas trajetórias, além de os desafios que ainda permeiam as carreiras dessas mulheres e as ingressantes do mercado. Foi discutido também o papel dos homens como facilitadores e intermediários de criar oportunidades para mulheres em ambientes predominantemente masculinos.
Na sequência houve a discussão “Mulheres em movimento: da floresta à indústria, construindo novas possibilidades”, encerrando com um debate sob o tema “construindo caminhos para transformar o setor”.
Entre os destaques da Sessão Técnica de Indústria 5.0 está o keynote de Sinesio Julio Barberini, da Klabin, com a apresentação “A evolução da automação industrial – Uma retrospectiva”.
Na oportunidade, o executivo fez provocações sobre como o mercado se molda ao tema de Indústria 5.0: “O valor surge quando a tecnologia amplia capacidade humana e opera dentro dos limites sustentáveis e éticos”, avaliou.
A sessão também abordou outras palestras técnicas de especialistas da Arauco, Cenibra, UFMG, Suzano, Voith Paper e Andritz, abrangendo temas como confiabilidade, classificação do lodo biológico com CNN, gêmeos digitais, machine learning, controle avançado de processos, e monitoramento multivariáveis.
Com a bioeconomia no centro, o primeiro dia consolidou o papel estratégico do Congresso ABTCP como ambiente rico, diverso e especializado para debater o panorama do mercado, discutir inovações técnicas e estratégias que moldam o futuro da indústria.
O Congresso continua amanhã
A programação continua nesta quarta-feira, com novas sessões técnicas, a área de exposição, além do jantar de confraternização. No jantar também acontece a entrega do Prêmio Destaques do Setor da ABTCP, que reconhece os fabricantes e fornecedores mais bem avaliados por seus clientes no mercado.
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