Congresso ABTCP 2026 destaca competitividade, inovação e sustentabilidade no segundo dia

Programação ampliou o debate técnico sobre madeira, celulose, embalagens e processos

O segundo dia do 58º Congresso e Exposição Internacional de Celulose e Papel ABTCP 2026, realizado nesta quarta-feira (7), reuniu profissionais e especialistas da cadeia de celulose, papel e base florestal em uma programação marcada por discussões sobre competitividade, inovação, transformação digital, sustentabilidade e eficiência industrial.

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Fotos: Fausto Takao

Leia aqui sobre como foi o primeiro dia do evento.

Sessões Técnicas da manhã

Crédito: Fausto Takao

Entre os destaques da primeira Sessão Técnica de Papel esteve o keynote de Antonio Lemos, presidente da Voith Paper América do Sul, com a apresentação “Prosperar na incerteza? A nova equação de competitividade da indústria de papel latino-americana”.

Adicionalmente, executivos da Kadant South America, Petrofer e Petrofer Brasil, Trisolutions Soluções em Engenharia, e Axchem Brasil trouxeram discussões sobre temas relevantes.

As apresentações englobaram: “Auditoria de sistemas de vapor e condensado: uma abordagem para otimização de desempenho e suporte a projetos de melhoria em máquinas de papel”; “Desenvolvimento de um fluido de corte sustentável para converting de papel e análise via teste de Reichert”; “Otimização de custo e qualidade de aplicação de tinta no papel para embalagem”; “Mais reciclagem, menos água, mais desafios: como o equilíbrio químico sustenta a eficiência e estabilidade na produção de papel”; e “Repulping enzimático: alternativa sustentável aos processos oxidativos na reciclagem de papel”. 

Na avaliação de Marco Antonio Fuzato, diretor de Operações da Suzano e moderador da sessão, a evolução da qualidade técnica das apresentações e do público qualificado do Congresso resultou numa oportunidade rica para os players do setor. 

“A qualidade das apresentações técnicas nesta manhã também superou minhas expectativas. Tenho visitado o Congresso nos últimos três anos e esta foi a melhor edição desde então, com temas diversos, muitas aplicações e inovações relevantes, com palestrantes bem preparados e um público engajado”, destacou Fuzato.

Em paralelo, a Sessão Técnica de Qualidade da Madeira trouxe as palestras especiais de Leandro Dalvi, da Cenibra – “Arquitetura molecular da madeira: engenharia de processos e fronteiras de biorrefinaria” – e de Aguinaldo José de Souza, da Suzano – “Um breve histórico da QM para produção de celulose tropical no Brasil. 

Outras apresentações falaram sobre: “Densidade básica da madeira de eucalipto: variabilidade, estratégias de amostragem e otimização” (UFES); “Determinação dos extrativos da madeira visando o controle do processo industrial” (UESB); “Influência da amostra de madeira na determinação da densidade de eucalipto” (Universidade Federal do Espírito Santo).  

Para Flaviana Milagres, coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) na Klabin e moderadora da sessão, destacou que a madeira era vista antigamente somente como uma simples matéria-prima e hoje mostra muito mais que isso: mostra valor.

Flaviana: “A gente precisa conhecer cada vez mais essa matéria-prima, porque ela representa de 40% a 60% do custo da indústria de celulose e papel e está na base do nosso produto. Além disso, a madeira já é uma própria biorrefinaria: temos oportunidades de trabalhar com celulose, hemiceluloses, lignina, fibras e extrativos para diferentes aplicações. Para avançarmos, também precisamos estabelecer metodologias mais integradas entre as empresas para medir e avaliar a qualidade dessa matéria-prima.”

Já na Sessão Técnica de Transformação Digital e Inovação, Flavio Mine, especialista em Dados e Inteligência Artificial da Cenibra e moderador, destacou que o enfoque foi a integração entre pessoas, tecnologia e processos. “Contamos com palestras sobre aplicações de inteligência artificial, visão computacional, gêmeos digitais e soluções voltadas à economia circular, além de iniciativas que colocam o desenvolvimento das pessoas no centro da transformação”, disse.

Para Mine, os casos apresentados mostram como o uso estratégico da tecnologia pode gerar ganhos de eficiência, resultados mensuráveis e novas oportunidades para uma indústria mais competitiva e sustentável.

Na ocasião, Denilson da Silva Perez, do CEA-Liten, abordou o tema “Além da celulose: desafios e oportunidades em energias alternativas e valorização sustentável do carbono”. Já o Dr. Antti Lindqvist apresentou a palestra especial “Desenvolvimento de competências impulsionado por IA na indústria de celulose e papel: um caso de transformação digital”.

Os demais conteúdos da sessão abrangeram um estudo de caso da transformação digital centrada em pessoas, pela Oji Papéis Especiais; treinamento de IA para monitoramento e controle de sumpits em caldeiras de recuperação química, pela Bracell; gestão inteligente de gás natural, pela Suzano; e ecossistemas de treinamento do futuro das fábricas de celulose e usinas de energia, da UFMG.

Simultaneamente, na Sessão de Recuperação e Energia, Fábio Henrique Lucas da Costa, coordenador de Recuperação e Utilidades da Veracel e moderador indicou que as palestras trouxeram desafios muito atuais das fábricas.

“Tivemos a discussão sobre os desafios da caustificação e a evolução dos controles modernos; a evaporação, que hoje sofre bastante com a variação do mix e da qualidade da madeira; a otimização de plantas para reduzir o consumo de vapor e, com isso, gerar e exportar mais energia; além da otimização da lavagem dos efeitos e de novas tecnologias para melhorar a eficiência de filtração e prolongar a campanha dos equipamentos. Para fechar, discutimos a evolução dos sopradores de fuligem, que são fundamentais para ajudar as caldeiras a chegar a campanhas de 18 meses sem uma parada intermediária para lavagem”, apontou da Costa.

Ronaldo Lesnik, da CMPC do Chile, apresentou o keynote “O desafio da WLP frente às novas tecnologias e oportunidades na área digital”. Na sequência, os demais temas apresentados foram:

“Avaliação da performance de sistemas de decantação para tratamento de condensados secundários de uma planta de evaporação”, pela LD Celulose; “Otimização de planta de evaporação múltiplos efeitos e seu impacto no consumo energético em uma unidade de produção de celulose”, pela Tequaly; “Otimizações na evaporação para aumento de processamentos de sólidos”, pela Bracell; “Avaliação técnico-indústrial do uso de polímero como auxiliar de drenagem em sistemas X-filter na filtragem de licor verde”, pela Dorf Ketal Brasil; “Arquitetura de medição redundante de sólidos em licor negro via refratômetros: caminho para operação confiável sem divert”, da Arauco; e “Mitigação de incrustações em caldeira de recuperação em Montes del Plata”, pela Clyde Industries.

Completando o quadro da manhã, a primeira Sessão Técnica de Meio Ambiente teve como keynote “Segurança Ambiental e Valorização de Recursos”, apresentado por Massimiliano Santavicca, da Veolia Water Tech.

Outros temas abordados incluíram gêmeo digital, aplicação de IA na operação de sistema BAS, contribuição da análise participativa de serviços ecossistêmicos no PEA, redução de toxicidade crônica e estrogenicidade em efluentes, uso do pensamento lateral na resolução de problemas ambientais, e nova abordagem de descarga zero. 

De acordo com Tarciso Andrade de Matos, coordenador de Meio Ambiente da Veracel Celulose e moderador, a parte da manhã teve palestras bastante provocativas e que trouxeram muito aprendizado para todo o público do setor de celulose e papel que esteve presente. “Foram abordados temas tanto da parte social quanto da parte técnica, incluindo inteligência artificial. Estou voltando para a Veracel com algumas ideias e também com contatos de colegas que fiz aqui”, afirmou.

“Toda vez que participamos de um fórum técnico como este, podemos aproveitar muitas das boas práticas que deram certo em outras empresas e adaptá-las com muito sucesso quando voltamos para casa. Quando promovemos ambientes como este, de diálogo e troca de experiências, cria uma oportunidade muito importante para todos nós aprendermos uns com os outros. Isso é bom para a redução de custos, é bom para o meio ambiente e, portanto, é uma oportunidade incrível para o setor de celulose e papel”, elucidou de Matos.

Sessões Técnicas da tarde

No período da tarde, a programação seguiu com Sessões Técnicas de Embalagens, Celulose II, Recuperação e Energia II, Florestal e Meio Ambiente II. Entre os destaques esteve o keynote de Jacques Gimenes, Head de P&DI | Papel, Cartão e Embalagem, da Ibema, sobre “Impactos e oportunidades da  PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos) em embalagens de papel cartão reciclado”.

As demais palestras discutiram o futuro das barreiras em embalagens de papel (Klabin), redução de produtos químicos (AFT) e desafios da fabricação de papel e papelão a partir de fibras alternativas (ACOTEPAC).

Na Sessão de Celulose I, Thanh Trung, da BTG-FITNIR, destaque como keynote, apresentou a palestra “Superando gargalos: inovações tecnológicas que estão transformando o desempenho das fábricas de celulose e o desenvolvimento de bioprodutos”.

Os outros palestrantes, por sua vez, abordaram os seguintes temas: “Eficiência no uso de recursos florestais, a importância do digestor e da deslignificação na bioeconomia” (Suzano); “Especialidades em fluff redefinindo o controle de odor em mercados emergentes de incontinência adulta” (Klabin); “Feltros para máquinas de celulose”, (Voith); “Aprimoramento da eficiência da deslignificação com oxigênio por meio do reforço com peróxido de hidrogênio” (UFRRJ); “Impacto dos parâmetros de processo na elevação do índice de tração: uma experiência industrial na Suzano – Unidade Imperatriz” (Suzano); e “Valorização do bagaço de cana-de-açúcar para produção de polpa kraft aplicada a papéis tissue” (UFV).

Para o consultor e mediador da sessão, Carlos Augusto do Amaral, a qualidade técnica das apresentações é um grande diferencial que reforça a posição estratégica do Congresso. “São apresentações que passam por uma avaliação crítica e possuem oportunidades com boa aplicabilidade. Temos uma diversificação muito interessante de projetos que saem da academia e precisamos fazer chegar à indústria, desenvolvendo produtos ao invés de procurar no mercado externo”, ponderou do Amaral.

Já na Sessão Florestal, Fernando José Borges Gomes, professor doutor da UFRRJ, falou sobre a relação entre a qualidade da madeira e a produção de celulose, no keynote “Da floresta a celulose: Quando a qualidade da madeira faz a diferença”.

Os demais debates técnicos apresentados foram: “Estratégia de amostragem com 1.000 árvores e seleção por Kennard-Stone para modelagem NIR em uma indústria de celulose no extremo sul da Bahia” e “Avaliação do uso de cal apagada (hidróxido de cálcio) na estabilização de solos para construção de estradas florestais”, ambos pela Veracel.

Houve também apresentações institucionais como o projeto de benchmarking setorial da ABTCP e a palestra da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) sobre estratégia de descarbonização para a indústria de celulose e papel.

Guilherme Oguri, gestor de Projetos e Estratégias do IPEF e moderador da sessão, pontuou que as palestras cobriram temas muito aplicáveis à realidade das empresas.

“Desde a qualidade da madeira e a amostragem por NIR, uma tecnologia nova e recente, mas com alta aplicabilidade, até o uso do resíduo da cal para estabilização de solos e estradas, que é um dos maiores custos da área florestal. Todas as palestras foram muito provocativas, trazendo discussões que fazem os profissionais voltarem para casa com uma lição de casa, para refletir e, às vezes, até repensar o dia a dia dos projetos”, resumiu Oguri.

A segunda programação da Sessão Técnica de Recuperação e Energia contou com o keynote de Marcelo Cardoso, da UFMG, sobre pesquisa e formação de profissionais na área de recuperação química.

Na sequência, aconteceram as apresentações: “Operação de turbinas com pressão variável durante o procedimento de partida de fábricas de celulose”, pela Eldorado; “Avanços tecnológicos no manejo de gases não condensáveis em caldeiras de recuperação kraft: contribuição para a bioeconomia circular e de baixo carbono”, pela Veracel; “Influência da sílica como NPE crítico na filtrabilidade da caustificação: estudo de caso Suzano Imperatriz”, pela Suzano; “Reavaliação do papel da planta de evaporação na integração energética do processo Kraft: uma avaliação técnico”, pela Tequaly; e “Granulometria da biomassa e estabilidade da caldeira de força: uma abordagem operacional para redução de oscilações na geração de vapor”, pela Eldorado.

A qualidade de alguns trabalhos chamaram a atenção de Sinésio Carvalho Soalheiro, moderador da sessão. “Eles demonstram como a pesquisa e a troca de experiências contribuem para a evolução dos processos da indústria”, avaliou.

Na Sessão de Meio Ambiente, Ismarley Morais, da UFRRJ, apresentou a proposta de repensar o papel das estações de tratamento de efluentes a partir da recuperação de recursos com a apresentação “A ETE do futuro não trata efluente — recupera recursos. Repensando a lógica hídrica, energética e material da indústria de celulose e papel”.

Os outros projetos apresentados foram: “Sensibilidade do DNA ambiental (eDNA) no biomonitoramento de precisão do mexilhão-dourado em ambiente industrial de tratamento de água” (UFPR); “Elevação do índice de conformidade do indicador de TRS nos fornos de cal 42 e 43” (Suzano); “Impacto do uso de combustível fóssil nas emissões de GEE de um projeto greenfield de fábrica de celulose com conceito ‘fossil fuel free’” (Afry); “Além da fonte industrial: influência de eventos climáticos na bioacumulação de dioxinas e furanos”  (Aplysia); e “Gestão circular do lodo do tratamento de águas e efluentes da indústria de celulose” (Arauco). 

O moderador Márcio Caliari resumiu a sessão em técnica e criatividade. “Tivemos trabalhos que trouxeram inovação por meio de técnicas apuradas e projetos que mostram a importância de pensar fora da caixa”, declarou.

Ao longo do dia, as sessões técnicas reuniram trabalhos e estudos de profissionais de empresas, universidades e instituições de pesquisa, com temas que passaram por embalagens, fibras alternativas, bioprodutos, qualidade da madeira, descarbonização, recuperação química, eficiência de processos e novas aplicações tecnológicas.

O segundo dia do Congresso também teve a área de exposição e a Sessão de Pôsteres, que seguem como espaços para apresentação de tecnologias, pesquisas e soluções voltadas à indústria de celulose e papel.

PPGCP: alunos apresentam trabalhos de conclusão de curso

Durante o segundo dia do Congresso ABTCP 2026, alunos do Programa de Preparação de Gestores de Celulose e Papel, promovido pela Universidade Setorial ABTCP, apresentaram seus trabalhos de conclusão, trazendo suas perspectivas sobre os desafios técnicos que as fábricas enfrentam.

PPGCP 2026

A turma pôde participar de todo o Congresso, visitando sessões técnicas e fazendo networking com executivos, especialistas e diversas pessoas envolvidas com o setor de papel e celulose. Com a apresentação de seus trabalhos para representantes das empresas patrocinadoras (Arauco, Solenis, Suzano, Sylvamo e Veracel) e acesso a diversas outras companhias desse mercado, os participantes do programa representam a próxima geração de gestores da indústria papeleira.

O Congresso continua amanhã

A programação do ABTCP 2026 continua nesta quinta-feira (8), último dia do Congresso, com sessões técnicas dedicadas a inovação, celulose, biorrefinaria e manutenção, além do Encontro de Estudantes e da área de exposição.

Acompanhe os destaques do evento nas redes sociais:

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Bianca Machado Jornalista
Bianca Machado é jornalista, pós-graduada em Gestão da Comunicação Digital e Mídias Sociais e desde 2021 escreve sobre os mercados de papel e celulose.

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