Companhia avança em vendas e eficiência operacional, mas resultado financeiro e custos de dívida pressionam lucro trimestral.
A Klabin encerrou o terceiro trimestre de 2025 com resultados sólidos em receita e geração de caixa, mas com recuo expressivo no lucro líquido, refletindo pressões financeiras e de custos em algumas frentes. A companhia alcançou receita líquida de R$ 5,4 bilhões, alta de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior, e R$ 15,5 bilhões nos nove primeiros meses do ano, recorde da empresa. O EBITDA Ajustado somou R$ 2,1 bilhões, crescimento de 17%, enquanto a margem EBITDA ajustada avançou três pontos percentuais, para 39%.
O EBITDA Ajustado somou R$ 2,1 bilhões, crescimento de 17% na comparação anual, refletindo maior volume de vendas, reajustes de preços e redução de custos, enquanto a margem EBITDA ajustada avançou três pontos percentuais, para 39%, mesmo diante de um cenário global ainda desafiador.
Apesar do desempenho operacional positivo, o lucro líquido atribuível aos controladores caiu 51%, para R$ 348,5 milhões, enquanto o lucro líquido consolidado recuou 34%, somando R$ 478 milhões no trimestre. O resultado reflete, em parte, o aumento do resultado financeiro negativo, que atingiu R$ 670 milhões, alta de 66% na comparação anual, influenciado pela marcação a mercado dos títulos públicos e pelos custos de dívida.
No negócio de celulose, a demanda na Europa manteve-se estável, especialmente no segmento de tissue, enquanto o mercado brasileiro apresentou aquecimento por fatores sazonais. De acordo com o índice FOEX, os preços recuaram em relação ao trimestre anterior, mas o bom desempenho da fibra longa/fluff (responsável por 26% do volume vendido e 41% da receita líquida do segmento) e o melhor mix geográfico contribuíram para mitigar parte desse efeito. A estratégia de maior exposição aos mercados europeu e brasileiro reforçou a resiliência da empresa, concentrando suas operações em regiões de menor volatilidade.
Nos negócios de papéis, o volume total de vendas atingiu 375 mil toneladas, avanço de 10% em relação ao 3T24. O papel-cartão cresceu 2%, apoiado por um período de sazonalidade favorável, enquanto o kraftliner teve expansão de 23%, impulsionado pela entrada em novos mercados internacionais. A receita líquida do segmento chegou a R$ 1,8 bilhão, aumento de 11% sobre o ano anterior.
O desempenho também foi positivo nas embalagens de papelão ondulado, cujo volume expedido somou 456 milhões de m², crescimento de 6,6% frente ao 3T24, bem acima do avanço de 1,6% registrado pelo mercado brasileiro, segundo dados da Empapel. A expansão foi puxada pela ampliação da base de clientes e pelo fortalecimento das vendas destinadas aos segmentos de proteínas, frutas e fumo, impulsionados por uma safra forte.
O ramp-up da unidade de Piracicaba II (Projeto Figueira) foi determinante para sustentar esse crescimento e garantir o nível de serviço aos clientes. O segmento de sacos industriais também teve desempenho expressivo, com alta de 18% nas vendas, beneficiado pelo aquecimento da construção civil e pela conquista de novos clientes no Brasil e no exterior.
Com desempenho operacional consistente, o custo caixa total por tonelada ficou em R$ 3.104, uma queda de 8% em relação ao 3T24, beneficiado pela ausência de paradas de manutenção e pela maior diluição de custos fixos. O fluxo de caixa livre ajustado totalizou R$ 3,1 bilhões nos últimos 12 meses, com yield de 12,6%, enquanto o ROIC evoluiu para 11,4%. A geração de caixa por tonelada, medida pelo EBITDA Ajustado deduzido do CAPEX de manutenção, atingiu R$ 1.492/t, alta de 8% sobre o ano anterior.
O endividamento bruto encerrou setembro em R$ 35,8 bilhões, estável frente ao trimestre anterior, enquanto o endividamento líquido caiu para R$ 26,1 bilhões, redução de R$ 1,8 bilhão. A sólida geração de caixa contribuiu para a redução do endividamento.
A alavancagem em dólar recuou para 3,6x, queda de 0,3x em relação ao 2T25, refletindo o impacto positivo do fluxo de caixa e da valorização do real. O caixa e as aplicações financeiras totalizaram R$ 9,7 bilhões, um aumento de R$ 1,6 bilhão no trimestre, impulsionado pela geração operacional e pelo aporte de R$ 600 milhões da operação divulgada em setembro, envolvendo o arrendamento de terras no Paraná e em Santa Catarina
No campo da sustentabilidade, a Klabin passou a integrar a lista de organizações comprometidas com as recomendações da Taskforce on Nature-related Financial Disclosures (TNFD), por meio da publicação do Plano de Transição para a Natureza. Em agosto, a empresa também divulgou seu Relatório de Finanças Sustentáveis de 2024, consolidando informações sobre seus instrumentos financeiros atrelados a metas ESG.
Em linha com sua política de remuneração aos acionistas, a Klabin distribuiu R$ 1,3 bilhão em proventos nos últimos doze meses, equivalente a um dividend yield de 5,5%. O valor de mercado da companhia, com base na cotação de R$ 18,04 por unit (KLBN11) em 30 de setembro, foi de R$ 22 bilhões, com volume médio diário negociado de R$ 84 milhões no trimestre.
Com receita e EBITDA em trajetória de alta, mas queda acentuada do lucro líquido e pressão financeira, os resultados do terceiro trimestre refletem um quadro de transição para a Klabin, em que a empresa equilibra expansão operacional, controle de custos e ajustes de estrutura de capital para sustentar a geração de valor em meio a um cenário macroeconômico ainda volátil.



