O conflito de agendas de paradas gerais e a escassez de mão de obra qualificada foram os grandes temas da Mesa Redonda de Manutenção promovida pela Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP) no dia 16 de julho de 2025.
Realizado de forma virtual e moderado por Sergio Luis Ferreira, coordenador da Comissão Técnica de Manutenção da associação, o debate evidenciou um cenário cada vez mais crítico: aumento do número de fábricas e ampliação da capacidade instalada, aliado à sobreposição de datas de paradas, têm pressionado a disponibilidade de equipes especializadas.
Segundo os participantes, a mão de obra qualificada já é um desafio em 2025 e tende a se tornar ainda mais escassa em 2026, agravada por grandes obras no setor e pela concorrência com outros segmentos industriais. A sobrecarga afeta tanto a execução quanto a qualidade das manutenções, com reflexos na segurança, no prazo e no custo das intervenções.
Ao longo da reunião, foram apresentadas análises de cenários para 2025, 2026 e até 2027, com destaque para calendários que mostram sobreposições críticas em meses de alta demanda. Entre as propostas discutidas estão a redistribuição das datas de paradas gerais, a adoção de um planejamento plurianual alinhado aos planos de produção das empresas e a criação de fóruns permanentes para tratar do tema.
A ideia é buscar um modelo de “ganha-ganha” que atenda tanto produtores quanto fornecedores, garantindo equipes mais qualificadas, menos deslocamentos e maior previsibilidade, além de contribuir diretamente para a segurança e o bem-estar desses colaboradores.
Conforme as apresentações dos palestrantes, Jader Zile, da CMPC, pontuou que o caminho passa por inserir as paradas gerais na programação de produção com horizonte de pelo menos cinco anos, facilitando ajustes e evitando mudanças de última hora que mobilizam toda a cadeia, com aderência às questões ambientais, de segurança, de custos, prazo e qualidade.
Já Ronaldo Sarcinelli e Jefferson Botan, ambos da Imetame, ressaltaram que suavizar o calendário aumenta o poder de negociação e reduz gargalos, enquanto Dayyan Argenton, da Valmet, defendeu reuniões periódicas para manter o tema na agenda e fomentar soluções conjuntas. Marcus Vinicius, da Suzano, destacou a necessidade de monetizar os benefícios das mudanças, demonstrando o impacto financeiro positivo para sensibilizar a alta gestão das empresas.
A Mesa Redonda da CT de Manutenção concluiu com consenso sobre a urgência de ações coordenadas para minimizar o risco no atendimento às paradas gerais. O grupo sinalizou disposição para criar um comitê permanente no âmbito da ABTCP, com representantes de produtores e fornecedores, para aprofundar o diálogo e implementar medidas práticas, sendo um passo considerado essencial para garantir a sustentabilidade operacional do setor nos próximos anos.
CONFIRA AQUI A COLUNA ABTCP EM FOCO PUBLICADA NA EDIÇÃO DE AGOSTO DA REVISTA O PAPEL



