Economia circular em embalagens no setor de saúde: parceria entre Viveo e Papirus mostra como viabilizar

Apresentado no Fórum ABRE de Sustentabilidade em Embalagem e Consumo, projeto alia material reciclado, PCR, desempenho técnico e viabilidade industrial em larga escala

A adoção de matéria-prima reciclada em embalagens do setor de saúde já se mostra viável, sustentada por desenvolvimento técnico e colaboração entre empresas. Um exemplo concreto desse avanço, a parceria entre o Ecossistema Viveo e a Papirus – uma das principais fabricantes de papelcartão do País – foi apresentado durante o Fórum ABRE de Sustentabilidade em Embalagem e Consumo, nesta quarta-feira (14/04).

O case mostrou como a substituição de insumos convencionais por alternativas com material pós-consumo pode avançar mantendo aspectos essenciais como qualidade, segurança e eficiência produtiva, conforme destacaram, no evento, Reziane Reichert Skonieczny, coordenadora de P&D Têxtil da Cremer, e Christian Kroes, gerente de Produto e Assistência Técnica da Papirus.

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Inserida na estratégia ESG da Viveo, a iniciativa se conecta especialmente ao pilar de soluções para a sustentabilidade da companhia. A partir dessa diretriz, a Viveo estruturou um grupo de trabalho multidisciplinar dedicado a desenvolver alternativas capazes de reduzir a pegada ambiental das embalagens, mantendo os padrões exigidos pelo setor.

O desafio central era encontrar um cartão com desempenho equivalente ao material tradicional, tanto do ponto de vista funcional quanto estético. Em parceria com a Papirus, dentro do Programa Papirus Circular, desenvolvido junto com a cleantech Polen, a solução se tornou viável com a utilização do papelcartão Vitacycle, cuja composição conta com 40% de fibras recicladas pós-consumo.

Antes da implementação, o material passou por uma bateria de testes em ambiente industrial, incluindo avaliações de maquinabilidade, fechamento das embalagens e desempenho físico e visual. A validação em linha foi decisiva para garantir que a nova especificação pudesse ser adotada sem impactos na operação.

O desenvolvimento do projeto teve início no fim de 2021; avançou ao longo de 2022 e chegou à fase de implementação ainda naquele ano, com o início das compras. Desde então, as embalagens usadas pela Viveo já incorporaram mais de 1.000 toneladas de papel pós-consumo reciclado em sua composição. Nesse processo, foi evitada a emissão de mais de 605 toneladas de CO².

Os ganhos se refletem em diferentes frentes. A redução da pegada ambiental contribui diretamente para o cumprimento das metas de sustentabilidade da companhia, ao mesmo tempo em que se preserva a eficiência industrial. A adoção de soluções circulares fortalece, por outro lado, o posicionamento da marca e amplia as possibilidades de comunicação com o consumidor em torno da agenda ESG.

A experiência também reforça que o avanço da economia circular depende da integração entre diferentes elos da cadeia. A colaboração com fornecedores, os ajustes ao longo do desenvolvimento do projeto e a validação deste em condições reais de produção foram determinantes para o sucesso do trabalho.

Mais do que um caso pontual, a parceria entre Viveo e Papirus aponta um caminho consistente para ampliar o uso de insumos reciclados em embalagens, inclusive em segmentos mais exigentes, consolidando a economia circular como uma prática cada vez mais concreta na indústria.

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Thais Negri Santi

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