O crescimento da produção brasileira de celulose deverá ser de 5,1% e a de papel, de 3,4% em 2010 comparado a 2009, de acordo com as previsões da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa). Os resultados foram divulgados à imprensa em 15 de dezembro passado, durante evento de encerramento do ano organizado pela Associação.
As perspectivas confirmaram expectativas de melhoria do setor no mercado pós-crise econômica mundial, mas também deixaram um alerta para resolução de diversos empasses enfrentados pela indústria nacional de celulose nos últimos tempos. Para garantir a sustentabilidade dos negócios, terão de ser resolvidas a questão tributação, segurança jurídica, escassez de capital humano especializado, falta de infraestrutura e a questão cambial.
Conforme os dados apresentados, a produção de celulose chegou a 14 milhões de toneladas, enquanto a de papel registrou 9,8 milhões de toneladas. Houve também aumento da receita de exportações com crescimento estimado de 33%, totalizando US$ 6,7 bi. A de celulose corresponderá a 41,2% desse número, com US$ 4,7 bi.
“Com isso, podemos afirmar a tendência segura de um crescimento para os próximos 3 anos, com o aumento de consumo de papel, devido à ascensão das novas classes”, enfatizou Horacio Lafer Piva, presidente do Conselho Deliberativo da Bracelpa, em seu pronunciamento à imprensa. Piva reforçou ainda os investimentos na expansão da indústria com a injeção de US$ 20 bi até 2020, ampliando a base florestal em 45%.
A receita de exportações também será favorecida. Em dez anos, os números devem dobrar, chegando a US$ 13 bi. A presidente-executiva da Bracelpa, Elizabeth De Carvalhaes, foi enfática ao assegurar as previsões para o mercado nacional. Mesmo suscetíveis às importações, o País não deixará de produzir. Até 2025, teremos um aumento na demanda mundial anual de fibra curta de 3%.
“O mundo colocará 74 milhões de toneladas de celulose no mercado para a produção de papéis; 2/3 desta produção estão concentrados em nossa casa, no crescimento favorável do eucalipto. Ultrapassaremos, inclusive, a China, que atualmente produz 13 milhões de toneladas e não tem como expandir essa produção”, destacou.
O evento marcou ainda a divulgação do relatório inédito de sustentabilidade do setor produzido pela Bracelpa e o retorno da representante que participou da COP 16 em Cancún, no México, levando a proposta da inclusão das florestas plantadas em defesa da possibilidade de negociação das empresas privadas na comercialização dos créditos de carbono.
Ainda sem respostas definitivas, por enquanto, a agenda da entidade estará focada na busca de soluções da polêmica discussão sobre papel imune. “Não seremos tolerantes. Exigimos fiscalização. Não queremos exclusividade ou que o produto seja 100% nacional, mas não existe competitividade justa, ficando impossível negociar nesse mercado, que tem recebido subsídios diretos do governo chinês, principal fornecedor de papel no Brasil, que chega de maneira ilegal e, muito menos, com a finalidade de se tornar um produto editorial”, exaltou Carvalhaes.
Com a divulgação desse novo ciclo de investimentos e desafios a serem enfrentados, a presidente da Bracelpa aproveitou para lembrar que no próximo ano, temos de aproveitar a oportunidade do ANO INTERNACIONAL FLORESTAL, quando todas as atenções estarão voltadas para o setor, para buscar a solução para esses problemas, entre outras questões.



