PRODUÇÃO E COMÉRCIO MUNDIAL DE PRODUTOS FLORESTAIS
Valor do comércio de bens e produtos cresceu quase 300% nos últimos 20 anos
É inegável que nas últimas décadas as cadeias produtivas de todos os países tenham se interconectado em complexas cadeias de negócios globais. A cada dia se torna
mais obsoleto o conceito de indústrias do início do século passado em que a receita de sucesso e prosperidade era a verticalização das operações (como no clássico exemplo do automóvel, onde o “modelo” era que cada fábrica produzisse seus próprios pneus, acabamentos internos, partes mecânicas etc.).
Vimos mais recentemente uma explosão do comércio mundial de produtos e serviços. Dados da Organização Mundial do Comércio apontam que o valor do comércio de bens e produtos cresceu quase 300% nos últimos 20 anos, mostrando assim que as negociações de compra e venda entre empresas de diferentes países se consolidaram no modelo produtivo mundial.
Para acompanhar o aumento do comércio internacional de
mercadorias, foi necessário também um aumento da produção
mundial dos mais diversos produtos. A Figura 1 resume como
se deu o crescimento da produção mundial de produtos do
setor florestal. Embora alguns desses tenham vislumbrado um
crescimento muito elevado (os painéis de madeira são exemplos desse fenômeno), outros tiveram um aumento relativo
mais conservador (como na tora e na celulose).
Mas como “padrão”, uma parte da produção do país é comercializada no mercado interno, atendendo à demanda local,
e outra parte é exportada para empresas localizadas em outros
países. Nas Figuras (2 e 3) a seguir são apresentadas as configurações do mercado mundial dessas cadeias produtivas do
setor florestal, durante o período dos últimos 20 anos.
A primeira análise envolve o destino da produção mundial
de tora (ver Figura 2) e de cavaco (Figura 3). Em ambas as
situações é fácil perceber uma estabilidade geral do volume
da produção destinado ao consumo interno e do volume de
produção destinado ao comércio internacional. Em termos
relativos, ambos os produtos têm expressividade limitada no
comércio mundial.
A Figura 4 mostra que cerca de 30% da produção mundial de
madeira serrada (nas mais diversas configurações de qualidade,
acabamento e tamanhos) tem sido destinada ao comércio internacional durante praticamente todo o horizonte de análise. Por outro
lado, se vê na Figura 5 que a importância do comércio internacional para os painéis de madeira sólida (chapas de compensado, OSB,
painel colado lateral e outros) caiu no período selecionado (representando hoje cerca de 1/4 da produção mundial deste produto).
As próximas duas análises mostram situações antagônicas. No
caso dos painéis de fibra de madeira (MDF, MDP, HDF e outros),
a importância do consumo dos mercados internos cresceu fortemente nos últimos 20 anos, embora tenha-se uma ligeira retra-
ção desde 2015 (passou de 80% no ano citado para 76% em 2022,
conforme a Figura 6). Mesmo assim, no acumulado, a relevância
do mercado doméstico permanece bastante significativa.
Já na Figura 7 tem-se certa estabilidade no crescimento da
importância do mercado internacional como destino da produção mundial de celulose. Contudo, a proporção entre comércio internacional e mercado doméstico tem se mantido praticamente constante desde 2016.
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