Segundo a Sondagem Especial Indústria e Energia 2026, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 41% das indústrias brasileiras migraram para o mercado livre de energia desde 2024, quando a ampliação do acesso ao ambiente de livre contratação passou a vigorar.
Entre as empresas que deixaram o mercado cativo, 73% afirmam ter reduzido os custos com a conta de energia elétrica e 30% consideram a migração para o mercado livre como a principal estratégia para reduzir os gastos com energia.
Os dados apontam que, em meio a um cenário de oscilações no setor elétrico impulsionado pela alta demanda global e por conflitos geopolíticos, o interesse das empresas pelo mercado livre de energia aumentou.
Nesse sentido, entre as empresas atendidas em baixa tensão que ainda permanecem no mercado cativo, 37% demonstram interesse em aderir ao modelo, indicando potencial de expansão desse mercado. Entre as grandes indústrias atendidas em alta tensão, 63% já compram energia no mercado livre. Nas pequenas empresas, esse percentual é de 22%, enquanto 45% ainda permanecem no mercado cativo.
Custo da energia impacta a competitividade da indústria
O levantamento mostra que 79% das indústrias utilizam a energia elétrica como principal insumo energético em seus processos produtivos. Além disso, 83% dos empresários consideram que o custo da energia é um fator essencial para a competitividade, enquanto 67% afirmam que o aumento das tarifas impacta diretamente os custos de produção.
Segundo a sondagem, 62% das empresas sentiram os efeitos da variação dos preços da energia elétrica nos últimos 12 meses. Para 39%, o reajuste foi inferior a 10%; para 20%, o aumento ficou acima de 10%; e 3% relataram reajustes superiores a 30%.
“A pesquisa mostra a importância do custo da energia para a competitividade da indústria e que o caminho escolhido pelas empresas para diminuir as tarifas passa pela migração ao mercado livre”, destaca o gerente de Energia da CNI, Roberto Wagner Pereira.
“Além disso, precisamos melhorar o sinal de preços com a adoção de tarifas dinâmicas, que possam variar de acordo com a geração, o horário e a demanda dos consumidores. Associado a isso é imprescindível revisarmos a grande quantidade de subsídios que encarecem a conta de energia”, acrescenta o gerente da CNI.
Indústrias investem em mercado livre, autogeração e eficiência energética
A pesquisa mostra que 64% das empresas realizaram algum investimento para reduzir os custos com energia. A migração para o mercado livre foi a principal medida adotada, citada por 30% das indústrias.
Outras estratégias incluem investimentos em autogeração de energia e ações de eficiência energética, mencionadas por 13% das empresas. Já 28% informaram que não adotaram nenhuma medida para otimizar o consumo energético.
Entre os segmentos pesquisados, o setor de produtos de borracha foi o que mais investiu em autogeração (25%) e também apresentou elevada adesão ao mercado livre (38%). O setor calçadista lidera a migração para o ambiente de contratação livre, com 47% das empresas, enquanto o segmento de equipamentos de informática e produtos eletrônicos se destaca pelos investimentos em eficiência energética (25%).
A Sondagem Especial Indústria e Energia foi realizada em abril, pela CNI, com 1.498 indústrias dos setores extrativo e de transformação, sendo 601 pequenas, 529 médias e 368 grandes empresas.



