Em setembro, um anúncio do Banco de Brasil em alusão ao Dia da Árvore levava a seguinte mensagem: “Quando a gente evita que uma árvore seja derrubada para virar papel, estamos ajudando a preservar nossa mata nativa”. Este é apenas um dos muitos exemplos de falta de informação sobre o setor de papel e celulose, assunto que foi tratado na mesa redonda desta manhã, conduzida pela Comissão Técnica de Meio Ambiente da ABTCP.
Jonas Vitti, chefe de meio ambiente da Conpacel e moderador do evento, apresentou aos participantes os principais mitos e paradigmas hoje existentes em relação ao setor, dentre os quais estão a formação de desertos verdes (ausência de biodiversidade/monocultura), os efeitos negativos no balanço hídrico (eucalipto seca o solo; fábricas consomem muita água), a poluição hídrica (geração de dioxinas e furanos, e efluentes canceríginos), o êxodo rural e a crença de que o papel reciclado é melhor em todos os aspectos, em detrimento da fibra virgem.
Ao longo da apresentação, ficou claro que estes mitos criam-se a partir da falta de informação da sociedade. Não se sabe, por exemplo, que o setor mantém 2,8 milhões de ha de florestas preservadas e apenas 1,7 milhão de ha de área plantada para fins industriais. Em relação ao tão falado deserto verde, estudos comprovam que a cultura de eucalipto permite a presença de fauna e flora no sub-bosque e a regeneração de espécies vegetais em áreas de reformas. Como exemplo, Vitti cita que nas áreas da Conpacel (antiga Ripasa) foram encontradas e registradas diversas espécies circulando até mesmo no interior dos talhões, como macacos, jaguatiricas, jibóias, veados, papagaios e onça parda, entre outros.
E, enquanto as pastagens ocupam 115 milhões ha no Brasil, a soja quase 23 milhões ha e a cana-de-açúcar, 5,8 milhões ha, a cultura de eucalipto responde por aproximadamente 3,5 milhões ha (0,41% do território nacional).
Sobre o suposto empobrecimento do solo, estudos comprovam que o consumo de água e de nutrientes das plantações de eucalipto é bem menor que o de outras culturas, como soja, milho e cana-de-açúcar, além de propiciar a ciclagem de nutrientes.
Também foi abordada no evento a questão dos POPs – Poluentes Orgânicos Persistentes, em especial as Dioxinas e Furanos, detectadas em efluentes de celulose e papel em 1987. Mais tarde associadas ao processo de branqueamento, estas substâncias são hoje intensivamente monitoradas e foram quase que completamente extintas do setor com a adoção dos processos de ECF (Elemental Chlorine-Free) e TCF (Total Chlorine-Free) nesta etapa do processo.
Nos debates, ficou claro que o setor de celulose e papel tem uma deficiência muito grande em comunicação setorial, sendo necessário realizar ações concretas e conjuntas para mudar a imagem do setor perante a sociedade, informando as diversas camadas – desde estudantes até o Ministério Público, por exemplo – sobre as reais atividades do setor.
Uma das ações já em andamento neste sentido é o trabalho “Impacto sócio-ambiental da floresta plantada”, desenvolvido pelo Comitê Florestal da Bracelpa, com o apoio do consultor Celso Foelkel. O objetivo é criar um material de conteúdo consistente e com uma mensagem-chave que possa uniformizar a linguagem e dar subsídio para as ações do setor em relação aos mitos e paradigmas existentes. A publicação está prevista para o primeiro semestre de 2010.



