Primeiro dia do 57º Congresso Internacional de Celulose e Papel reforça papel do setor na transição energética e na formação de talentos

O 57º Congresso Internacional de Celulose e Papel da ABTCP começou nesta terça-feira (14), no Novotel Center Norte, em São Paulo, reunindo autoridades e executivos para discutir o papel da indústria de celulose e papel como produtora de energia renovável. Após a solenidade de abertura, o destaque do primeiro dia foi a plenária com apresentação do presidente da COGEN (Associação da Indústria de Cogeração de Energia), Newton Duarte, que colocou a cogeração e a bioenergia no centro da agenda do setor como pilares estratégicos para a descarbonização e para garantir a segurança energética do país.

“Esse setor tem todas as condições para ser um protagonista da transição energética, aproveitando a força da base florestal e o potencial de biocombustíveis como o etanol 2G e o SAF, combustível sustentável de aviação”, disse Duarte.

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Solenidade de abertura

Na solenidade de abertura institucional, Paulo Silveira, presidente do Congresso, defendeu que a escolha do tema desta edição – “Pessoas e Biocombustíveis” está alinhada a uma indústria que já desponta hoje como uma das principais cogeradoras de energia do país. “Pensando nos próximos desdobramentos, o potencial do setor no avanço da produção de biocombustíveis é incrível. Diversas empresas vêm ampliando a produção de celulose e, junto a isso, buscando novos produtos”, disse.

Corroborando com o desenvolvimento do setor, o primeiro dia do evento também foi marcado pelo lançamento do Infográfico “Bioenergia das Árvores Cultivadas”, apresentada por Márcia Silva, especialista em sustentabilidade da Ibá. “A matriz energética do setor incorpora uma parcela significativa de renováveis e a biomassa florestal tem potencial para gerar produtos como etanol 2G e biometano, além de contribuir para a exportação de energia”, explicou Márcia, convocando os participantes a consultarem o material disponível para download e aprofundarem o debate sobre possibilidades práticas de aplicação da bioenergia no Brasil.

A formação de profissionais também foi destaque ao longo do dia. Viviane Nunes, Head de Educação da ABTCP, anunciou dois novos projetos da Universidade Setorial: o ABTCP Safe, focado em capacitação em segurança nas paradas gerais, e um programa nacional de formação de mão de obra em parceria com o SENAI Nacional. “Mais do que números, o propósito da Universidade Setorial é reduzir a escassez de mão de obra qualificada — um dos grandes desafios do setor”, disse Viviane.

Confirmando a parceria com o SENAI, Mateus Freitas, gerente de Educação Profissional e Tecnologia, ressaltou a ligação entre formação e empregabilidade: “Quando o setor produtivo constrói programas conosco e o resultado é emprego e crescimento na carreira, vemos nossa missão cumprida”.

Ainda na abertura do evento, Antti Lindkvist, da Finnish Forest Products Engineers’ Association (PI), correalizadora do Congresso, juntamente com IPEF, RIADICYP (Rede Ibero-americana de Docência e Investigação em Celulose e Papel e RIARREC, afirmou que “a colaboração e a troca de conhecimento por meio da tecnologia são essenciais para construir um futuro melhor”.

O embaixador José Carlos da Fonseca Júnior, presidente da Empapel e representante da Ibá – Indústria Brasileira de Árvores, também ressaltou a trajetória de internacionalização e aprendizagem do setor: “Fomos atrás de conhecimento, tropicalizamos tecnologias e isso nos tornou mais competitivos.”

Na Arena de Inovação, o coordenador Durval Garcia Jr. enfatizou a ligação entre startups e indústria: “A inovação precisa estar presente em toda a cadeia produtiva da floresta ao papel e a Arena é um espaço para mostrar soluções reais que já estão transformando o setor”, explicou o consultor de inovação para a ABTCP.

A Sessão Técnica Florestal também teve papel central no dia, abordando manejo, qualidade e aproveitamento da madeira, inovação no plantio e uso de drones. Moderada por Robinson Cannaval Jr., presidente do IPEF, a sessão evidenciou que “a qualidade da celulose nasce no campo” e reforçou a importância da integração entre todos os elos da cadeia, do viveiro à indústria, para garantir competitividade e sustentabilidade.

No Fórum Gente e Gestão, cases de empresas como Suzano e Bracell discutiram soluções para atrair e reter mão de obra em localidades remotas. “O projeto Cerrado mostrou como conseguimos captar e desenvolver pessoas no Mato Grosso do Sul”, relatou Rafael Carvalho, da Suzano. Fernanda Kruse, da Bracell, chamou atenção para “a necessidade de fortalecer a cultura de aprendizagem e os programas contínuos de desenvolvimento”.

O Encontro de Estudantes, conduzido por Fernando Gomes (UFRRJ), reuniu jovens interessados em inovação e oportunidades de estágio. “Foi um dia muito rico, com debates sobre inovação, sustentabilidade e as chances reais de inserção no mercado”, disse Fernando.

Encerrando o primeiro dia, o presidente do Congresso, Paulo Silveira, fez um balanço otimista: “Tivemos mais de 500 participantes, sendo metade presencial. Observamos aumento na presença feminina e maior integração entre universidades e empresas. Os temas escolhidos refletem o novo ciclo de crescimento do setor.”

ABTCP lança nova identidade visual

Durante a sessão de abertura, o diretor executivo da ABTCP, Darcio Berni, apresentou a nova identidade visual da associação. “A modernização da marca faz parte do nosso planejamento estratégico. É um símbolo da evolução e da nova fase da ABTCP”, afirmou. O presidente do conselho, Alexandre Lanna, salientou a revisão do planejamento estratégico para 2026–2030: “Estamos revisitando todo o nosso plano para que ele seja o grande guia das nossas iniciativas e fortaleça a atuação global da associação.”

O congresso prossegue até o dia 16 com painéis sobre biocombustíveis, inovação, energia renovável e simpósios setoriais. Acompanhe no portal Newspulpaper.com e nas redes sociais da ABTCP.

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