A Klabin registrou receita líquida de R$ 5,57 bilhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 3% em relação ao mesmo período do ano passado. O avanço, impulsionado principalmente por preços mais elevados nos segmentos de celulose, papéis e embalagens, ocorreu em um cenário de pressão sobre os custos operacionais e valorização do real frente ao dólar. O lucro líquido consolidado somou R$ 393 milhões, queda de 18% na comparação anual, enquanto o EBITDA ajustado recuou 12%, para R$ 1,86 bilhão.
O desempenho operacional foi marcado pela estabilidade do volume total de vendas, que alcançou 1,064 milhão de toneladas, e pelo aumento de 12% no custo caixa total por tonelada, para R$ 3.483, considerando os efeitos das paradas gerais de manutenção.
Segundo a companhia, os resultados foram influenciados pelo câmbio, pela pressão inflacionária sobre insumos e fretes em meio ao cenário geopolítico internacional e pelas medidas preventivas adotadas para reduzir os impactos esperados do El Niño sobre as operações florestais e logísticas.
As iniciativas de mitigação do fenômeno climático adicionaram R$ 111 por tonelada aos custos, enquanto as pressões relacionadas a insumos e logística contribuíram para a elevação das despesas operacionais. A empresa também realizou ações de eficiência operacional e gestão de custos variáveis, que geraram uma economia de R$ 13 milhões no trimestre.
Celulose mantém receita em alta
No segmento de celulose, a receita líquida atingiu R$ 1,51 bilhão, crescimento de 6% em relação ao terceiro trimestre de 2025. O volume comercializado foi de 403 mil toneladas, praticamente estável na comparação anual.
A receita da celulose de fibra curta avançou 9%, para R$ 922 milhões, favorecida pela recuperação dos preços internacionais. Na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, o preço médio em dólar da fibra curta comercializada pela companhia aumentou 18%.
A estratégia de diversificação do portfólio, que reúne fibras curta, longa e fluff, além da gestão do mix de vendas e da alocação de volumes entre mercados, contribuiu para o desempenho do segmento em um ambiente de variações cambiais e pressão sobre os custos.
No mercado internacional, a Klabin identificou uma recuperação gradual do mercado de fibra curta ao longo do trimestre, favorecida pela redução dos estoques na China e pela retomada das importações. Esse movimento contribuiu para o reequilíbrio entre oferta e demanda e para a recuperação dos preços a partir de setembro.
Papéis avançam com cartões e estratégia comercial
A receita líquida do segmento de papéis totalizou R$ 1,89 bilhão, alta de 4% na comparação anual. O volume comercializado alcançou 379 mil toneladas, praticamente o mesmo patamar registrado no terceiro trimestre de 2025.
O destaque foi o crescimento das vendas de papel-cartão no mercado externo, que avançaram 23% em volume na comparação anual. A evolução operacional da MP28 e a demanda em mercados estratégicos contribuíram para o desempenho, compensando os efeitos da parada programada para manutenção da unidade de Otacílio Costa sobre as vendas de kraftliner.
A companhia também registrou aumento de 9% nos preços em dólar de containerboard em relação ao mesmo período do ano passado, favorecendo a receita do segmento.
Embalagens têm queda no volume comercializado
No negócio de embalagens, a receita líquida somou R$ 2,01 bilhões, praticamente estável em relação ao terceiro trimestre de 2025, com recuo de 1%. O volume comercializado foi de 283 mil toneladas, queda de 3% na mesma comparação.
Segundo a Klabin, o resultado refletiu a captura de reajustes de preços e o volume contratado, mesmo diante de uma base de comparação elevada.
A receita consolidada da companhia foi sustentada, portanto, pelo desempenho dos segmentos de celulose e papéis, enquanto as embalagens apresentaram retração no volume comercializado.
Investimentos industriais somam R$ 754 milhões
Os investimentos da Klabin totalizaram R$ 754 milhões no terceiro trimestre, crescimento de 36% em relação ao mesmo período de 2025. Do total, R$ 293 milhões foram destinados à silvicultura e à compra de madeira em pé; R$ 340 milhões, à continuidade operacional; R$ 103 milhões, à modernização da unidade de Monte Alegre; e R$ 18 milhões, a projetos especiais.
A modernização da caldeira de recuperação de Monte Alegre também influenciou a geração de caixa por tonelada, indicador calculado pela companhia a partir do EBITDA ajustado descontado o investimento em manutenção. O indicador ficou em R$ 1.064 por tonelada, queda de 29% na comparação anual.
No acumulado de janeiro a setembro, os investimentos somaram aproximadamente R$ 2,25 bilhões.
Endividamento e resultado acumulado
Ao final de setembro, a dívida líquida da Klabin era de R$ 23,98 bilhões. A alavancagem financeira, medida pela relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado em dólares, ficou em 3,3 vezes, ante 3,6 vezes no terceiro trimestre de 2025.
Nos nove primeiros meses de 2026, a receita líquida alcançou R$ 15,66 bilhões, alta de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O volume total de vendas cresceu 4%, para 3,10 milhões de toneladas.
O EBITDA ajustado acumulado foi de R$ 5,49 bilhões, recuo de 9% na comparação anual. Já o lucro líquido somou R$ 283 milhões, ante R$ 1,51 bilhão registrado entre janeiro e setembro de 2025.
Os resultados do período refletem o desafio de preservar a rentabilidade em um ambiente de custos crescentes, oscilações cambiais e preparação das operações florestais para condições climáticas adversas, ao mesmo tempo que a companhia mantém investimentos em continuidade operacional e modernização industrial.




