Quais são os caminhos para sustentar o crescimento? Com o objetivo de responder a essa pergunta de ordem nacional, o jornal O Estado de S. Paulo promoveu o ciclo de debates Fóruns Estadão Regiões, iniciado em 2009, com encerramento no último dia 9 de junho, em São Paulo, pelo Fórum Estadão Região Sudeste. O evento aconteceu em um momento de otimismo sobre o futuro do PIB nacional, sustentado pela afirmativa de que o País vem crescendo em ritmo chinês!
Quando se fala em crescimento acelerado, porém, surgem certas dúvidas em relação à volta do fantasma da inflação e dos juros ainda mais altos no mercado. Além disso, não se tem certeza de que a indústria nacional poderia responder à altura da demanda interna de insumos e geração de energia. Aumenta a necessidade de se investir em infraestrutura, entre outros setores, como o de logística, para eliminar os gargalos da sustentabilidade desse crescimento.
Nos próximos anos, diversos setores irão suportar o crescimento econômico da região Sudeste, dentre os quais o de celulose e papel. Diante de tantos desafios, O Papel conversou com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, sobre questões específicas desta indústria, bem como em relação ao que terá de ser feito para ganhar competitividade e encerrar 2010 conforme as expectativas apresentadas nesse caminho de sustentação do crescimento.
O Papel – Como o setor de celulose e papel é visto pelo governo brasileiro em seu potencial de contribuição para o resultado da economia nacional?
Paulo Bernardo – O governo acredita que o setor de papel, em especial, deve se desenvolver muito mais do que o tem feito nos últimos anos, principalmente devido às condições favoráveis na produção florestal e de celulose. Por exemplo, recentemente analisando a balança comercial com o presidente Lula – no item relativo às exportações da celulose do Brasil para a China –, o presidente comentou que o Brasil deveria utilizar toda aquela celulose para fazer seu próprio papel. Não faz sentido um país que produz tanta celulose importar papel! É um contrasenso. O Brasil, porém, continua exportando matéria-prima – aço e celulose, entre outras – e precisa ganhar verticalização na cadeia de negócios, para exportar produto acabado.
O Papel – Como o senhor vê hoje a questão da reforma tributária?
Paulo Bernardo – É preciso que a reforma siga na direção da simplificação do setor tributário no Brasil. O custo da complexidade é altíssimo; mais alto talvez do que o próprio imposto! Além disso, um ponto fundamental está em acabar com a guerra fiscal entre Estados no Brasil. Se a articulação dos esforços não ocorrer em um sentido único de favorecimento à competitividade nacional, o Brasil continuará exportando impostos!
O Papel – Qual a sua análise do cenário econômico atualmente?
Paulo Bernardo – Estou surpreso com a velocidade da recuperação do PIB e do ciclo de crescimento pós-crise econômica mundial. Entre outros fatores, isso se deve, em grande parte, às medidas tomadas pelo governo no mercado interno de incentivo ao crédito concedido à população para a compra de imóveis, por exemplo. Não se pretende simplesmente incentivar o consumo, mas manter o poder aquisitivo da população em um nível equilibrado. Uma das premissas básicas do governo Lula é crescer sem inflação, ou seja, com estabilidade.
Como ações efetivas neste sentido, o governo colocou em prática, de forma inédita, seu plano de contingência de despesas, efetuando por duas vezes cortes no orçamento público. No total foram cortados R$ 31 bilhões em gastos previstos para 2010, a fim de manter o rigor fiscal.
O governo não pretende frear o crescimento econômico, mas adotar medidas na área fiscal, para não ficar só na mão do sistema monetário o controle da inflação pelo Banco Central. Por isso, estou otimista em relação ao crescimento do PIB deste ano, na marca dos 6% ou até superior a esse patamar.
Leia mais na edição de Julho de O Papel.



