Há exatamente um ano, quando fizemos a primeira avaliação da crise financeira internacional, afirmamos que o setor de celulose e papel do Brasil estava estruturado para, em 2009 e nos anos subsequentes, prosseguir na sua consolidação como um dos principais players desse mercado. Acreditávamos que seria possível enfrentar a conjuntura provocada pela instabilidade da economia mundial, graças à reconhecida competitividade e produtividade das empresas.
Os resultados preliminares do setor, nos dez primeiros meses de 2009 – que apontam para uma tendência de manutenção dos níveis de volume de produção de celulose e papel relativos a 2008 –, confirmam que, apesar das dificuldades, o setor encarou os desafios com rigor e planejamento e, conforme previmos, mostrou seu papel no mercado mundial.
Até outubro, a produção de celulose somou 11,1 milhões de toneladas, superando em 5,2% os resultados dos dez primeiros meses do ano passado. Além disso, as exportações da fibra, de janeiro a outubro, apresentaram alta de quase 15% em relação ao mesmo período de 2008. Quanto ao segmento de papéis, a recuperação se manteve, de forma mais lenta – ao longo do ano, houve registros importantes de reversão de queda. Em outubro, a produção de papel aumentou 3,5% sobre o índice de setembro, e as vendas domésticas cresceram 2,7% ante o mês anterior. No acumulado do ano (de janeiro a outubro), a produção de papel atingiu 7,7 milhões de toneladas, aproximando-se dos níveis do ano passado.
Em um período de crise, marcado por incertezas, consideramos esses resultados altamente positivos. Porém, é preciso ressaltar que a receita das empresas não acompanhou esse crescimento em volume. O saldo da balança comercial do setor, até o fechamento desta edição, revelava queda de cerca de 18% em relação ao mesmo período de 2008. Somaram-se a isso o impacto do câmbio atual e, também, a falta de apoio do governo federal ao setor durante 2009. A solução foi adotar, como medida prioritária, a postergação de investimentos, para garantir a liquidez das empresas, que foi abalada pelas medidas para manter as operações.
Em 2010, o foco das empresas será a recuperação dessas perdas, promovendo a valorização dos produtos no mercado e também a redução dos custos, em busca de uma equação que dê equilíbrio às operações e favoreça a competitividade das empresas brasileiras, uma vez que a concorrência está acirrada e, além disso, o mercado enfrenta, ainda, barreiras não tarifárias que poderão ter impactos nas atividades do setor.
A Bracelpa manterá como prioridade de sua agenda a negociação de medidas que estimulem as exportações e a competitividade. Integrante do Grupo de Acompanhamento do Crescimento (GAC), criado recentemente pelo Ministério da Fazenda em substituição ao Grupo de Acompanhamento da Crise, a Bracelpa, ao lado de outras importantes entidades do setor privado, tem enfatizado a importância de o governo federal elaborar medidas de estímulo ao setor exportador, compensatórias ao câmbio.
Além da desoneração das exportações, os setores industriais propõem a recuperação de créditos de PIS/Cofins e ICMS, e ressaltam a necessidade de se definirem as questões trabalhistas que estão em pauta no Congresso Nacional, como a redução da jornada de trabalho e a terceirização, temas que acabam influindo no clima das empresas. O novo GAC, que também reúne integrantes do Ministério do Desenvolvimento, do Banco Central, do BNDES e da Receita Federal, criará um plano de trabalho a ser anunciado no início do ano.
Acreditamos que essa agenda terá de contemplar medidas que levem em conta a questão climática, pois será elaborada após as decisões da 15ª Conferência das Mudanças Climáticas (COP 15), realizada neste mês, em Copenhague. Isso significa que qualquer novo plano do governo para estimular investimentos e aumentar a competitividade terá de contemplar medidas voltadas à redução das emissões de gases causadores do efeito estufa e à economia de baixo carbono. Essas questões serão um importante diferencial de mercado, e o Brasil, principalmente por sua matriz energética limpa, terá excelentes alternativas pela frente.
O setor de celulose e papel poderá colaborar com o País nesse cenário que começa a se esboçar. As florestas – naturais e plantadas – são um patrimônio que poderá gerar oportunidades para o Brasil. Por isso, a Bracelpa estuda, em conjunto com o governo, medidas para a criação de uma política pública que estimule o plantio florestal. Além de beneficiar o planeta, a iniciativa trará geração de riqueza e desenvolvimento social.



