A Associação Nacional dos Distribuidores de Papel (ANDIPA) celebrou 25 anos de sua fundação nessa segunda-feira, 13, em um evento na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), na capital paulista. Reunindo associados e parceiros da cadeia de distribuição de papel, a programação do evento contou com palestras especiais estratégicas.
A abertura da programação foi conduzida por Italo Aguiar, Presidente do Conselho Diretor da ANDIPA, com uma apresentação institucional sobre a associação. O executivo destacou ainda que o nascimento da entidade ocorreu em um período em que a distribuição de papel no Brasil era muito ampla e, ao longo dos últimos 25 anos, passou por uma consolidação que transformou o segmento.
“O setor mudou muito nesse período, desde a horizontalização da indústria e a participação nas gráficas, bem como o tipo de produto ofertado, mas também apresenta desafios como o papel imune, que é debatido desde a fundação da ANDIPA até a atualidade”, comentou Aguiar.
Na sequência, Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos, realizou a apresentação “Cenário Macroeconômico 2026-2027”, em que abordou o panorama global e nacional para o biênio. Por fim, Bruno Garschagen, cientista político, escritor e comentarista, trouxe a palestra “Inteligência Política para Negócios”, destacando como as lideranças empresariais devem acompanhar estrategicamente o cenário político para conduzir seus negócios.
Bruno Garschagen, cientista político, escritor e comentarista (Créditos: Bruno Arita)
PAPEL IMUNE É PAUTA CENTRAL NO SETOR
Criada em 2001, a ANDIPA nasceu da necessidade de empresas do mercado de se unirem ante desafios em comum, buscando representação, diálogo e defesa da distribuição de papel no Brasil. Com a mudança nas demandas do mercado, bem como hábitos de consumo, tecnologias, e até mesmo questões tributárias e relações de comércio exterior, o marco do jubileu de prata também reforça a resiliência da associação de atravessar diferentes cenários.
Uma das pautas centrais dessa trajetória é a discussão sobre o papel imune, buscando combater os problemas gerados em decorrência do desvio de sua finalidade, onerando queda na arrecadação potencial, bem como uma competitividade desleal. Segundo Vittor Paulo de Andrade, ex-presidente do Conselho Diretor da ANDIPA e representante da fundadora Rio Branco Papéis, os desafios em relação ao papel imune foram um dos principais motores que culminaram na criação da associação.
“Ao longo desses 25 anos, temos atuado junto aos governos estadual e federal em busca de medidas que reduzam os impactos causados pelo desvio do papel imune de sua finalidade. Apesar desses esforços, esse continua sendo um desafio relevante e persistente para toda a cadeia produtiva”, refletiu o executivo.
Durante o evento, também foi distribuído o informativo setorial da ANDIPA, o Newspaper, que alcançou o marco de sua 100ª edição. O material reúne textos relacionados à comemoração do aniversário e que também reforçam a importância da associação para os distribuidores de papel, bem como estatísticas setoriais.
VISÃO DOS PAPELEIROS
“O cenário externo impacta principalmente pelo custo do frete, com custos de petróleo e energia. No panorama interno, a reforma tributária demanda grande atenção, especialmente sobre inteligência tributária geográfica”, avalia o Presidente do Conselho Diretor da ANDIPA, embora sua perspectiva se mantenha otimista, de modo geral.
Italo Aguiar, Presidente do Conselho Diretor da ANDIPA (Créditos: Bruno Arita)
Para ele, as oportunidades do setor estão atreladas, principalmente, à diversificação de portfólio. “Hoje, os três segmentos mais fortes para o papel – excluindo o segmento de higiene – são embalagens, imprimir e escrever e promocional, este último que ainda deve ter uma queda. O editorial, especificamente o didático, segue bem; e a embalagem se tornou um movimento natural de muitas empresas”, indica Italo Aguiar.
Já Flávio Ignacio, Diretor Comercial no Grupo Rio Branco, destacou ainda que o setor deve acompanhar as demandas das campanhas eleitorais, que, historicamente, aquecem o mercado de papéis. “É necessário avaliar se haverá um aumento no investimento de campanhas eleitorais digitais, ou se ainda haverá a promoção em papel, impulsionando especialmente a demanda por papel couchê e, em menor proporção, offset”, aponta o diretor.
Por fim, João Scortecci, Presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica Regional do Estado de São Paulo (ABIGRAF-SP), destacou ainda o desafio das gráficas de menor porte de investir em novas tecnologias para se manterem competitivas, em meio a todos os desafios macroeconômicos, especialmente relacionados a tributação e mão-de-obra. “A inflação estrutural independe do resultado da eleição e apresenta um grande desafio, que deve impactar todo o setor”, reflete o executivo.



