A aprovação do ABTCPSafe pelo Conselho Executivo da Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP), em 7 de abril, marca uma nova etapa na agenda de segurança da indústria de celulose e papel no Brasil.
A iniciativa nasce de um desafio recorrente no setor: fornecedores que atendem múltiplas empresas são submetidos, a cada novo contrato ou visita, a diferentes exigências de integrações e treinamentos de segurança. Esse cenário gera redundâncias e inconsistências nos níveis de capacitação.
Ao propor a padronização do treinamento de integração, o ABTCPSafe estabelece uma base comum para toda a cadeia produtiva, garantindo uniformidade, confiabilidade e maior agilidade nos processos, sem renunciar ao rigor técnico e ao atendimento às normas legais.
Mais do que um programa, trata-se de um movimento estruturado de caráter setorial, com o objetivo de elevar padrões, promover alinhamento entre empresas e consolidar uma cultura de prevenção robusta, capaz de gerar valor sustentável em toda a cadeia produtiva.
“O projeto foi construído de forma colaborativa para atender a uma necessidade concreta da indústria. A padronização traz ganhos claros de eficiência, mas, principalmente, fortalece o nível de segurança em todo o setor”, afirma Viviane Nunes, head de Educação da ABTCP.
Inspirado no TAPPISafe, programa internacional da congênere TAPPI (Technical Association of the Pulp and Paper Industry), o ABTCPSafe adota o conceito de treinamentos padronizados e obrigatórios, adaptados à realidade operacional brasileira e às exigências regulatórias do país.
O desenvolvimento será conduzido de forma colaborativa, com participação de empresas apoiadoras, especialistas e lideranças do setor, sob coordenação da ABTCP.
“Criar uma base comum de segurança com qualidade e consistência é um passo estratégico. O ABTCPSafe representa uma oportunidade concreta de desenvolvimento conjunto entre empresas e fornecedores, com impactos diretos em capacitação, alinhamento e cultura de prevenção”, destaca Darcio Berni, diretor executivo da associação.
Treinamentos padronizados e implementação progressiva
O programa será implantado de forma estruturada e progressiva. Na primeira etapa, o foco estará nos treinamentos de integração, justamente o ponto onde hoje se concentram as maiores redundâncias. A proposta é estabelecer um conteúdo único e reconhecido por todo o setor, voltado ao nivelamento de conhecimentos, reconhecimento de riscos e comportamentos seguros.
Nas fases seguintes, o ABTCPSafe avançará para conteúdos mais específicos, incluindo NRs (normas regulamentadoras), segurança de máquinas, atividades críticas, prevenção de acidentes e capacitações técnicas direcionadas.
“De fato, o ABTCPSafe, além da padronização, qualidade e segurança, em certa medida, contribuirá na mitigação dos problemas relacionados à falta de profissionais no segmento. Com a otimização dos treinamentos de integração, as empresas produtoras e fornecedoras poderão alocar seus colaboradores em outras atividades, uma vez que o período de treinamento será reduzido de maneira significativa”, destaca Elidio Frias, Head de Marketing.
“A proposta vai além da conformidade. O programa cria uma jornada contínua de evolução da maturidade em segurança, integrando conhecimento, prática e cultura”, ressalta Viviane.
Para garantir consistência e atualização permanente, o programa contará com governança estruturada, liderada pela ABTCP e apoiada por comitês técnicos setoriais responsáveis pela validação e revisão periódica dos conteúdos.
Indicadores e visão de longo prazo
O desempenho do ABTCPSafe será acompanhado por indicadores estratégicos como adesão de empresas, número de profissionais capacitados, abrangência na cadeia produtiva e evolução da maturidade em segurança.
A iniciativa não substitui as responsabilidades legais das empresas, mas atua como instrumento de apoio e padronização, ampliando a capacidade de gestão de riscos e reforçando o compromisso com a proteção à vida.
Com visão de longo prazo, o programa busca se consolidar como referência nacional em segurança para a indústria de base florestal.
Neste sentido, a ABTCP convida as empresas do setor a aderir e apoiar o ABTCPSafe de forma institucional e técnica, por meio de um modelo consorciado de participação, contribuindo para o desenvolvimento, validação, implementação e disseminação dos conteúdos.
“Ao alinhar o Brasil a benchmarks internacionais e fomentar uma cultura consistente de prevenção, o ABTCPSafe contribui para um novo patamar de excelência operacional e valor compartilhado em todo o setor”, conclui Berni.



