O que esperar do setor de árvores cultivadas em 2024?

A despeito dos desafios impostos pelo cenário macroeconômico e pelas particularidades de cada segmento vistas ao longo de 2023, competitividade crescente dos bioprodutos confere perspectivas positivas em curto, médio e longo prazos

Apesar do crescimento satisfatório registrado em 2023, com o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro crescendo 2,9% no ano passado, a atividade econômica do Brasil enfrentou um cenário desafiador, o que teve reflexos diversos para os players que compõem a indústria nacional.

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Segundo o presidente da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), Paulo Hartung, as guerras e crises humanitárias, as tensões econômicas entre as potências mundiais e o aumento das preocupações com a emergência climática foram fatores desafiadores no último ano. A despeito desses desafios, a crescente competitividade dos bioprodutos confere perspectivas positivas em curto, médio e longo prazos, baseadas no uso inteligente da terra, respeito à natureza e cuidado com as pessoas.

Marcos Jank, professor sênior de Agronegócio Global do Insper, destaca que a evolução atual decorre de um processo iniciado na década de 1970, quando o Brasil combinou seus recursos naturais a um conjunto de tecnologias que permitiram a ocupação da região tropical. Isso incluiu o desenvolvimento de variedades adaptadas aos trópicos, como soja, milho, algodão e eucalipto, este último adaptado às condições climáticas brasileiras.

Além da diversidade de culturas, avanços como segunda safra e integração agricultura-pecuária-florestas plantadas (ILPF) são realidades atuais, resultado dos avanços tecnológicos conquistados nos últimos 50 anos.

Paulo Hartung destaca que o setor de árvores cultivadas é responsável por um portfólio cada vez maior de bioprodutos demandados pelos consumidores. São mais de 5 mil bioprodutos produzidos pela indústria, desde produtos amplamente conhecidos como cadernos, lápis, fraldas, papel higiênico e caixas de papelão, até novos produtos em desenvolvimento, como roupas, remédios e alimentos.

A carteira de investimentos do setor totaliza R$ 61,9 bilhões até 2028, despontando como um dos maiores aportes do setor privado brasileiro. A indústria tem materializado esses investimentos em empreendimentos que geram emprego, renda e desenvolvimento sustentável em mais de 1 mil municípios brasileiros.

O professor Marcio Funchal, da Marcio Funchal Consultoria, ressalta que o Brasil possui vantagens comparativas, como alta disponibilidade de terras, preços atrativos para compra ou arrendamento e alta produtividade dos plantios florestais. No entanto, é necessário revisar essas vantagens para garantir a competitividade futura, considerando a fragmentação de grandes projetos florestais e a chegada a regiões com logística menos privilegiada.

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Caroline Martin
Jornalista com 17 anos de experiência, sendo 6 deles em redação e 11 como freelancer. Formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo, teve o seu desenvolvimento profissional focado em redação e edição de conteúdos para editorias variadas de veículos impressos e online. O contato com a indústria de celulose e papel teve início em 2010, quando começou a atuar como repórter da revista O Papel, publicação mensal da Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP), que hoje circula nas versões impressa e digital. Desde então, produz reportagens técnicas relacionadas à cadeia produtiva do setor, incluindo análises de mercado, inovações tecnológicas e perfis profissionais. Em 2015, foi vencedora do Prêmio Especialistas — Categoria Papel e Celulose, promovido pela revista Negócios da Comunicação.

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