No dia 9 de setembro de 2025, a sede da ABTCP em São Paulo recebeu a Mesa Redonda conjunta das Comissões Técnicas de Celulose e de Transformação Digital, reunindo cerca de 30 participantes. O encontro, realizado na sede da ABTCP, em São Paulo-SP, foi moderado por Danyella Perissotto, pesquisadora da Solenis e coordenadora da CT de Celulose, e Flávio Hirotaka Mine, especialista em confiabilidade na CENIBRA e coordenador da CT de Transformação Digital.
A programação destacou como a Inteligência Artificial (IA) está revolucionando processos no setor. Flávio Mine apresentou os resultados do Estudo de Maturidade em Transformação Digital realizado pela CT, que comparou a evolução do setor desde 2017 e indicou avanços na integração de sistemas, colaboração organizacional e capacidade preditiva. Como próximos passos, Mine indicou a necessidade de: estudar a realização da avaliação da maturidade a cada dois anos; avaliar a maturidade do uso da Inteligência Artificial no setor; medir as ações de ESG suportadas pelas tecnologias habilitadoras, alinhadas ao profissional do futuro.
Na sequência, André Kakehasi, diretor da área de automação da Valmet na América do Sul, abordou o tema “Rumo a plantas mais otimizadas e autônomas com a ajuda da IA”, apresentando caminhos para operações cada vez mais autônomas e sustentáveis.
Ele destacou, porém, que o setor ainda precisa superar desafios significativos, como: lidar com metas mais elevadas de eficiência e melhorias contínuas enquanto o volume de informações cresce de forma constante; operar processos complexos com equipes menores, o que aumenta a necessidade de monitoramento de múltiplas áreas, diferentes sites produtivos e frotas de equipamentos; e avançar rumo a operações e manutenções colaborativas, mesmo diante de lacunas emergentes de habilidades e competências provocadas pelo envelhecimento da força de trabalho.
Já Franzisko Busselmann, assistente técnico do departamento de preparo de cavacos da CENIBRA, apresentou o uso da IA na identificação e medição de contaminantes da madeira, como contribuição para essa etapa do processo. Entre os desafios apontados, ele destacou a etapa de operação das linhas de picagem, relacionada às cascas no processo produtivo, embuchamentos de casca e agarramentos de madeira, presença de madeira fora do padrão e presença de contaminantes na madeira. Diante desse cenário, com base nas aplicações da visão computacional nas linhas de picagem, é possível realizar o monitoramento, com detecção e medição desses problemas.
Outros destaques foram as aplicações da Schneider Electric, apresentadas por Julio Takai, divulgando aplicações da IA em eficiência operacional, confiabilidade dos ativos e sustentabilidade. Exemplos incluíram controle preditivo, otimização de energia, redução de variabilidade e uso de gêmeos digitais.
Na sequência, foi a vez do case da Eldorado Brasil, conduzido por Erick Fernando dos Santos, engenheiro especialista em celulose, que demonstrou o uso de IA em gêmeos digitais para diagnóstico inteligente e eliminação de gargalos na evaporação da produção de celulose. Com o uso de análise de dados e simulações off-line e semi-on-line, a fábrica consegue aprimorar sua eficiência e garantir maior capacidade produtiva.
A programação da tarde contou ainda com a apresentação de Lincoln Ferreira Takaoka, da Suzano, sobre a jornada de sucesso da empresa na aplicação da IA em processos produtivos.



