IA e Manutenção Preditiva: confiabilidade inteligente no setor de papel

A transformação digital vem redefinindo a forma como as indústrias operam, otimizam recursos e aumentam a confiabilidade de ativos. No setor de papel e celulose, altamente automatizado, a manutenção preditiva com inteligência artificial (IA) desponta como um avanço estratégico.

Essa abordagem utiliza sensores inteligentes, algoritmos de machine learning e análise preditiva para transformar dados operacionais em decisões assertivas. O resultado é a redução de falhas inesperadas, extensão da vida útil dos equipamentos e maior disponibilidade dos ativos críticos.

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Da manutenção reativa à inteligência operacional

Historicamente, a manutenção industrial evoluiu de intervenções corretivas para estratégias preventivas, baseadas em intervalos fixos. No entanto, mesmo as rotinas programadas podem gerar intervenções desnecessárias ou falhas não previstas.

Com a IA, esse modelo é superado. A análise contínua de dados de sensores, históricos de falhas e variáveis de processo permite identificar padrões e prever problemas antes que afetem a operação. Equipamentos como digestores, caldeiras e refinadores já operam com essa tecnologia, garantindo diagnósticos mais precisos, alocação inteligente de recursos e aumento do tempo médio entre falhas (MTBF).

A manutenção passa a ocorrer por necessidade real, elevando a confiabilidade e reduzindo o custo total de propriedade dos ativos.

Resultados reais no setor

Grandes players do setor já colhem os frutos da aplicação de IA. Na Veracel, o uso da tecnologia no digestor aumentou em 8% o rendimento operacional e reduziu paradas críticas. Na Suzano, a aplicação em linhas estratégicas proporcionou economia com manutenção corretiva e payback inferior a seis meses.

Além da redução de falhas, indicadores como MTBF e OEE (eficiência global dos equipamentos) têm melhorado consistentemente. A economia com downtime evitado pode ultrapassar R$ 100 mil por hora, especialmente em unidades de alta produção.

Outro ganho relevante é a segurança. Com maior previsibilidade, intervenções ocorrem sob condições mais controladas, reduzindo riscos para operadores e processos.

Barreiras e requisitos para adoção

Apesar dos benefícios, a implementação da IA na manutenção preditiva exige preparo. A qualidade dos dados é o primeiro desafio. Sem históricos confiáveis e sensores bem calibrados, os algoritmos não entregam resultados precisos.

Também é necessário integrar sistemas legados com novas plataformas digitais. Muitas plantas operam com tecnologias que não se comunicam, o que dificulta a criação de um ecossistema de dados estruturado.

A mudança cultural é outro ponto crítico. Migrar de modelos tradicionais para decisões orientadas por dados demanda capacitação técnica, apoio da liderança e governança robusta. É essencial seguir normas como a ISO 55000 (gestão de ativos) e a IEC 62443 (segurança cibernética), garantindo a confiabilidade e integridade das informações.

Estratégia e futuro

A IA aplicada à manutenção inaugura um novo paradigma industrial. Ao transformar dados em previsibilidade, e previsibilidade em performance, fortalece o papel da confiabilidade como fator de vantagem competitiva.

Com ativos de alta criticidade e crescente maturidade digital, o setor de papel e celulose está pronto para liderar essa transformação. A adoção de IA deve ser acompanhada de uma jornada estratégica, com definição de métricas, integração de sistemas e engajamento das equipes.

Mais do que uma tecnologia, a manutenção inteligente é uma nova mentalidade industrial.

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Jonathan Bento
Jonathan Bento é Diretor de Operações da Timenow, com mais de 25 anos de experiência em sistemas de controle, automação industrial e gestão de projetos. Atuou em empresas como Suzano e Valmet, liderando operações críticas e transformações estratégicas. É especialista em liderança organizacional, eficiência operacional e integração de tecnologias para inovação sustentável.

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