Gerenciamento da rotina: fazer o básico para garantir a excelência operacional

Padronização e engajamento impulsionam a eficiência e a competitividade industrial, minimizando perdas e promovendo excelência operacional

POR CAIO DAVANZO* – O gerenciamento da rotina é um conceito central que visa alcançar a excelência operacional, especialmente em indústrias que lidam diariamente com grandes volumes de produção e processos complexos. A falta de controle e padronização nas atividades rotineiras pode gerar perdas significativas. Estima-se que, em média, cerca de 15% a 30% da produção industrial seja desperdiçada devido a falhas na rotina, retrabalho, desperdícios de matéria-prima e outros problemas operacionais. Esse impacto direto afeta os resultados financeiros e a competitividade das empresas no mercado.

A base do gerenciamento da rotina está na criação de processos bem definidos e padronizados que garantam a eficiência e a consistência das operações. A estabilização desses processos permite que a empresa controle as atividades diárias, identificando e corrigindo problemas antes que se tornem grandes falhas. O uso do método PDCA (Planejar, Fazer, Checar, Agir – tradução livre do inglês Plan, Do, Check and Act) é uma ferramenta essencial nesse contexto. O ciclo permite que as operações sejam planejadas de maneira eficiente, monitoradas continuamente e corrigidas sempre que forem observados desvios em relação às metas estabelecidas.

A padronização dos processos é um ponto crucial no gerenciamento da rotina. Em muitos casos, a ausência de padrões claros leva a falhas repetidas, gerando desperdícios significativos. Estudos da Lean Enterprise Institute indicam que até 20% do tempo produtivo pode ser perdido quando os processos não seguem uma padronização adequada, causando ineficiências e inconsistências nos resultados. Quando os processos são padronizados, as equipes sabem exatamente o que deve ser feito, o que reduz erros, retrabalhos e a variabilidade no desempenho.

Outro aspecto central no gerenciamento da rotina é a solução de problemas estruturais. A utilização de ferramentas como o diagrama de causa e efeito e as folhas de verificação permitem identificar rapidamente a causa raiz dos problemas. De acordo com o relatório do America Productivity & Quality Center (APQC), estima-se que, sem uma análise estruturada, aproximadamente 70% dos problemas identificados nas operações são apenas sintomas de questões mais profundas não resolvidas adequadamente. Ao identificar e corrigir a causa raiz, a empresa evita a repetição do problema e promove melhoria contínua.

Além disso, o engajamento das pessoas no processo de melhoria é fundamental. Uma pesquisa da Society of Manufacturing Engineers (SME) apontou que cerca de 40% das falhas operacionais podem ser atribuídas à falta de envolvimento e capacitação das equipes. Quando os colaboradores são incentivados a participar ativamente da gestão dos processos e a buscar melhorias, a empresa não apenas estabiliza sua rotina, mas também promove um ambiente de inovação e eficiência.

Portanto, o gerenciamento da rotina é o alicerce para a excelência operacional. A padronização, o controle contínuo dos processos e a solução estruturada de problemas, aliados ao engajamento das equipes, formam um ciclo de melhoria contínua que permite à indústria minimizar perdas, otimizar recursos e alcançar níveis mais altos de competitividade e eficiência.

*Sócio e diretor de Papel e Celulose da Falconi

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Caio Davanzo
Formado em Administração de Empresas pela Unesp, com MBA em Gestão Empresarial pela FGV e certificado em Finanças pelo Insper, Caio Davanzo é sócio da maior consultoria em gestão brasileira, a Falconi, com mais de uma década conduzindo projetos de melhoria operacional no Brasil e exterior. É diretor responsável pelos segmentos de Bens de Capital, Material de Construção e Papel e Celulose da consultoria.

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