A 14ª Semana de Celulose e Papel de Três Lagoas chegou ao fim nessa quinta-feira (27), com os painéis de Papel e Indústria 5.0 fechando a programação técnica em torno do tema “Da floresta ao papel: desafios e caminhos para a competitividade na produção sustentável de celulose e papel”. Ao longo dos três dias de evento, mais de 500 participantes, cerca de 190 pessoas por dia, passaram pela unidade da Suzano em Três Lagoas, acompanhando painéis, debates e a visita à fábrica. Além disso, mais de 150 alunos da faculdade AEMS viveram momentos de aprendizado, troca e conexão com o setor.
“A 14ª Semana de Celulose e Papel de Três Lagoas superou todas as nossas expectativas e, para mim, foi um daqueles momentos que reforçam o quanto vale a pena trabalhar pelo desenvolvimento do nosso setor”, avalia Viviane Nunes, Head de Educação da ABTCP.
Painel Papel
Moderado por Willian Rodrigo Oliveira, Gerente de Unidade de Negócios na Sylvamo, o painel discutiu a transformação no perfil profissional do setor diante da chegada de novas tecnologias de dados e inteligência artificial.
Para o moderador, o setor de papel e celulose atravessa um momento de mudança estrutural no processo de tomada de decisão. “A gente tem uma mudança de perfil daquele profissional que tomava a decisão através do conhecimento tácito e vai passar a tomar a decisão através de uma base de dados”, explica Oliveira, apontando que essa transição permite decisões mais assertivas em menos tempo.
Segundo ele, o principal desafio não é tecnológico, mas humano – está na capacidade das pessoas de aceitar decisões baseadas em dados, mesmo quando contrariam a experiência prática acumulada ao longo dos anos. “É uma quebra de paradigma. Essa mudança tem que acontecer de dentro pra fora, não de fora pra dentro”, afirma. Para reforçar a urgência dessa adaptação, o moderador foi enfático: “Eu tenho certeza que existem empresas que daqui a cinco anos não vão nem existir mais, e hoje elas nem sabem disso.”
Ao relacionar o tema com a competitividade do setor, Oliveira destacou que adquirir tecnologia não é suficiente sem saber aplicá-la no dia a dia. “Não basta eu comprar uma tecnologia de inteligência artificial, mas se eu não souber como utilizar e aplicar isso no meu dia a dia para realmente transformar em valor, eu posso estar trabalhando de uma maneira equivocada”, diz. Para ele, o caminho passa por associar o conhecimento acumulado do setor à agilidade na tomada de decisão, de forma sustentável e eficiente.
Painel Indústria 5.0
Encerrando a programação técnica, o painel de Indústria 5.0 foi moderado por Gabriel Batista de Paula e Souza, da Eldorado, com foco na integração entre pessoas e tecnologia como próximo passo da digitalização do setor.
Segundo o moderador, o principal insight do painel foi justamente essa evolução em relação à Indústria 4.0. “A Indústria 4.0 estava minimamente olhando apenas para novas tecnologias e aplicações de inteligência artificial. Agora a gente vê essas tecnologias apoiando também a qualidade das pessoas que trabalham, trazendo novos insights para a indústria”, explica Souza.
Entre as tecnologias digitais em destaque, o moderador citou soluções de modelagem voltadas ao aumento de produtividade e à identificação de problemas de produção, além de gêmeos digitais, controles avançados e sensores virtuais como frentes com potencial de ganho para a celulose e o papel.
Para Souza, o painel reflete bem o momento atual do setor em termos de digitalização – mas com uma ressalva. “O setor de celulose tende a ser um setor bem inovador, essas novas aplicações vêm trazer muitos ganhos, mas a gente também não pode esquecer de garantir a base para que a gente consiga alcançar novas tecnologias e novas implementações”, pondera.
Com os painéis de Papel e Indústria 5.0, a 14ª Semana de Celulose e Papel de Três Lagoas chega ao fim. Ao longo de três dias, o evento reuniu discussões que passaram pela formação de pessoas e soluções tecnológicas na produção de celulose no primeiro dia, sustentabilidade socioambiental e eficiência de processo no segundo dia, até a transformação digital que fechou a programação.
Para Nunes, o saldo da edição reforça que não existe avanço competitivo no setor sem investimento em pessoas. “Saio dessa semana com a certeza de que não existe transformação sustentável sem pessoas preparadas. Investir em conhecimento, formação e desenvolvimento é investir no futuro da nossa indústria”, afirma. Como responsável pela Universidade Setorial da ABTCP, ela destaca a satisfação de contribuir para essa aproximação entre conhecimento, profissionais, estudantes e empresas – e resume o saldo do evento: “As expectativas foram superadas. E o mais importante: seguimos construindo juntos o futuro do nosso setor”.
Segundo Eduardo Ferraz, diretor de Operações Industriais da Suzano em Três Lagoas, o valor do evento está justamente nessa troca entre quem já está no setor e quem está se formando agora. “O grande valor está na troca real entre quem pesquisa, quem trabalha na indústria e quem está se formando agora, e isso só acontece porque há parceria entre empresas, universidades e entidades como a ABTCP”, avalia. Para ele, é essa rede – entre indústria, ensino e poder público – que vai definir se o crescimento do setor seguirá sendo sustentável no futuro.
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