Manutenção, biorrefinaria e eficiência industrial marcam o último dia do Congresso ABTCP 2026

Último dia do Congresso amplia discussões sobre inovação, valorização da biomassa, eficiência industrial e formação de profissionais

O terceiro e último dia do 58º Congresso e Exposição Internacional de Celulose e Papel ABTCP 2026, realizado nesta quinta-feira (8), encerrou a programação técnica do evento com discussões sobre inovação, biorrefinaria, produção de celulose, manutenção, eficiência industrial e desenvolvimento de profissionais para a cadeia de celulose, papel e base florestal.

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Ao longo dos três dias de evento, mais de 700 congressistas passaram pelo Congresso. Para Francisco Razzolini, presidente desta edição, os trabalhos selecionados entre os mais de 240 inscritos se destacaram pela excelência e contribuíram para elevar o nível das discussões.

“A presença de importantes representantes internacionais também ampliou as oportunidades de aprendizado, conexão e compartilhamento de experiências bem-sucedidas. Conhecimentos que se refletem no dia a dia das operações e nos resultados alcançados pelo setor, que segue em busca de novos patamares de excelência. Hoje, o Brasil ocupa uma posição de destaque no cenário mundial, consolidando-se como uma das maiores potências globais nos segmentos de celulose e papel”, destacou.

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Sessões Técnicas da manhã

A programação da manhã começou com atividades da Rede Conecta, iniciativa da ABTCP voltada à discussão dos desafios tecnológicos da indústria e à aproximação entre empresas, instituições de ciência e tecnologia e o ecossistema de inovação. A agenda reuniu representantes de diferentes instituições para discutir caminhos para o desenvolvimento tecnológico e a aplicação de inovação na cadeia de base florestal.

Para Durval Garcia Jr., moderador da sessão, a programação de conteúdo selecionada para o evento demonstrou que há fomento disponível para colaborar no enfrentamento dos desafios técnicos do setor, embora ainda falte busca ativa a essa informação. Com intuito de fomentar essas iniciativas, o projeto funciona como ponte entre os elos da cadeia de inovação, impulsionando o futuro da indústria.

Entre os temas apresentados estiveram discussões sobre biorrefinarias na Amazônia, transformação e valorização da biomassa, descarbonização, novos materiais renováveis e mecanismos de financiamento à inovação. A programação também abordou oportunidades para ampliar a conexão entre pesquisa, desenvolvimento tecnológico e demandas da indústria.

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Na Sessão Técnica de Biorrefinaria, o keynote Pedro Fardim, da KU Leuven, apresentou o tema da valorização da lignina utilizando hidrótropos”, trazendo para o debate possibilidades de aproveitamento de um dos principais componentes da biomassa lignocelulósica e sua aplicação em novos processos e produtos.

Na avaliação de Marcelo Muguet, coordenador de P&D da Klabin e moderador da sessão, essa palestra e as demais compuseram uma uma boa diversidade de temas. “Tivemos desde um processo inovador de fracionamento da lignina à base de água, desenvolvido em conjunto com a Klabin, até aplicações reais de lignina em um contexto comercial e de sustentabilidade. Também tivemos trabalhos acadêmicos mostrando como podemos agregar valor a produtos derivados da madeira, ampliando suas propriedades e diferenciais. Para fechar, foi apresentado um novo ecossistema de inovação no Paraná, que busca aproximar ainda mais academia e empresas para desenvolver soluções para problemas da sociedade”, elucidou. 

Já na Sessão Técnica de Celulose II, Marco Antonio Andrade, da Andritz, participou como keynote. A programação da sessão também reuniu trabalhos relacionados a processos de produção de celulose, eficiência operacional, desenvolvimento tecnológico e novas soluções para a indústria.

Os temas foram: “Influência de cavacos overthick no processo de polpação”; “Quando a sulfidez se torna o inimigo oculto: produtividade ou durabilidade? O dilema da sulfidez em digestores kraft”; “Efeito da sulfidez e aditivo na polpação kraft de eucalipto”; “Avaliação de extrativos da madeira e sua influência na sujidade da celulose kraft de mercado”; “Antiespumante de silicone crosslinked como auxiliar de processo: ganhos em lavagem, drenagem e redução de perda alcalina em polpa kraft”; e “Impactos da redução de DQO do condensado de lavagem da polpa celulósica no consumo de químicos para o branqueamento”.

O moderador Fernando Borges Gomes, professor doutor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), indicou que foi uma sessão “muito rica”. “Começamos com o keynote, que trouxe um panorama atual e projeções futuras para o setor de celulose, com insights bastante positivos. Além disso, tivemos um apanhado tecnológico muito grande, com muitos pontos positivos que contribuem para o desenvolvimento do setor”, comentou. 

Simultaneamente, Fernando Vasconcelos, gerente de unidade da Sylvamo em Luiz Antônio e responsável pelas máquinas de papel e acabamento, avaliou positivamente a programação da Sessão Técnica de Papel II que moderou no ABTCP 2026. Segundo ele, as apresentações trouxeram temas relevantes para provocar o setor a refletir sobre como melhorar o desempenho operacional e ampliar a eficiência das fábricas, além de apresentar tecnologias capazes de contribuir para esses objetivos.

Entre os pontos abordados, destacou a redução do consumo de recursos, como água e insumos, a otimização do uso de fibras recicladas e a possibilidade de reduzir a utilização de fibra virgem, contribuindo também para diminuir a pressão sobre o setor florestal. Sobre a aplicabilidade das tecnologias apresentadas, observou que algumas soluções já estão consolidadas no setor, mas ainda há oportunidades de aprimoramento na execução de práticas básicas dentro das fábricas. Ele também ressaltou a apresentação de testes industriais com resultados promissores, alguns dos quais já demonstram ganhos que viabilizam sua aplicação.

Já a Sessão Técnica de Manutenção I teve como destaque o “ABTCPSAFE: Construindo um padrão setorial com capacitação em segurança do trabalho”, iniciativa da ABTCP voltada à padronização da capacitação em segurança do trabalho na indústria brasileira de celulose e papel. 

Adicionalmente, os participantes acompanharam: “Manutenção do futuro: a transformação da gestão de ativos através da integração entre IA, processos e pessoas”; “Análise dinâmica de ventilador de vácuo de indústria de papel utilizando vibração, ODS e FEM”; “Mecanismos combinados de Cl SCC interno e CUI SCC em tubulação de processo de celulose”; “Gestão de ativos e confiabilidade de rolamentos por meio do AIP da NSK: impulsionando eficiência operacional na bioeconomia florestal”; “Evolução no monitoramento de condição: inteligência artificial no diagnóstico de ativos rotativos”; e “De transações a alianças: como as relações entre fornecedores e clientes estão evoluindo para parcerias estratégicas”.

Nesta manhã, também foi realizada a Assembleia Geral dos Associados da ABTCP, reunindo representantes da entidade para discutir temas de interesse da associação e do setor, além de apresentar os principais resultados e iniciativas em andamento.

Sessões Técnicas da tarde

No período da tarde, o Congresso deu continuidade às discussões sobre inovação e tecnologia, com uma nova programação da Rede Conecta, o Encontro de Estudantes e sessões técnicas dedicadas à biorrefinaria, celulose, papel e manutenção.

Na Rede Conecta, a programação incluiu apresentações sobre instrumentos de financiamento para projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, além de discussões sobre clínicas de inovação e construção de uma agenda colaborativa. Também foram apresentados conteúdos relacionados às possibilidades de financiamento da Finep e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), incluindo mecanismos de apoio à inovação industrial e a aplicação da Lei do Bem.

Na Sessão Técnica de Biorrefinaria II, os trabalhos aprofundaram as possibilidades de valorização de componentes da biomassa e o desenvolvimento de materiais renováveis.

Na terceira Sessão Técnica de Celulose, os trabalhos apresentados abordaram processos industriais, eficiência operacional e novas tecnologias aplicadas à produção. As apresentações reuniram estudos e experiências de empresas e instituições de pesquisa, com temas relacionados à otimização de processos, utilização de recursos, controle operacional e desenvolvimento de soluções para as fábricas.

As apresentações englobam: “Avaliação da dosagem de sulfato de magnéseio na deslignificação e seus reflexos no branqueamento e na recuperação química”; “Aplicação industrial de enzima xilanase, como estratégia sustentável para redução de insumos químicos no branqueamento”; “Otimização do estágio de extração alcalina com peroxição utilizando hidróxido de magnésio no branqueamento”; “Otimização da curva de vácuo para melhorar formação e secagem da folha de celulose”; e “Controle de qualidade: o uso de processamento de imagem na análise preventiva de sujidade em filtrados e condensados”.

Já na Sessão Técnica de Manutenção II, os trabalhos trataram de confiabilidade e desempenho de ativos industriais, com destaque para aplicações de tecnologias digitais e inteligência artificial no diagnóstico, monitoramento e tomada de decisão. As discussões reforçaram a importância da manutenção preditiva e da utilização de dados para aumentar a disponibilidade e a eficiência dos equipamentos.

Sergio Ferreira, gerente de Manutenção na Bracell e moderador da sessão, avaliou que as apresentações abordaram diferentes indicadores e aspectos necessários para uma visão abrangente da manutenção industrial. A sessão também contemplou temas recorrentes na rotina industrial, como caldeiras e tratamento de corrosão, além de aplicações relacionadas a rolos na área de papel. No balanço geral, Ferreira considerou positiva a programação, mas apontou oportunidades para fortalecer a integração entre a manutenção e outras áreas técnicas, como celulose e recuperação, ampliando as conexões entre os temas discutidos nas diferentes sessões do Congresso.

Sobre o uso da inteligência artificial na manutenção, o moderador observou que as empresas ainda estão em processo de aprendizado, embora algumas já apresentem avanços significativos. Para Ferreira, a evolução é contínua e deve ampliar, ano após ano, as possibilidades de manutenção preditiva dos equipamentos. Nesse contexto, ressaltou que a tecnologia deve atuar como ferramenta de apoio aos profissionais, e não se tornar um fim em si mesma. 

Por fim, a Sessão Técnica de Papel III, Luiz Wanderley Pace, gerente de Tecnologia e Desenvolvimento Sênior na Solenis e moderador da sessão, destacou a importância dos temas apresentados dada às demandas atuais do setor, seja na parte de processo, como as novas tecnologias de prensas de sapata, soluções para o controle microbiológico em máquinas de papel, com destaque para os desafios relacionados à corrosão dos equipamentos e à formação de biofilmes.

Sobre as barreiras, Pace ressaltou a importância de ampliar as iniciativas voltadas à substituição de materiais plásticos por alternativas mais sustentáveis, incluindo materiais de base celulósica. Segundo ele, esse movimento está alinhado ao tema do congresso e à necessidade de desenvolver soluções que contribuam para a preservação do meio ambiente.

Encontro de Estudantes

Outro destaque do último dia foi o Encontro de Estudantes, que teve abertura do professor doutor Fernando José Borges Gomes, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), que também é coordenador do curso de Pós-Graduação da ABTCP em parceria com a UFRRJ. A programação reuniu estudantes e profissionais em uma discussão sobre formação, carreira e oportunidades de entrada na indústria de celulose e papel.

Na sequência, a ABTCP apresentou o Programa de Preparação de Gestores de Celulose e Papel (PPGCP), iniciativa voltada à preparação de jovens profissionais para atuação no setor. 

Na avaliação do professor doutor da UFRRJ, o Encontro de Estudantes foi um sucesso, tanto pela participação das empresas quanto pela adesão dos alunos. Segundo ele, representantes de Klabin, Eldorado, Suzano e Sylvamo compartilharam experiências e apresentaram oportunidades profissionais, com exemplos de estagiários que construíram carreira no setor e chegaram a cargos de gerência, coordenação e direção.

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O professor também destacou a participação de Francisco Razzolini, presidente do Congresso ABTCP 2026, que compartilhou experiências de sua trajetória profissional e trouxe reflexões aos estudantes sobre os desafios e as possibilidades da vida profissional. Para Fernando, a presença crescente de alunos é um indicativo positivo: nesta edição, a sala esteve praticamente lotada. Ele ressaltou ainda a importância de aproximar do setor estudantes que, até então, sequer conheciam a indústria de celulose e papel. Diante dessa adesão, defendeu a continuidade e o fortalecimento das iniciativas voltadas à formação e à aproximação dos jovens com o mercado de trabalho.

Ao longo do último dia, as sessões técnicas reuniram pesquisadores, profissionais da indústria, fornecedores, universidades e instituições de pesquisa em apresentações que passaram por biorrefinaria, valorização da biomassa, lignina, materiais renováveis, produção de celulose, inovação, manutenção e desenvolvimento profissional.

A programação também manteve a área de exposição como espaço para apresentação de tecnologias, produtos, equipamentos e soluções desenvolvidas para a cadeia produtiva, além da sessão de pôsteres, que reuniu trabalhos técnicos e pesquisas apresentados durante o Congresso.

Encerramento

Com três dias de programação, o 58º Congresso e Exposição Internacional de Celulose e Papel ABTCP 2026 reuniu empresas, profissionais, pesquisadores, estudantes e fornecedores para discutir os principais desafios e oportunidades da cadeia de base florestal.

A programação reforçou a importância da inovação, da eficiência dos processos, da sustentabilidade e da formação de pessoas para o desenvolvimento da indústria, além de ampliar o debate sobre novas aplicações para a biomassa e oportunidades relacionadas à bioeconomia.

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Bianca Machado Jornalista
Bianca Machado é jornalista, pós-graduada em Gestão da Comunicação Digital e Mídias Sociais e desde 2021 escreve sobre os mercados de papel e celulose.

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