Durante o Suzano Investor Day, realizado na última quinta-feira (11) no Hotel Pullman Vila Olímpia, em São Paulo, a Suzano detalhou os próximos passos da joint venture firmada com a Kimberly-Clark, operação que dará origem a um dos maiores players globais de tissue. As informações foram apresentadas por Luis Bueno, vice-presidente executivo de Bens de Consumo da Suzano, e complementadas por comentários do CEO da empresa, Beto Abreu, durante a coletiva de imprensa com jornalistas.
Antes de abordar diretamente a joint venture, Bueno contextualizou o desempenho do negócio de bens de consumo da Suzano no Brasil, destacando que, mesmo em um cenário de maior equilíbrio entre oferta e demanda no mercado doméstico, a companhia conseguiu avançar em preço e participação. Segundo o executivo, a empresa alcançou um prêmio médio de 18% em relação ao mercado, movimento que sustentou ganhos de rentabilidade e expansão de market share em 2025. “Mesmo nesse cenário, conseguimos aumentar preços e manter um prêmio relevante frente à média do mercado”, afirmou.
Regionalmente, a Suzano manteve posições de liderança nas regiões Norte, Nordeste e Sul e avançou de forma relevante no Sudeste, onde subiu da quinta para a terceira posição em participação de mercado. Para os próximos anos, Bueno ressaltou que a entrada em operação da nova máquina em Aracruz (ES) deve reforçar a disponibilidade de produtos e elevar o nível de serviço aos clientes. “Essa nova capacidade vai nos permitir servir melhor, com mais rapidez, e continuar avançando em participação de mercado”, disse, destacando que a estratégia está ancorada em três pilares, com ênfase no fortalecimento das marcas.
Na sequência, o executivo detalhou o andamento da joint venture com a Kimberly-Clark, anunciada em junho deste ano. A operação criará o oitavo maior player global de tissue, com capacidade total de cerca de 1 milhão de toneladas, receita líquida pro forma de aproximadamente US$ 3,3 bilhões, EBITDA ajustado pro forma de cerca de US$ 500 milhões e uma base de aproximadamente 9 mil funcionários. A estrutura societária prevê 51% de participação da Suzano e 49% da Kimberly-Clark.

Segundo Bueno, o processo de carve-out do negócio de tissue e professional da Kimberly-Clark já está em andamento. “Todos os nossos times estão trabalhando para separar o negócio de tissue e professional da operação da Kimberly-Clark”, afirmou. A expectativa é que a aprovação dos órgãos antitruste ocorra até o segundo trimestre de 2026, com o closing da operação previsto para o meio do próximo ano.
Após o fechamento, a joint venture entrará em uma fase transitória, ainda operando sob TSAs (Transition Services Agreements). No entanto, a ambição da Suzano é reduzir esse período ao máximo. “Vamos trabalhar para eliminar os TSAs muito rapidamente e esperamos encerrar esses serviços transitórios ainda em 2026”, disse Bueno. A etapa seguinte prevê a criação de uma empresa totalmente independente e autônoma, com governança própria, conselho próprio e uma nova marca, que deverá ser anunciada após o fechamento da operação.
Paralelamente ao processo regulatório, a Suzano vem aprofundando o plano de negócios da joint venture, com foco na captura de US$ 175 milhões em ganhos operacionais ao longo dos próximos três anos. Esses ganhos estão concentrados principalmente em suprimentos (37%), operações industriais (34%), G&A (13%) e logística (12%), além de outras frentes menores. As alavancas incluem melhorias de eficiência operacional, otimização de OEE, redução de custos variáveis, ajustes no mix de produtos, estratégia de fibras, manutenção e otimização de capex, além de ganhos na cadeia logística e em SG&A.
Bueno destacou que um dos principais diferenciais da abordagem adotada pela Suzano é o aprendizado acumulado em processos de M&A e a atenção aos riscos mais comuns nessas operações. “Sabemos que diferenças culturais, dificuldades de implementação e sinergias superestimadas são alguns dos principais fatores que comprometem a criação de valor em fusões e aquisições”, afirmou. Por isso, a construção da cultura da nova empresa foi definida como um pilar central da estratégia. “Estamos desenhando a estrutura organizacional, os sistemas de incentivo e a gestão de desempenho desde já, porque acreditamos que isso será fundamental para capturar os ganhos anunciados”, disse.
Durante a sessão de perguntas, o CEO Beto Abreu comentou sobre as perspectivas de expansão futura da joint venture, especialmente em mercados como os Estados Unidos e a Europa. Questionado sobre a possibilidade de novos movimentos envolvendo ativos da Kimberly-Clark no mercado norte-americano, Abreu foi cauteloso. “Gostamos do mercado americano, é um mercado consolidado e com ambiente de negócios favorável. Mas, neste momento, o foco é entregar o que acabamos de comprar”, afirmou. Segundo ele, a companhia entende que será necessário um período mínimo de dois anos após o fechamento para consolidar a operação e comprovar a geração de valor antes de avaliar novos movimentos estratégicos.
Em relação à Europa, Abreu reconheceu que o mercado enfrenta desafios adicionais, incluindo maior exposição às exportações asiáticas, especialmente da China. “Essa exposição já é uma realidade. A China vem aumentando suas exportações e a Europa é um dos mercados que está absorvendo parte desse volume que deixou de ir para os Estados Unidos”, afirmou. Ainda assim, o executivo reforçou que a Suzano pretende manter sua estratégia histórica de foco em competitividade. “A Suzano sempre buscou ser best in class em custo. À medida que o mundo avança, surgem novas tecnologias e novas oportunidades, e nossa expectativa é continuar sendo referência em competitividade na indústria”, concluiu.



