Nesta sexta-feira (6), a Suzano divulgou os resultados do terceiro trimestre de 2026, com receita recorde e a primeira consolidação da Arbex, joint venture formada com a Kimberly-Clark, que alcançou um EBITDA ajustado de R$ 694 milhões no período. Além de consolidar os resultados, a Arbex também adicionou US$ 2,3 bilhões à dívida líquida da companhia, que chegou a US$ 14,7 bilhões ao fim de setembro.
Nesse sentido, conforme Beto Abreu, presidente da Suzano, a empresa mira projetos que reduzem de forma estrutural o custo, ganhando cada vez mais competitividade no negócio.
“Temos como foco prioritário a redução da nossa dívida líquida e, consequentemente, desalavancar a companhia. Vejo que essa desalavancagem já começa de forma bastante estruturada no quarto trimestre”.
Beto Abreu, presidente da Suzano
“Se estivéssemos olhando apenas para o resultado da Suzano separadamente, a dívida líquida teria caído de US$ 12,8 bilhões para US$ 12,5 bilhões”, adicionou Marcos Assumpção, Vice-presidente Executivo, Financeiro, de Relações com Investidores e DigitalTech da Suzano.
A empresa espera registrar uma geração de caixa mais forte no quarto trimestre de 2026, com maior sazonalidade de volume de celulose. “Estamos vendo um cenário construtivo para o preço da celulose e com o câmbio mais forte do que no terceiro trimestre”, considerou Assumpção. Atualmente, o dólar está em torno de R$ 5,50, ante média de R$ 5,14 no terceiro trimestre. O executivo ressaltou que a projeção não depende de venda de ativos nem de efeitos não recorrentes.
Diante desse cenário, para Abreu, o quarto trimestre deve ser o melhor do ano para a companhia. Com isso, a Suzano projeta encerrar o ano com dívida líquida inferior a US$ 14 bilhões. A meta de longo prazo é operar com alavancagem entre 2x e 2,5x, objetivo que, segundo Abreu, é estratégico e independe do cenário macroeconômico, já que a maior parte da dívida é em dólar.
O custo caixa ex-paradas foi de R$ 825 por tonelada, abaixo dos R$ 843 do segundo trimestre, mas acima dos R$ 801 ante o mesmo período no ano passado. Abreu destacou a redução frente ao trimestre anterior, mesmo com os desafios geopolíticos, que, segundo ele, estão durando mais do que o esperado. O fluxo de caixa livre ajustado somou R$ 2,6 bilhões, e a liquidez fechou em US$ 6,3 bilhões.
Arbex deve iniciar captura de ganhos de eficiência
A integração da Arbex também faz parte da agenda de competitividade da Suzano. A companhia mantém a estimativa de capturar US$ 175 milhões em ganhos de eficiência ao longo de três anos, com potencial de elevar em aproximadamente dois pontos percentuais a margem da operação.
Segundo Abreu, as primeiras iniciativas devem começar no quarto trimestre de 2026, após a conclusão das etapas iniciais de integração de sistemas e estruturação operacional. Os ganhos esperados estão concentrados principalmente na área de compras (procurement), além de oportunidades relacionadas aos custos operacionais, corporativos e de suporte.
A administração espera que a evolução da rentabilidade ocorra de maneira gradual. No terceiro trimestre, a margem da Arbex ficou entre 14% e 16%, patamar que a companhia considera compatível com o mercado de bens de consumo, em que as margens variam de 10% a 20%, segundo Assumpção.
Abreu destacou, ainda, que a empresa mantém governança independente e deve tomar decisões considerando a rentabilidade de suas próprias operações. Embora a Suzano detenha participação majoritária e tenha direito de indicar a administração, a gestão da Arbex continuará avaliando as melhores alternativas para o negócio.
Suzano mantém redução de 3,5% na produção de celulose
Apesar de avaliar o cenário internacional de celulose como construtivo, a Suzano não pretende alterar sua política de produção. A companhia manterá o volume 3,5% abaixo da capacidade nominal de suas fábricas, decisão baseada na rentabilidade da tonelada marginal produzida.
“Estamos sempre olhando para o custo da produção marginal, considerando principalmente o custo da madeira, a logística e os custos industriais”, declarou Assumpção.
A avaliação é que, mesmo com condições mais favoráveis de preços, ainda não há justificativa econômica para elevar a produção ao limite da capacidade instalada. Isso porque a decisão precisa considerar o cenário de mercado no momento em que a celulose estará efetivamente disponível para comercialização.
Nesse processo, o intervalo entre o planejamento de corte da madeira e a fabricação da celulose pode chegar a aproximadamente seis meses. Por isso, a companhia considera as perspectivas de preços e demanda em um horizonte mais amplo, e não apenas as condições observadas no curto prazo.
Mercado internacional e equilíbrio entre oferta e demanda
A Suzano também acompanha os movimentos de expansão e redução de capacidade produtiva no mercado internacional. Entre os fatores considerados estão os impactos climáticos sobre unidades industriais na Indonésia, a entrada de novos projetos e o fechamento de capacidades, especialmente no segmento de fibra longa. Segundo Abreu, a demanda europeia por esse tipo de fibra está 9% menor que a do ano passado, reflexo da rentabilidade apertada do segmento e do avanço do “fiber to fiber”.
A companhia também acompanha o cronograma de novos projetos. A nova fábrica da Arauco tem início de operação previsto para o final de 2027, com oferta mais significativa esperada para 2028. Já o projeto OQ2, na Indonésia, originalmente previsto para o fim de 2026, foi adiado para o primeiro trimestre de 2027, embora os eventos climáticos recentes tenham aumentado as incertezas sobre o prazo.
Nesse contexto, a Suzano informou que já assinou os primeiros contratos de desintegração, modelo comercial no qual clientes deixam de fabricar celulose internamente e passam a adquirir a matéria-prima da companhia, mantendo suas operações de produção de tissue, papel e outros produtos.



