Suzano encerra as atividades da fábrica Rio Verde, dedicada a produção de papéis para imprimir e escrever

Decisão foi tomada com base na estratégia da companhia, que tem trabalhado com foco em aumento de competitividade em negócios estratégicos

A Suzano informou que finalizou as operações da fábrica Rio Verde, localizada no município de Suzano (SP), após uma análise detalhada de seu portfólio industrial. A unidade era dedicada à produção de papéis para imprimir e escrever, incluindo o papel pólen, amplamente utilizado na produção de livros, segmento que vem enfrentando retração estrutural no Brasil e no mundo.

Em nota, a companhia afirmou que a decisão tem como objetivo concentrar esforços nas operações da Unidade de Negócios de Papéis e Embalagens no Brasil, que inclui as fábricas Suzano, Limeira e Mucuri, além das operações internacionais em Pine Bluff e Waynesville, nos Estados Unidos. Segundo a empresa, o movimento busca fortalecer a competitividade, gerar valor e sustentar o crescimento do negócio no longo prazo.

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A fábrica Rio Verde era a menor unidade da Suzano voltada à produção de papéis para imprimir e escrever, com capacidade instalada de aproximadamente 50 mil toneladas por ano. Esse volume representa cerca de 4,8% da capacidade total da companhia nesse segmento, estimada em 1,05 milhão de toneladas anuais, de acordo com informações públicas da empresa.

Em comparação, a unidade de Limeira, também no interior paulista, possui capacidade da ordem de 400 mil toneladas por ano, enquanto a unidade Suzano conta com produção integrada de celulose e papel, além de papel cartão.

A decisão de encerramento ocorre em um contexto de pressão estrutural sobre o mercado de papéis para imprimir e escrever, impactado principalmente pelo avanço da digitalização, pela concorrência de produtos importados e pelo desvio de finalidade de papéis isentos de tributação no mercado doméstico. Dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) indicam que a produção nacional desse tipo de papel apresentou retração de 1,4% no ano, refletindo mudanças no padrão de consumo e na demanda institucional.

No terceiro trimestre de 2025, por exemplo, a demanda por papéis para imprimir e escrever no Brasil apresentou queda na comparação anual, influenciada por uma base de comparação elevada em 2024, quando o segmento foi impulsionado pelas eleições municipais. Apesar de movimentos sazonais positivos em alguns períodos, a tendência estrutural do mercado segue desafiadora, o que tem levado produtores a revisarem suas estratégias industriais.

Durante o Suzano Investor Day 2025, a companhia já havia sinalizado que a busca por maior competitividade passaria por uma alocação mais eficiente de capital, revisão do portfólio de ativos e foco em operações mais integradas, escaláveis e competitivas. Nesse contexto, o fechamento da unidade Rio Verde se insere como parte de um reposicionamento estratégico mais amplo, alinhado às prioridades apresentadas aos investidores.

A Suzano informou ainda que o encerramento das atividades exigiu ajustes na equipe da unidade. Segundo a empresa, todos os colaboradores desligados estão recebendo a assistência necessária, conforme as políticas internas e a legislação vigente. A companhia também ressaltou que a decisão não afetará seus clientes, uma vez que 100% do portfólio de produtos continuará sendo produzido, com a redistribuição da fabricação entre as demais unidades de papéis e embalagens.

Com o fechamento da fábrica Rio Verde, a Suzano mantém sua atuação no segmento de papéis para imprimir e escrever concentrada em unidades de maior escala e eficiência, ao mesmo tempo em que reforça sua estratégia de longo prazo voltada à competitividade, disciplina de capital e adaptação às transformações do mercado global de papel.

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Fernanda Capo
Advogada formada na Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Jornalismo Digital pela Fundação Casper Líbero.

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