Arauco dá largada ao ramal ferroviário do Projeto Sucuriú em MS

A Arauco Brasil realizou nesta sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, a cerimônia de lançamento da pedra fundamental do ramal ferroviário (EF-A35) que atenderá a futura fábrica de celulose da companhia em Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul. O evento marca oficialmente o início de uma das principais obras de logística associadas ao Projeto Sucuriú, que representa a entrada da empresa chilena no segmento de celulose no Brasil.

Participaram do lançamento da pedra fundamental da ‘shortline’ as autoridades: Eduardo Riedel, governador do Mato Grosso do Sul os ministros Renan Filho (Transportes) e Simone Tebet (Planejamento e Orçamento), além do presidente da Arauco do Brasil, Carlos Altimiras Ceardi, os secretários Jaime Verruck (Semadesc), Rodrigo Perez (Segov) e Eliane Detoni (EPE), os senadores Tereza Cristina e Nelson Trad Filho, o diretor-geral da ANTT, Guilherme Sampaio, e o prefeito de Inocência, Antônio Ângelo Garcia dos Santos, popularmente conhecido como Toninho da Cofap.

Notícia continua após o anúncio

Com investimento de aproximadamente R$ 2,8 bilhões, incluindo obras civis, locomotivas, vagões e material rodante, o ramal terá uma extensão de 54 quilômetros, sendo 9 km percorridos no complexo industrial do Projeto Sucuriú e outros 45 km até chegar à Malha Norte (EF-364), que conecta Santa Fé do Sul (SP) a Rondonópolis (MT), formando um corredor logístico de 1.050 quilômetros até o Porto de Santos (SP), por onde será escoada 100% da celulose produzida pela unidade, ou seja, 3,5 milhões de toneladas por ano.

Para Carlos Altimiras, CEO da Arauco no Brasil, durante seu pronunciamento, o Projeto Sucuriú foi concebido como um investimento transformador, de longo prazo, que resultou no maior projeto de celulose do mundo implantado em etapa única. Sua escala e complexidade refletem desafios industriais, logísticos, técnicos e sociais, além da confiança da Arauco no Brasil, no Mato Grosso do Sul e na capacidade das pessoas envolvidas em entregar um empreendimento de padrão mundial.

“A ferrovia associada ao projeto é um pilar estruturante dessa estratégia, fundamental para integrar floresta, indústria, portos e mercados globais. Inserida no novo marco regulatório ferroviário, a iniciativa amplia a capacidade logística, reforça a competitividade da celulose brasileira e cria bases para novos investimentos privados em infraestrutura, alinhando eficiência, previsibilidade e escala às exigências do mercado internacional”, destacou o executivo.

Reforçando o papel de Mato Grosso do Sul como principal polo exportador do produto no país. As obras do ramal devem ser concluídas no segundo semestre de 2027, em sincronia com o cronograma da fábrica.

Em fala durante o evento, Paulo Hartung, presidente da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) reforçou a relevância desse investimento em infraestrutura para o desenvolvimento econômico do país:

“Ressalto a importância da nova ferrovia para o Mato Grosso do Sul. O ramal irá conectar o estado ao Porto de Santos e, portanto, a todo o mundo, de forma a impulsionar o desenvolvimento social e econômico da região. Preciso aqui fazer um elogio ao governo do Mato Grosso do Sul, que está colhendo os frutos que plantou. O Estado fez o dever de casa em termos de desburocratização, criando um ambiente de negócios favorável a investimentos”, disse.

“O resultado é que o setor brasileiro de árvores plantadas, maior exportador de celulose do mundo, tem crescido principalmente no Mato Grosso do Sul. Precisamos, em todo o Brasil, seguir o exemplo do estado e trabalhar para a atração do capital privado, a fim de transformar potencial em oportunidades para brasileiros e brasileiras”, acrescentou.

Nesse sentido, o governador do Estado do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, disse que “a trajetória de investimentos na região, desde a atração de investidores internacionais até a Rota da Celulose, mostra que confiança, credibilidade e parceria entre setor público e privado são a base para integrar rodovias, ferrovias, energia limpa e desenvolvimento regional, preparando nosso Estado para ser sustentável e carbono neutro até 2030.”

Riedel informou que o Estado está aplicando R$ 1,1 bilhão no entorno da rota, com obras em rodovias como a MS-444, MS-316, MS-040, MS-320 e MS-377, além da futura concessão até Paranaíba.

Para o prefeito municipal de Inocência, Antônio Ângelo Garcia dos Santos, a implantação do Projeto Sucuriú e dessa ferrovia abre oportunidades concretas para a população, geração de trabalho, de renda, fortalecimento da economia local, novo serviço e um novo centro de crescimento para o município e região. “Ao mesmo tempo, traz a responsabilidade de crescer com organização, cuidado com a cidade, compromisso com as próximas gerações. Inocência segue sendo uma cidade que preserva as suas raízes, mas que avança com segurança conciliando tradição, desenvolvimento, identidade e futuro”, disse.

Durante a fase de implantação da ferrovia, a expectativa é de geração de cerca de mil empregos diretos. As obras devem ser concluídas até o segundo semestre de 2027.

Avanços regulatórios e marco para o setor ferroviário

O projeto da Arauco é a primeira shortline ferroviária implantada no Brasil após o Novo Marco Regulatório das Ferrovias, instituído em dezembro de 2021, que ampliou o modelo de autorizações para investimentos privados no setor.

Em abril de 2025, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou a construção e exploração do ramal por um período de 99 anos, além de conceder à companhia o status de Agente Transportador Ferroviário (ATF) e emitir a Declaração de Utilidade Pública (DUP), instrumento que viabiliza desapropriações e servidões administrativas ao longo do traçado.

No campo ambiental, o projeto recebeu em 12 de novembro de 2025 a Licença Prévia do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), válida até novembro de 2029, atestando a viabilidade ambiental do empreendimento e autorizando o avanço das obras civis.

Vale dizer ainda que o empreendimento já consolidou todo o arcabouço legal, regulatório, ambiental e fiscal necessário para sua execução integral, incluindo o enquadramento no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi), que garante a suspensão de tributos federais sobre bens e serviços destinados à obra.

Segundo Guilherme Théo Sampaio, diretor-geral da ANTT, “quando falamos de transporte, falamos de integração. Infraestrutura não pode ser pensada de forma isolada, como rodovia, ferrovia ou porto separados. Precisamos de uma logística multimodal, eficiente, que conecte tudo. Os avanços no setor ferroviário mostram isso: a rota da celulose, a autorização da Motiva Pantanal e o leilão da Malha Oeste. Além disso, hoje temos diferentes modelos de investimento: concessões, renovações antecipadas e autorizações, que ampliam a capacidade logística do país”, resumiu.

Traçado, obras e meio ambiente

O traçado do ramal segue, em grande parte, paralelo às rodovias MS-377 e MS-240, atravessando exclusivamente áreas rurais do município de Inocência. Ao longo do percurso, o projeto inclui a construção de uma ponte de aproximadamente 270 metros sobre o córrego São Mateus, além de dois viadutos, um ferroviário e um rodoviário.

A licença ambiental impõe uma série de condicionantes, como a instalação de dispositivos de mitigação de atropelamento de fauna, monitoramento periódico de acidentes com animais silvestres, manejo e translocação de espécies.

Como parte das compensações ambientais, a empresa firmou um Termo de Compromisso de Compensação Ambiental com o Imasul, prevendo investimentos de R$ 4,3 milhões ao longo de 24 meses em ações de recuperação e conservação ambiental na região.

Estruturação do corredor logístico

Além do ramal ferroviário, a Arauco vem avançando na estruturação de toda a cadeia logística associada ao Projeto Sucuriú. Recentemente, a empresa firmou contrato estimado em R$ 770 milhões com a Randoncorp para a aquisição de vagões ferroviários que serão utilizados no escoamento da produção.

Conforme Alberto Pagano, diretor de Logística e Suplementos Arauco Brasil, o maior projeto de celulose do mundo, implantado em etapa única, exige soluções que nunca foram feitas antes e a logística precisava estar atenta à altura deste sonho.

“Essa ferrovia nasceu junto com a fábrica. Ela não foi pensada como um complemento, mas como parte do processo industrial. Por isso, cada detalhe foi desenhado para garantir eficiência, fluidez e principalmente segurança. Aqui, os trens chegarão e partirão diretamente à planta. O carregamento acontecerá em tempo recorde e uma estrutura ferroviária desenhada para máxima eficiência operacional”, detalhou.

Pagano disse ainda que se trata de uma operação integrada, precisa e que estabelece um novo patamar de produtividade no setor de celulose. “Teremos um total de 721 vagões operando e 26 locomotivas em plena capacidade. Isso não é apenas números, é escala, previsibilidade, sustentabilidade e competitividade para o Brasil. Ao priorizar o modal ferroviário, estamos retirando cerca de 190 caminhões por dia das rodovias”, informou o executivo, acrescentando que isso significa a redução de até 94% das emissões de CO₂.

A celulose no Mato Grosso do Sul

No evento foram formalizadas a ordem de início de serviço da obra de construção do gasoduto do Projeto Sucuriú, com mais de R$ 170 milhões em investimentos da MS Gás, e a ordem de início de serviço da obra de implantação e pavimentação asfáltica de dois acessos na rodovia MS-377, obra essa que vai contar com mais de R$ 26,9 milhões em investimentos do Estado. Além disso, também foi assinado o contrato de concessão para a Caminhos Celulose, consórcio que vai operar as rodovias que formam a Rota da Celulose.

avatar do autor
Thais Negri Santi

Últimas Notícias

Cristián Infante, da Arauco, é eleito CEO do Ano na América Latina 2026 pela Fastmarkets

O reconhecimento, concedido pelos principais analistas de investimento da região, destaca a liderança estratégica da Arauco em um período de transformação para a indústria florestal.

Suprema Corte dos EUA derruba tarifas recíprocas de Trump e impõe limites ao uso de poderes emergenciais na política comercial

Decisão retira sobretaxas aplicadas ao Brasil sob a IEEPA, mas mantém tarifas baseadas em outros instrumentos legais.

Acordo UE–Mercosul abre nova janela comercial para celulose, papel e madeira

Com o acordo, o setor ganha previsibilidade tarifária e ambiente institucional mais estruturado para acessar o mercado europeu, em meio à reconfiguração do comércio internacional.

Branded Contents

Swan do Brasil destaca inovação e confiabilidade em instrumentação analítica para o setor de celulose e papel

A instrumentação analítica Swan contribui diretamente para a otimização de processos

Fiedler Automação Industrial apoia projeto na Klabin e contribui para redução de 52% na perda de vapor em Telêmaco Borba (PR) 

Iniciativa na Unidade Monte Alegre da Klabin envolveu inspeções na rede de vapor e aplicação de soluções integradas para ganho de eficiência

Compartilhar

Newsletter

Mantenha-se Atualizado!

Assine nossa newsletter gratuita e receba com exclusividade notícias e novidades