Inmetro e UFRJ licenciam tecnologia para produção sustentável de grafeno

Método pioneiro transforma resíduo da indústria de celulose em material de alto valor agregado

O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) anunciaram nesta semana o Extrato de Oferta Tecnológica Nº 01/2025, que disponibiliza para licenciamento exclusivo uma patente revolucionária: um método que transforma lignina – subproduto da indústria de celulose – em nanocarbono, material precursor do grafeno. A iniciativa visa atrair empresas capazes de explorar comercialmente a tecnologia, que promete reduzir custos e ampliar a sustentabilidade na produção do “material do futuro”.

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A tecnologia: lignina como matéria-prima renovável

A patente BR102023023166-7, depositada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em novembro de 2023, descreve um processo inédito para obtenção de nanocarbono a partir de lignina. O método inclui etapas como irradiação por luz ultravioleta, carbonização hidrotérmica em autoclave, pirólise e esfoliação mecânica. O resultado é um material nanoestruturado com porosidade controlada e grupos funcionais oxigenados, ideal para síntese de grafeno de alta qualidade.

A lignina, abundante em resíduos agroindustriais, surge como alternativa sustentável aos métodos tradicionais de produção de grafeno, que dependem de fontes não renováveis. “Essa tecnologia abre caminho para uma economia circular, transformando um subproduto em insumo de alto valor agregado”, destaca o documento.

Licenciamento exclusivo: requisitos e prazos

A licença, válida por 20 anos, permitirá à empresa selecionada explorar a tecnologia em território nacional para fabricação de nanocarbono e derivados. As propostas devem ser enviadas entre 14 e 28 de fevereiro de 2025 para o e-mail [email protected], acompanhadas de:

  • Documentação jurídica e fiscal da empresa (CNPJ, certidões negativas, etc.);
  • Plano de uso da tecnologia;
  • Contrapartida financeira: taxa inicial mínima de R$ 100 mil e royalties de 3,5% sobre a receita líquida.

A seleção priorizará a maior oferta global (combinação de taxa e royalties). Em caso de empate, micro e pequenas empresas terão preferência. O resultado final será divulgado em 21 de março de 2025.

Impacto e oportunidades

O licenciamento exclusivo é um marco para a transferência de tecnologia entre instituições públicas e o setor privado. “Esperamos que empresas de biotecnologia, materiais avançados e energia vejam aqui uma oportunidade para liderar o mercado de grafeno sustentável”, afirma a Divisão de Inovação Tecnológica do Inmetro.

A iniciativa também reforça o papel do Brasil na corrida global por materiais inovadores. Com a lignina sendo produzida em larga escala no país – principalmente por usinas de papel e celulose –, a tecnologia pode posicionar a indústria nacional como referência em soluções verdes.

Próximos passos

Empresas interessadas devem acessar o edital completo e anexos no site do Inmetro (https://www.gov.br/inmetro/pt-br/assuntos/inovacao/tecnologias-disponiveis). Dúvidas podem ser encaminhadas para [email protected] até o prazo final de inscrição.

Enquanto o grafeno segue revolucionando setores como eletrônica flexível e armazenamento de energia, esta oferta tecnológica coloca o Brasil no mapa da inovação sustentável – com a lignina no centro da transformação.

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