As áreas de recuperação de resíduos e tratamento de efluentes ganharam destaque nesta quarta-feira, 05/10, na Sessão Técnica de Meio Ambiente do ABTCP 2011. Os trabalhos apresentados ao longo do dia esboçaram as melhorias vistas nos últimos anos e as promessas futuras para o melhor aproveitamento de materiais resultantes do processo fabril de celulose e papel.
“Trata-se de um ponto que teve avanços significativos e que, ao mesmo tempo, apresenta inúmeras oportunidades”, pontuou o moderador Umberto Cinque, gerente de Meio Ambiente Industrial da Fibria. Entre os trabalhos apresentados, Cinque destacou o tema escolhido pela autora Cláudia Alcaraz Zini, pesquisadora e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
“Biodesenvolvimento é um assunto atual, no qual o setor tem demonstrado bastante interesse, por trazer alternativas comerciais à indústria de celulose e papel”, disse Cinque quanto ao estudo sobre o bio-óleo. Nas palavras da autora do trabalho, o objetivo inicial da pesquisa era submeter a serragem, os rejeitos da digestão e o lodo da estação de tratamento de efluentes resultantes da fabricação de celulose de eucalipto ao processo de pirólise rápida.
“Queríamos investigar uma rota processual alternativa que agregasse valor a estes materiais”, explicou Cláudia. A meta da pesquisa foi atingida com sucesso. De acordo com as conclusões da pesquisadora, a análise do bio-óleo e da fração não condensável da pirólise do rejeito do digestor mostrou que existe potencial de emprego destas frações como combustível e/ou para produção de resinas fenólicas e outros produtos.
Cláudia lembrou, ainda, que o uso de resíduos para fabricação de produtos de maior valor agregado soma vantagens ambientais, sendo que os ganhos econômicos podem ser ajustados com base na escala de produção, no tipo de sistema empregado e no valor agregado do produto alvo.
Questionada sobre os caminhos para o trabalho passar do laboratório à escala comercial, a professora da UFRGS defendeu uma maior integração entre o setor privado e os centros acadêmicos. “Este trajeto já vem sendo traçado no exterior. Acredito que, se as empresas brasileiras tiveram de fato o interesse em diversificar os negócios, devem abrir janelas para o desenvolvimento de novos produtos”, concluiu, incentivando a parceria.



