14ª Semana de Celulose e Papel de Três Lagoas abre com foco em pessoas e tecnologia para ganho de competitividade

Primeiro dia do evento teve um painel de Gente e Gestão e soluções tecnológicas no Painel de Celulose I, promovendo a inovação na cadeia

A 14ª Semana de Celulose e Papel de Três Lagoas começou nessa terça-feira (25) reunindo profissionais, especialistas e empresas do setor na unidade fabril da Suzano, em Três Lagoas. Realizado pela Universidade Setorial ABTCP, o evento segue até quinta-feira (27) com o tema “Da floresta ao papel: desafios e caminhos para a competitividade na produção sustentável de celulose e papel”.

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No primeiro dia de evento, a programação passou por painéis sobre gente e gestão, abrangendo os desafios do setor em relação à mão de obra e as iniciativas de capacitação. Viviane Nunes, Head de Educação da ABTCP, destacou o papel do evento como espaço de troca e reforçou a importância de programas de capacitação apresentados – como o Programa de Formação Setorial, em parceria com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e a CNI (Confederação Nacional da Indústria), e o ABTCPSAFE, programa de formação em segurança do trabalho que abrangerá NRs como a NR1 e a NR10, com foco em integração setorial entre as empresas.

Além disso, o painel de celulose abordou inovações que promovem a competitividade na cadeia, integrando o tema do evento – da floresta ao papel. Nesse sentido, as palestras foram pensadas para abordar o tema e integrar os elos da cadeia frente ao panorama desafiador. ”Vamos falar de toda a cadeia e, principalmente, dos desafios para buscar operações cada vez mais competitivas e sustentáveis diante de um cenário complexo”, apontou Eduardo Ferraz, diretor de Operações Industriais de Três Lagoas na Suzano, durante a abertura.

Segundo Ferraz, o setor vive hoje uma disputa acirrada por mercado, puxada especialmente pelo avanço dos produtores asiáticos. “O surgimento de novos concorrentes na Ásia, e em especial o crescimento dos produtores chineses, nos compele a aumentar ainda mais a nossa régua de produtividade”, afirma. Mas, para o executivo, esse ganho de eficiência não pode vir isolado: “Nosso setor no Brasil só vai se manter competitivo se conseguir unir eficiência produtiva com responsabilidade ambiental e social”, diz, apontando que essa equação depende de parcerias com instituições de pesquisa, poder público, fornecedores e comunidades do entorno.

Painel Gente e Gestão

Moderado por Alexsander Thomaz Horta, Gerente Executivo de Engenharia e Projetos da Suzano, o painel abriu a programação técnica do dia discutindo como a formação e a retenção de pessoas se conectam à competitividade do setor.

Ao longo das apresentações, o painel tratou de temas como programas de formação setorial, comitês de aproximação entre empresa e escola, os desafios da formação de mão de obra para produção sustentável e o desenvolvimento de carreira como ferramenta de retenção de talento.

O tema dialoga com a avaliação de Ferraz sobre os desafios centrais do setor atualmente. Para ele, a evolução tecnológica não é mais o principal gargalo da indústria: “O maior desafio de hoje não é técnico, é coletivo: formar pessoas capacitadas, cuidar do meio ambiente e fortalecer as comunidades do entorno são compromissos que as empresas têm de cumprir em conjunto”. Segundo o executivo, essa rede de formação sustenta, na prática, os mais de 9 mil empregos diretos que a Suzano mantém em Mato Grosso do Sul, entre próprios e terceiros.

Painel Celulose I

O segundo painel do dia foi moderado por Luiz Gustavo Rattmann de Trindade, Gerente de Produção na Suzano, reunindo apresentações sobre otimização de consumo de madeira, soluções químicas e gestão de processo, tecnologias para vestimentas e reuso de água, e confiabilidade de equipamentos.

Segundo o moderador, o painel resumiu bem a proposta central da semana: a competitividade do setor não está concentrada em uma única etapa da cadeia, mas se constrói do plantio florestal até o produto final. “A gente precisa olhar a cadeia como um todo, entender onde estão os pontos de sinergia e quais são as interfaces que podemos melhorar e otimizar para ganhos reais”, afirmou.

Como principal ponto de convergência entre as apresentações técnicas, Luiz Gustavo resumiu: o ganho de competitividade é sempre um somatório –  de madeira, de processo químico, de água e de equipamentos –  e não o resultado de uma ação isolada.

A importância do evento

Nesse cenário, para Eduardo Ferraz, sediar a Semana dentro da própria unidade reforça o propósito de aproximação entre empresa, academia e comunidade. “O grande valor está na troca real entre quem pesquisa, quem trabalha na indústria e quem está se formando agora, e isso só acontece porque há parceria entre empresas, universidades e entidades como a ABTCP”, avalia o executivo. Segundo ele, essa aproximação com os estudantes reforça que existe, hoje, um caminho de carreira concreto no setor em Mato Grosso do Sul – e é essa rede, entre indústria, ensino e poder público, que vai definir se o crescimento da região seguirá, de fato, sustentável.

Na visão de Viviane Nunes, a capacidade de acompanhar as transformações do setor é um dos fatores que ajudam a explicar a longevidade do evento, nesta 14ª edição. “O principal segredo é entender o que o evento precisa evoluir junto com o público e com o setor”. A executiva explica que a Semana foi criada com o propósito de aproximar conhecimento, profissionais e empresas e, ao longo de sua trajetória, passou a incorporar novos temas e formatos para acompanhar as demandas e mudanças da indústria. 

A programação do evento segue à todo vapor em Três Lagoas, com mais atualizações em breve no portal newspulpaper.com

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Bianca Machado Jornalista
Bianca Machado é jornalista, pós-graduada em Gestão da Comunicação Digital e Mídias Sociais e desde 2021 escreve sobre os mercados de papel e celulose.

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