Nesta quinta-feira (24), o Embaixador José Carlos da Fonseca Jr., diretor de Relações Internacionais da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores) e presidente executivo da Empapel (Associação Brasileira de Embalagens em Papel), assumiu a presidência do ICFPA (International Council of Forest and Paper Associations), entidade que reúne associações nacionais e regionais do setor de árvores cultivadas de diferentes continentes. Prestes a completar 27 anos, a organização reforça o debate sobre as perspectivas do setor, em tempos de mudança do clima e crescente demanda por produtos de base florestal.
A presidência do ICFPA é rotativa, com mandatos de dois anos. Fonseca Jr. ocupava até agora a vice-presidência da entidade e sucede a Heidi Brock, presidente e CEO da American Forest & Paper Association (AF&PA). Para a nova gestão, Tsunehiro Ogawa, da Japan Paper Association (JPA), assumiu como vice-presidente. O Brasil já esteve à frente do ICFPA anteriormente, entre 2015 e 2017, com Elizabeth de Carvalhaes, então presidente da Ibá.
A alternância entre países e regiões faz parte da governança da entidade, que busca ampliar a representação do setor e de produtos de base florestal no debate internacional. A transição ocorre durante a reunião anual da organização, na sede da FAO, em Roma, na Itália, com a presença de representantes das associações da Austrália, Nova Zelândia, Finlândia, Suécia, Reino Unido, Bélgica, Alemanha, França, Espanha, Portugal, África do Sul, Canadá e Chile, entre outras.
“A presidência do ICFPA é uma oportunidade de ampliar a contribuição brasileira para o debate internacional sobre o futuro de nosso setor. Temos uma agenda comum entre países e regiões, que passa por sustentabilidade, comércio, clima, inovação e pela capacidade de demonstrar a contribuição dos produtos advindos das árvores cultivadas para uma economia de baixo carbono. Pretendemos avançar nessa agenda a partir do diálogo e da cooperação entre as associações que integram o ICFPA”, afirma o Embaixador.
Entre as prioridades para o próximo biênio, diz Fonseca Jr., estará o debate sobre a resiliência das florestas diante das mudanças climáticas. A proposta é ampliar a cooperação entre as associações e promover uma discussão baseada em ciência sobre estratégias de adaptação, incluindo os possíveis caminhos das biotecnologias. O tema está entre os assuntos discutidos na reunião anual.
Outra frente de atenção será o próprio debate internacional sobre clima, incluindo metodologias de contabilização de carbono, reconhecimento de remoções florestais e os padrões que vêm ganhando relevância para decisões relacionadas a financiamento climático e esforços de mitigação e adaptação. A agenda também dialoga com os desafios da restauração florestal e com os compromissos assumidos pelos países no âmbito do Acordo de Paris.

O atual e desafiador cenário de mudanças no comércio internacional também está entre as prioridades para o novo biênio. O setor brasileiro tem acompanhado de perto o tema e seus impactos de medidas nas cadeias globais de suprimentos.
O Embaixador ainda destaca iniciativas já desenvolvidas pelo ICFPA como foco do trabalho para os próximos anos. Entre elas, o Sustainability Progress Report, publicação já tradicional da entidade, bem como o Blue Sky Young Researchers and Innovation Award, premiação que reconhece jovens pesquisadores e inovadores da área florestal. O Brasil tem histórico de destaque nesse concurso, que conta com etapas nacionais e com uma final internacional.



