A CMPC anunciou hoje (08) em call com analistas, os resultados de seu segundo trimestre. No período, a companhia reportou vendas consolidadas de US$ 1,9 bilhão, representando um crescimento de 5% em relação ao trimestre anterior e um leve avanço de 1% em comparação ao mesmo período de 2024.
O EBITDA consolidado atingiu US$ 332 milhões, com lucro líquido de US$ 81 milhões, refletindo um cenário marcado por desafios de mercado e esforços estratégicos para manutenção da rentabilidade.
O desempenho positivo trimestral deve-se, em grande parte, ao segmento Softys, que apresentou crescimento de 8% na receita em relação ao primeiro trimestre, enquanto os negócios de celulose e biopackaging enfrentaram queda nas receitas.
Além disso, a CMPC realizou a venda da chilena Tensa, empresa de transmissão de energia elétrica para a portuguesa REN – Redes Energéticas Nacionais o que proporcionou uma receita extraordinária de US$ 74 milhões.
Para o próximo trimestre, a expectativa, conforme Guilherme Viesi, Chief Commercial Officer (CCO) da companhia, é a melhora nas negociações de preços, especialmente com a chegada da temporada de maior demanda, e continuidade das ações para otimizar custos e fortalecer as linhas de produtos de maior valor agregado.
Segmento Celulose: Produção resiliente, mas preços e custos pressionam resultados
A celulose se manteve como o principal motor da empresa, com receita de US$ 603 milhões o que representa uma queda de 3% no trimestre e 2% no ano, enquanto a produção totalizou 1,059 mi de ton, com redução de 2% no trimestre devido a paradas de manutenção programadas, mas crescimento de 3% em relação a 2024, beneficiada pela expansão da capacidade do projeto BioCMPC no Brasil.
O volume de vendas cresceu 21% no ano, puxado pelo aumento nas exportações de hardwood (+23%) e softwood (+12%) para China, Europa e Ásia. Contudo, a receita foi pressionada pela queda nos preços médios: softwood teve uma queda de 6% no trimestre e 9% no ano, enquanto hardwood caiu 1% no trimestre e 25% na comparação anual.
Os custos caixa por tonelada aumentaram em hardwood (6% no trimestre) e softwood (4% no trimestre), impulsionados por maiores despesas com madeira, produtos químicos, energia e mão de obra. Essa combinação resultou em EBITDA de US$ 205 milhões, aumento de 7% trimestral devido à redução de custos operacionais, mas queda de 18% anual pela pressão dos preços. A margem EBITDA foi de 27%.

Softys: Mercado competitivo e impactos cambiais desafiam recuperação
A Softys faturou US$ 817 milhões, um avanço de 8% no trimestre, mas queda de 7% na comparação anual. Os volumes de papel tissue permaneceram estáveis, enquanto os produtos de cuidado pessoal cresceram 12%, refletindo a integração das operações da empresa brasileira Falcon, adquirida pela CMPC.
Os preços médios foram pressionados pela depreciação cambial na América Latina, resultando em estabilidade no preço dos produtos de papel e queda no cuidado pessoal no comparativo anual. O EBITDA de US$ 82 milhões, com margem de 10%, representou leve crescimento trimestral (1%) mas forte queda anual (38%), devido às condições de mercado e variações cambiais.

Biopackaging: Queda de volumes e custos elevados reduzem rentabilidade
A receita do segmento biopackaging foi de US$ 257 milhões, queda de 5% no trimestre e 1% no ano, resultado da diminuição nos volumes de papelão ondulado, parcialmente compensado por vendas maiores de sacolas e bandejas moldadas.
Apesar da redução em volume, o preço médio aumentou 5% no trimestre e 7% no ano. O EBITDA recuou 22% no trimestre e 25% na comparação anual, com a margem caindo para 7%, frente a 11,4% no trimestre anterior, pressionada por custos maiores e volumes reduzidos.

Investimentos e endividamento: foco na expansão e controle financeiro
Os investimentos no trimestre totalizaram US$ 327 milhões, mais que o dobro do trimestre anterior, concentrados principalmente na operação Falcon, ligada ao segmento de cuidado pessoal. O fluxo de caixa livre apresentou saída de US$ 158 milhões, impactado pela redução do EBITDA, reflexo de maiores gastos de capital e aumento nos pagamentos fiscais.
A dívida líquida permaneceu estável em US$ 5 bilhões, com relação dívida líquida/EBITDA de 3,65 vezes, indicando manutenção do nível de alavancagem, mesmo diante dos investimentos. A estrutura da dívida apresenta taxa média de 4,74% e prazo médio de 5,2 anos, garantindo equilíbrio financeiro.


Perspectivas e desafios
A CMPC demonstrou capacidade de manter sua produção e expandir volumes, especialmente no negócio de celulose, mesmo diante da volatilidade dos preços e aumento dos custos. A pressão sobre margens na Softys e no segmento de biopackaging destaca a necessidade de estratégias robustas para contenção de custos e adaptação a condições de mercado desafiadoras, como a forte concorrência e flutuações cambiais.
“A empresa apresentou uma recente reorganização estrutural, com foco em eficiência operacional e inovação, bem como as nomeações para posições chave, que sinalizam compromisso com crescimento sustentável e resposta ágil às mudanças do mercado”, destacou Francisco Ruiz-Tagle, CEO da CMPC, sobre a estratégia da companhia.
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