A Suzano Papel e Celulose, uma das maiores fabricantes de papel do Brasil, anunciou em 29 de julho último sua nova divisão empresarial – a “Suzano Energia Renovável”. A empresa produzirá wood pellets (tipo de combustível proveniente de madeiras, geralmente feito de serragem, extremamente denso e com baixa umidade) com foco nas exportações para o mercado europeu.
“Estudávamos, desde 2008, a possibilidade de uma floresta energética”, afirmou Antonio Maciel Neto, presidente do grupo Suzano. De acordo com o executivo, é comum hoje gerar energia, a partir de biomassa. “Porém, temos aí um conceito diferente: quando criamos uma floresta voltada para este fim (energia), o negócio pode ser muito mais produtivo”, acredita.
O investimento inicial será de US$ 800 milhões, incluindo a implantação de três unidades (com local a definir) até 2014. As primeiras plantas industriais irão produzir um milhão de toneladas de pellets, a partir de 2013. Posteriormente, mais duas fábricas deverão entrar em operação a partir de 2018, elevando o volume de produção à marca das cinco milhões de ton/ano.
Hoje, na Europa, há uma grande discussão sobre matriz energética e fontes renováveis de energia. A Comunidade Européia colocou metas importantes para melhorar sua fonte energética, dentre estas,baixar em 20% as emissões de CO2 na atmosfera até o ano de 2020.
“Portanto, quando falamos de uma empresa brasileira que será fornecedora de energia para o continente europeu, consequentemente haverá uma parceria com as grandes geradoras”, antecipa André Dorf, atual diretor executivo de Estratégia, Novos Negócios e Relações com Investidores da Suzano, eleito o CEO da nova divisão do Grupo.
Mundo renovável
De acordo com o CEO,uma das grandes diferenças da Suzano, ao entrar no mercado de energia renovável, são suas florestas 100% integradas.”Nos mercados dos EUA e Canadá, os produtores tem de comprar madeiras e resíduos, para transformá-los em pellets”, comenta Dorf. O modelo de gestão de negócios integrados permitirá à Suzano estabelecer contratos de longo prazo com as geradoras de energia.
Engenharia conceitual
A empresa escolhida para desenhar a engenharia conceitual da nova divisão da Suzano é a finlandesa Pöyry, que possui um escritório em São Paulo. Procurada pela revista O Papel, a empresa não se pronunciou sobre o projeto ou tecnologia, devido ao sigilo de informação.
A escolha do pellet
Ao estudar os diversos tipos de biomassa provenientes da madeira, como toras e cavacos, a Suzano concluiu que o melhor produto final energético é de fato o pellet, devido ao seu potencial calorífico. “Seu poder por MWh (megawatt-hora) é o dobro do que a tora ou o cavaco (3 Mwh/m³ / 5 Mwh/t)”, afirma Dorf.
Com isso, a empresa estará exportando mais pelo mesmo metro cúbico ou mesma tonelada, facilitando o transporte de longa distância. “É por estes motivos que torna este tipo de madeira mais atrativo para energia renovável e seu transporte.”
A Suzano atualmente está selecionado lotes de terras para a plantação de suas “florestas energéticas”. De acordo com Maciel Neto, a Vapo, principal produtora de pellets atualmente no mercado,necessitou de 30 mil hectares de florestas plantadas para abastecer a produção de sua fábrica com capacidade de um milhão de toneladas de pellets.



