Poucas empresas constroem uma trajetória de desenvolvimento tão sólida a ponto de se tornar uma referência geográfica. Menos ainda veem o próprio nome incorporado à identidade de uma comunidade, atravessando gerações até substituir, no vocabulário cotidiano, a denominação original do lugar onde estão instaladas. Mas é assim que se traduz em resumo a história da empresa que vamos contar…
Em Santa Cecília, no Planalto Serrano de Santa Catarina, dizer que alguém mora “na Polpa”, trabalha “na Polpa” ou precisa ir “até a Polpa” significa, há décadas, muito mais do que se referir a uma fábrica. A expressão sintetiza uma relação construída entre indústria, território e pessoas desde 1958, quando a então Polpa de Madeiras iniciou suas atividades na localidade de Faxinal das Águas, a aproximadamente 20 quilômetros do centro urbano do município.
Ao redor da atividade industrial, foram construídas casas para alguns dos primeiros trabalhadores. Com o passar dos anos, outras famílias chegaram, novas residências surgiram e diferentes gerações passaram a compartilhar uma rotina na qual a fábrica não era apenas o local de trabalho, mas também uma presença constante na organização da vida comunitária. Como a empresa se chamava Polpa de Madeiras, a referência foi se tornando natural: morava-se na Vila da Polpa, o acesso levava à Polpa, as famílias viviam na Polpa. O nome original permaneceu nos registros oficiais, entretanto, no cotidiano, Faxinal das Águas já havia se tornado Vila Polpa muito antes de o município reconhecer formalmente essa identidade.
Em 2026, ano em que a companhia completa 68 anos, esse vínculo ganhou uma nova dimensão com a oficialização do nome Vila Polpa. A iniciativa não partiu da própria empresa, mas de uma proposta apresentada no Legislativo municipal, transformando em denominação oficial aquilo que a comunidade já havia consolidado ao longo de décadas.
Para Rita de Fátima Pinto, diretora da Polpa Papéis, o reconhecimento sintetiza uma história construída por diferentes gerações.
“Recebemos essa homenagem como uma honrosa distinção e como um reconhecimento à história construída com muito trabalho, dedicação e amor. Desde os fundadores, houve uma grande capacidade de realização. Em 1958, os recursos, o acesso e a tecnologia eram muito mais limitados, e ainda assim aquela operação foi iniciada. Ao longo de décadas, esse zelo contribuiu para que as pessoas também se vinculassem à empresa. Há famílias inteiras e até três gerações que trabalharam ou trabalham aqui. Isso ajudou a construir o que temos hoje”, afirma.
É justamente nesse encontro entre passado, presente e futuro que a Polpa chega aos 68 anos. A empresa que começou produzindo pasta mecânica atravessou diferentes ciclos industriais, diversificou produtos, enfrentou dificuldades, teve sua planta arrendada e precisou reconstruir a própria viabilidade antes de chegar à configuração atual: uma operação especializada em papel cartão maculatura, baseada em matéria-prima 100% reciclada, com capacidade nominal de aproximadamente 25,2 mil toneladas por ano, consumo estimado de quase 31,8 mil toneladas anuais de aparas e uma nova etapa de investimentos voltados à qualidade, estabilidade operacional e modernização tecnológica.
Ao mesmo tempo, a fábrica continua inseparável da comunidade formada ao seu redor. A Vila Polpa abriga cerca de 180 moradores, entre eles, aproximadamente 70 colaboradores e seus familiares, e reúne moradias, escola, posto de saúde, igrejas, espaços esportivos, áreas de convivência e iniciativas voltadas ao bem-estar. A companhia também está entre os principais agentes econômicos de Santa Cecília, município catarinense com cerca de 15 mil habitantes, e procura traduzir sua presença local em geração de renda, contratação de serviços, infraestrutura e desenvolvimento humano.
Essa combinação ajuda a explicar por que a história da Polpa não pode ser contada apenas pela evolução de suas máquinas ou pelo volume de papel produzido. A trajetória industrial, as transformações do produto, o conhecimento acumulado por funcionários com décadas de casa e a própria formação da Vila Polpa se cruzam continuamente. Aos 68 anos, a companhia procura construir seu próximo ciclo justamente sobre essa herança.
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