Ponte da Rota Bioceânica atinge 84% de conclusão e reforça integração entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile

A ponte internacional sobre o Rio Paraguai, principal obra da Rota Bioceânica, alcançou 84% de execução e já evidencia a aproximação das estruturas que ligarão Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta, no Paraguai. A vistoria realizada no sábado (22) confirmou o avanço do projeto, considerado estratégico para exportações brasileiras rumo ao Pacífico.

O que é a Rota Bioceânica

O corredor conectará o Centro-Oeste brasileiro aos portos chilenos de Iquique e Antofagasta, encurtando o trajeto para a Ásia e reduzindo custos logísticos. A rota atravessa:

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  • Brasil – com influência direta sobre cidades como Campo Grande, Três Lagoas, Dourados e Porto Murtinho;
  • Paraguai – pelo Chaco, entre Carmelo Peralta, Loma Plata, Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo;
  • Argentina – pela região de Salta e Jujuy;
  • Chile – até os portos do norte, voltados ao mercado asiático.

Estudos técnicos indicam que o corredor pode reduzir em 8 a 12 dias o tempo de envio de cargas aos principais destinos do Pacífico.

Impacto direto no setor de celulose

O setor de celulose, um dos mais fortes de Mato Grosso do Sul, com grandes plantas instaladas em Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo e Inocência, deve estar entre os maiores beneficiários da Rota Bioceânica.

Principais efeitos previstos:

1. Redução de custos de exportação
As indústrias de celulose do Estado poderão acessar portos chilenos com menor distância e menor percurso interno, diminuindo frete rodoviário e marítimo no envio ao mercado asiático.

2. Novas rotas para a Ásia
A produção hoje escoada por Santos (SP) e Paranaguá (PR) passa a contar com um corredor alternativo mais curto e menos congestionado, ampliando a competitividade das exportações de celulose branqueada.

3. Logística integrada
A Rota favorece o planejamento de novos terminais logísticos e centros de consolidação de carga no Estado, facilitando o transporte entre as fábricas e a fronteira em Porto Murtinho.

4. Expansão industrial
O acesso mais direto ao Pacífico tende a estimular expansão de capacidade e atração de novos investimentos do setor florestal e de papel, fortalecendo a base econômica regional.

5. Menor dependência de portos do Sudeste
A diversificação de rotas reduz gargalos e variáveis operacionais enfrentadas nas exportações via portos tradicionais, principalmente em períodos de alto fluxo de commodities.

Setores beneficiados além da celulose

O corredor deve impulsionar o agronegócio, a logística, a indústria, o turismo e o comércio transfronteiriço, criando um novo eixo econômico do Centro-Oeste ao Pacífico.

Avanço da obra

O trecho de 13,1 km que liga a BR-267 à ponte recebeu investimento de R$ 574 milhões. Do lado brasileiro, seguem em execução pilares, vigas e pré-lajes dos viadutos de acesso.
O trem de avanço já concluiu 188 dos 350 metros do vão central.

A ponte terá 1.294 metros, com 21 metros de largura e 35 metros de altura. O trecho estaiado terá 632 metros, incluindo o vão de 350 metros sobre o rio.

O investimento total do lado paraguaio soma US$ 1,1 bilhão para melhorar 580 km de rodovias no Chaco.

A conclusão da ponte está prevista para fevereiro de 2026.

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