Arauco oficializa início do Projeto Sucuriú

Empresa chilena lança pedra fundamental da fábrica de celulose de fibra curta instalada em Inocência (MS)

Na última quarta-feira (09.04), a Arauco lançou a pedra fundamental do Projeto Sucuriú. Destinado à construção de uma fábrica com capacidade produtiva anual de 3,5 milhões de toneladas de celulose de fibra curta, em Inocência (MS), o projeto greenfield totaliza um aporte de US$ 4,6 bilhões e tem startup previsto para o último trimestre de 2027.

A cerimônia que oficializou o início do projeto contou com a participação de executivos da Arauco, fornecedores, instituições parceiras, poder público e imprensa. Cristián Infante, CEO global da Arauco, evidenciou como o Projeto Sucuriú une a capacidade de inovação da empresa com a possibilidade de geração de valor, pautado por sustentabilidade.

“Somos uma companhia global que planta árvores e utiliza a madeira, recurso renovável essencial, para fabricar produtos diversos, gerando valor econômico, social e ambiental, e promovendo assim um desenvolvimento sustentável. Escolhemos o Mato Grosso do Sul, para aportar o nosso investimento, não só pelas condições favoráveis para o crescimento das florestas plantadas de eucalipto e pela disponibilidade de terras, mas principalmente pela responsabilidade e pelo profissionalismo que o governo do estado vem nos apresentando.”

Cristián Infante, CEO global da Arauco
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A importância da parceria entre as esferas públicas e a cadeia produtiva do setor também foi destacada por Carlos Altimiras, presidente da Arauco no Brasil.

“Estamos inseridos no principal eixo do negócio de celulose no Brasil, em um estado que atrai e apoia efetivamente o investidor. Isso nos permite viabilizar a construção da maior fábrica de celulose em uma única etapa do mundo. Com diálogo e parceria junto à prefeitura, ao governo do estado e às demais lideranças, celebramos o compromisso de transformação de Inocência e região, seguindo o modelo de desenvolvimento que acreditamos”, disse, sublinhando que o projeto tem o potencial de deixar um legado robusto no presente e às futuras gerações.

Durante o período de obras, mais de 14 mil empregos diretos serão gerados. Já na fase de operação da fábrica, a Arauco deve empregar cerca de 6 mil pessoas, incluindo as áreas industrial, florestal e logística.

Na avaliação de Eduardo Riedel, governador do Mato Grosso do Sul, o lançamento do projeto representa um momento histórico para o estado. “Toda a região será impactada pelo maior investimento privado do País nos dias de hoje. Já inauguramos a pista de Inocência e, ao longo deste ano, a MS-377 também estará em obras, fazendo uma ligação completa até a cidade, além da pavimentação da MS-320 e da MS-316. São iniciativas que demonstram todo o nosso comprometimento em colocar a capacidade de investimento do estado a serviço da competitividade do capital privado, gerando um ciclo de oportunidades e bem-estar social crescente.”

Também celebrando o marco do Projeto Sucuriú, Geraldo Alckmin, presidente em exercício na ocasião e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), destacou o avanço da indústria no País e comentou sobre os desdobramentos da política industrial em vigor. “Em 2022, a indústria do Brasil estava em 70º lugar no ranking mundial. No ano passado, chegamos à 25ª posição. A indústria está na ponta da cadeia de inovação e paga salários mais altos, agregando valor e dando impulso à economia”, citou Alckmin, lembrando que a Nova Indústria Brasil (NIB) une pesquisa, desenvolvimento e inovação para criar um ambiente propício a novos investimentos, garantindo crédito mais barato para projetos inovadores e sustentáveis e foco nos projetos de desenvolvimento tecnológico.

Os diferenciais competitivos da maior fábrica de celulose em etapa única do mundo

Empresa global, de origem chilena, a Arauco possui operações em mais de 75 países e dispõe de 55 fábricas distribuídas no Brasil, Chile, Argentina, Uruguai, México, Estados Unidos, atuando nos segmentos de celulose, produtos de madeira, reservas florestais e bioenergia.

Projeto Sucuriú | Divulgação Arauco

O Projeto Sucuriú marca a entrada da divisão de celulose da Arauco no Brasil. “A razão de termos uma atuação bem distribuída geograficamente é justamente conseguir fornecer os nossos produtos de fontes distintas, aliando flexibilidade e segurança, para driblar eventuais desafios de mercado no longo prazo. Além disso, o volume adicional de 3,5 milhões de toneladas de celulose de fibra curta, que serão fabricados anualmente no Brasil, se somará às 5 milhões de toneladas — incluindo fibra curta, longa e fluff — que fabricamos anualmente, incrementando o portfólio diversificado que já oferecemos e fortalecendo o posicionamento global da Arauco no negócio de celulose”, contextualizou Altimiras.

O Projeto Sucuriú conta uma área total de 3,5 mil hectares, sendo mais de 4,8 milhões de m2 de área construída, local que irá receber a montagem das principais estruturas da fábrica. A Valmet destaca-se como fornecedora dos principais pacotes que irão compor a unidade fabril, desde os setores de preparação de madeira, cozimento e branqueamento, até as etapas de secagem, recuperação química e geração de energia.

“A conclusão das negociações ocorreu no final do ano passado, quando iniciamos os trabalhos prévios de engenharia. No decorrer desse processo, a capacidade da planta aumentou, chegando a uma definição que combina aspectos técnicos e econômicos para uma produção maximizada e otimizada da fábrica”, revelou Celso Tacla, presidente da Valmet na América do Sul.

A Arauco estima que serão necessários 400 mil hectares de eucalipto plantados para atender à demanda da nova fábrica. De acordo com Altimiras, cerca de 80% deste total já estão garantidos por meio de parcerias com produtores locais, construídas ao longo dos últimos anos. “Hoje, estamos chegando a 65 mil hectares plantados por ano, rumo ao atingimento da meta, até o final de 2027”, concluiu o presidente da Arauco no Brasil sobre o projeto florestal em andamento.

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Caroline Martin
Jornalista com 17 anos de experiência, sendo 6 deles em redação e 11 como freelancer. Formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo, teve o seu desenvolvimento profissional focado em redação e edição de conteúdos para editorias variadas de veículos impressos e online. O contato com a indústria de celulose e papel teve início em 2010, quando começou a atuar como repórter da revista O Papel, publicação mensal da Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP), que hoje circula nas versões impressa e digital. Desde então, produz reportagens técnicas relacionadas à cadeia produtiva do setor, incluindo análises de mercado, inovações tecnológicas e perfis profissionais. Em 2015, foi vencedora do Prêmio Especialistas — Categoria Papel e Celulose, promovido pela revista Negócios da Comunicação.

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