Floresta Com Araucárias Será Mais Conservada

A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza encomendou em 2012  um estudo à Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (CERTI) de Análise Integrada das Cadeias Produtivas de Espécies da Floresta Ombrófila Mista e seu Impacto sobre esse Ecossistema.
 
O estudo apresenta um diagnóstico detalhado sobre os processos produtivos do pinhão, que é a semente da araucária; e da erva-mate, outra espécie nativa do ecossistema. A partir dos impactos identificados que a extração desses dois produtos geram atualmente nesse frágil ecossistema, foi elaborado um plano de ação. Chamado de “Estratégia de Valorização da Floresta com Araucárias”, o plano prevê a criação e capacitação de uma instituição que investirá em novos e responsáveis usos para o pinhão e a erva-mate. Esse projeto será desenvolvido pelas fundações Grupo Boticário e CERTI, contando, desde o começo de junho, com apoio do Governo do Estado de Santa Catarina, por intermédio da Companhia de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina (CODESC).
 
Um ecossistema em risco
A Floresta Ombrófila Mista (FOM), mais conhecida como Floresta com Araucárias, é um ecossistema do Bioma Mata Atlântica que possuía originalmente 20 milhões de hectares, espalhando-se por áreas dos três estados do Sul brasileiro: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul; além de São Paulo, Minas Gerais, Paraguai e Argentina. Segundo o diagnóstico, apenas entre 1% e 3% desse total continuam com a cobertura original. Essa situação ocorre pela intensa exploração madeireira da araucária, principalmente a que aconteceu na segunda metade do século XX. Por causa desse cenário, a árvore araucária (Araucaria angustifolia) é considerada como criticamente em perigo pela Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas de Extinção, da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
 
Mitigando impactos negativos, gerando impactos positivos
Com base nesse histórico de degradação e nas atuais ameaças à Floresta com Araucárias, como o extrativismo desregulado e a criação de gado dentro da floresta, foi montada uma estratégia de conservação aliada ao modelo econômico regional. “O projeto para fortalecer as cadeias produtivas do pinhão e da erva-mate está organizado de modo a reduzir o impacto negativo dessas culturas para o meio ambiente. Além de reduzir a pressão sobre a Floresta com Araucárias, também pretendemos gerar impactos positivos, promovendo a inovação e a agregação de valor a esses produtos, valorizando assim a produção menos impactante à natureza”, explica Malu Nunes, diretora exe cutiva da Fundação Grupo Boticário, instituição sem fins lucrativos de atuação nacional que tem como missão promover e realizar ações de conservação da natureza.
 
De acordo com dados de 2011 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil produziu 229.681 toneladas de erva-mate no período, gerando um valor de R$118,049 milhões. Já a produção de pinhão no mesmo período foi de 8.032 toneladas, com um retorno de R$10,955 milhões. Além da importância econômica para o país, ambos os produtos têm forte identificação com a cultura do Sul brasileiro: a erva-mate é altamente consumida no tradicional chimarrão e o pinhão é consumido in natura ou como ingrediente em diversas receitas durante os meses de inverno.
 
Para Malu Nunes, o projeto visa a auxiliar também a população local. “Estamos unindo forças para aprimorar a produção da erva-mate e do pinhão, de modo que esses produtos da Mata Atlântica possam continuar existindo e proporcionando emprego e renda para a população”, diz. Ela destaca ainda que, com a valorização desses itens, também será possível garantir a conservação de diversas espécies de vegetais e de animais que integram a tão degradada Floresta com Araucárias.

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Fonte: Fundação Grupo Boticário

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