Tratamento Enzimático

TRATAMENTO ENZIMÁTICO SOBRE AS FIBRAS
RECICLADAS DE PAPELÃO ONDULADO


Autores: Gilson da Silva Cardoso 1, Jefferson Luiz Lopes 1, Marcilene Rocha dos Santos 1 Rodrigo José Ferreira Lopes1
1 Senai – Telêmaco Borba-PR. Brasil

O PAPEL vol. 79, num. 7, pp. 80 – 86 JUL 2018


RESUMO
O uso de fibras recicladas de papelão ondulado na fabricação
de papel de embalagem tem despertado o interesse numa
maior compreensão acerca da qualidade das fibras. Assim, as
indústrias de papel reciclado buscam estratégias para o aumento
da competitividade. O presente trabalho tem como objetivo
avaliar os efeitos da enzima celulase na qualidade das fibras
recicladas de papelão ondulado sendo aplicadas antes e depois
da refinação. Para isso, inicialmente as polpas foram submetidas
ao tratamento enzimático antes da refinação com dosagens
de 500 e 1.000 g de enzimas/ tonelada de polpa na base seca
pelo período de 1 hora, sendo a amostra de controle analisada
sem a aplicação de enzimas. Após o tratamento enzimático foi
realizada a refinação da amostra de polpa, em um refinador
Jokro, até grau de drenabilidade Schopper Riegler de aproximadamente
40 °SR, e avaliada a qualidade das fibras por meio do
ensaio de morfologia das fibras feito pelo equipamento MORFI.
Observou-se que a aplicação das enzimas reduziu em aproximadamente
40% o tempo de refinação em comparação àquele
da amostra controle, e apresentou melhoria na ligação entre
fibras, o que foi verificado pelo aumento do Relative Bonded
Àrea (RBA). Quanto ao índice de torção e curvatura das fibras
ambos permaneceram constantes. Num segundo tratamento a
polpa foi submetida à refinação no refinador Jokro com tempo
fixo de 10 minutos. Em seguida, foram aplicadas as enzimas
em dosagens de 200 e 500 g de enzimas/ tonelada de polpa na
base seca durante 1 hora, com exceção da amostra de controle,
mantendo a temperatura em 50 e 55 °C. Nessa etapa a caracterização
química se deu por meio da análise da viscosidade e
os impactos físicos foram avaliados por meio do grau de drenabilidade
(°SR) e pela caracterização morfológica das fibras pelo
equipamento MORFI. Dessa forma, observou-se que houve uma
queda de 15% em relação ao °SR entre a amostra de controle e
aplicação de 0,05% de enzima, indicando uma melhora na drenagem,
o que pode contribuir para economia de vapor na secagem
e aumento de produção. Também foi notada uma redução
na viscosidade e pouca variação de percentual de finos. Com
isso foi possível verificar a eficácia do pré-tratamento enzimático
na refinação e comprovar que o pós-tratamento enzimático também
pode trazer benefícios quanto à qualidade da fibra.


Palavras chave: Refinação. Papelão ondulado. Enzimas. Morfologia.


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